Mesmo integrado em um sistema em que diversos profissionais tentam com muito carinho, afeto e profissionalismo atender a demanda sempre crescente elecando assim a tematica de universalidade e equidade nesta questao seja atraves dos grande centros hoje giselda trigueiro e rafael fernandes e em cta que acabaram de nascer percebemos mesmo com pluralidade dos PAMS digo natal e da SESAP tentando majoritariamente incluir a sociedade civil em todos os sentidos ainda vemos que a fragilidade do sistema ainda e perene e em demasia acirrada nesta tematica apesar da tentativa absoluta do empoderamento nesta questao a base, ponta ou mesmo o paciente ainda tem muitos gargalos a serem objetivados digamos a falta sempre presente de remedios ou de atenção basica, dentista e outro desafio apesar da quase sobre humana equipe que aproveitamos para aplaudir do giselda em toda a sua boa vontade em fazer protagonizando este serviço a muito tempo como falar de atenção integral a esta triade que é dst aids e hepatites virais quando ainda temos ubs e psf ainda descompactuados com esta questao entre outras falat tanbem a simploria participação efetiva do gestor local em querer fazer quando percebemos que a sobra de recursos e outro desafio quando em um PAM nao cumprido em sua plenitude ou mesmo com harmonizar esta tematica tao relevante e necessaria em voga entre tantas com um batalhao de profissionais que com muita galharida se empenham em monitora, acompanhar, sistematizar e em pelintude fazer acontecer mais humanização começa na UBS e terminaria na altacomplexidade como entao fazer é um desafio constante para todos os que fazem valer o grito dst/aids e hepatites virais em nosso estado como regionalizar esses serviços quando basicamente so temos dois grandes polos mossoro e natal em defasagem as demais macro regioes do nosso estado, seria necessarios pelo menos em polos CTA, e memso em UBS a sensibilização do profissional para este atendimento/paciente, outro ponto e a sempre falta de remedios e serviços necessarios a um bom atendimento como em outras patologias devemos tambem pauta para um melhor nivelamento de ações e seviços identificamos assim a falta constante de atenção na ponta restando assim a media e alta atenção que as vezes congestionam como desafio percebemos que a correta implementação da atenção seria o mais viavel e so fazer o que esta escrito que estaria de bom tamanho dai necessitamos de muitas maos pacientes, profissionais e gestores numa trilogia necessaria a saude e integralização maxima desta rede que ainda tem muito a crescer e efetivar.
A FLOR DO SERTAO E CANGAÇO - Organização que atua na defesa social da vida ambiente da diversidade etinico racial de todas as formas e maneiras, a missão de servir ao outro com toda a nossas forças e sinergia "Ti Oluwa Ni Ile", Domine, quo vadis? Senhor, aonde ides? Ab initio: desde o começo. Ab aeterno: desde a eternidade. In perpetuum: para sempre. TRANSFORME SEU GESTO EM AÇÃO DEPOSITE: 9314 ITAU NATAL-RN-BRASIL 08341 2 Ilê Ilê Axé àrà-àiyé Omim ofa Orum fum fum Bara Lona...
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011
PICS trazem terapias alternativas para a saúde pública do RN e do BRASIL...
Natal (RN), 10 de outubro de 2011
PICS trazem terapias alternativas para a saúde pública
Oferecer aos
pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) terapias como o uso de
plantas, agulhas de acupuntura, gotinhas da homeopatia e até água
mineral, através da utilização de métodos como a Acupuntura, Fitoterapia
, Homeopatia e Medicina Antroposófica (que trata o corpo
físico e o espiritual como um só) na cura e combate a doenças, foi uma
política implementada no Rio Grande do Norte a partir deste ano, com a
sanção da Portaria Nº 274/GS, de 27 de junho de 2011.
A portaria, que coloca o Rio Grande do Norte como o 5º. Estado
brasileiro a aprovar a Política Estadual de Práticas Integrativas e
Complementares (PEPIC) do Sistema Único de Saúde, considera como
Práticas Integrativas Complementares: a Medicina Tradicional Chinesa –
Acupuntura; Homeopatia; Plantas Medicinais e Fitoterapia; Termalismo –
Crenoterapia; Medicina Antroposófica; Práticas Corporais
Transdisciplinares; Vivências Lúdicas Integrativas.
O
secretário de Estado da Saúde Pública, Domício Arruda Câmara, disse que
recebe com a maior simpatia, no âmbito da assistência básica à saúde,
oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a utilização de métodos e
práticas alternativas.
“A
nossa Constituinte não conseguiu incluir as práticas integrativas e
complementares. em nosso país, a população vê a saúde, o governo, de
forma paternal, acha que ele tem recursos suficientes para tratar de
tudo. Mas a população não se trata, pessoalmente.”, afirmou Domício
Arruda
De
acordo com a coordenadora das PICS , a nutricionista Mychele Kytchia,
com base na própria portaria que as instituiu, “As Práticas Integrativas
Complementares tem como princípio básico a abordagem de
atenção integral à saúde dos indivíduos, pautada no cuidado
humanescente. Reserva, na sua prática, um espaço de distinção à relação
com o usuário, pois seu exercício estimula a autonomia, a observação de
si mesmo e de suas relações com os ambientes físicos, político, cultural
e social, possibilitando a elaboração de novas atitudes”, disse a
nutricionista.
Dados
No
último levantamento feito pelo Ministério da Saúde, há três anos,
informou-se que de 2007 para 2008 a utilização das PIC’s no SUS cresceu
de forma significativa. O número de procedimentos em acupuntura, por
exemplo, aumentou 122% e práticas corporais, como tai chi chuan, cresceu
358%. Aqui no Estado, programa já possui
uma sala para atendimento no sétimo andar do prédio da Sesap , na
avenida Deodoro, Cidade Alta, atendendo pelo telefone 3232.9104 e o endereço eletrônico pic-rn@rn.gov.br.
domingo, 9 de outubro de 2011
Os municípios de Afonso Bezerra, Jucurutu, Mossoró, São Gonçalo do Amarante, São Pedro e Taipu tiveram seus recursos suspensos por irregularidades no SCNES. Segue portaria.
Os municípios de Afonso Bezerra, Jucurutu, Mossoró, São Gonçalo do
Amarante, São Pedro e Taipu tiveram seus recursos suspensos por
irregularidades no SCNES. Segue portaria.
PORTARIA Nº 2.296, DE 29 DE SETEMBRO DE 2011Suspende a transferência de incentivos financeiros referentes ao número de equipes de Saúde da Família, equipes de Saúde Bucal e de Agentes Comunitários de Saúde nos Municípios com irregularidades no cadastro de profissionais no Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (SCNES).O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição, eConsiderando os esforços do Ministério da Saúde pela transparência nos repasses de recursos para a Atenção Básica;Considerando o disposto na Política Nacional de Atenção Básica, instituída pela Portaria nº 648/GM/MS, de 28 de março de 2006;Considerando o disposto na Portaria nº 750/SAS, de 10 de outubro de 2006, que define o SCNES como base de cadastral para o SIAB;Considerando a responsabilidade do Ministério da Saúde pelo monitoramento da utilização dos recursos da Atenção Básica transferidos para Municípios e Distrito Federal; eConsiderando a existência de irregularidades no cadastramento de profissionais da Saúde da Família identificadas no Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (SCNES), resolve:Art. 1º Suspender a transferência de incentivos financeiros referentes ao número de equipes de Saúde da Família, de equipes de Saúde Bucal e de Agentes Comunitários de Saúde, da competência financeira agosto de 2011, dos Municípios que apresentaram duplicidade no cadastro de profissionais no SCNES, relacionados no Anexo a esta Portaria.Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.ALEXANDRE ROCHA SANTOS PADILHA
Editora fará doação de 30 mil livros a pequenos municípios em todos os estados.
Editora fará doação de 30 mil livros a pequenos municípios em todos os estados.
por Jornal Agora
A ação visa garantir apoio a prefeituras de pequeno porte na
implantação da lei que obriga a abordagem da promoção da igualdade
racial nas escolas
A Editora Ética do Brasil está planejando uma grande ação social em 54 municípios de pequeno porte de todos os estados brasileiros. Vai doar, no mês de outubro, pelo menos 30 mil livros didáticos a alunos da rede pública municipal dessas localidades, auxiliando no cumprimento da legislação (leis 10.639/03 e 11.645/08), que obriga o ensino da cultura afro-brasileira e indígena nas escolas do país.
Os municípios participantes serão definidos a partir de uma pré-seleção da empresa, que observará alguns critérios. Para entrar na seleção, por exemplo, o município deve estar em dia com o cumprimento das obrigações com o Fundeb, além de os gestores não estarem envolvidos em denúncias de corrupção envolvendo dinheiro da educação entre outros pré-requisitos.
“Temos uma visão social da educação e entendemos que todo aluno deve ter acesso a esse material. Se o município ainda não tem condições de adquirir obras que auxiliem na implantação da lei, queremos fazer algo a respeito, ainda que não consigamos atender a todos. Mas nos alegra poder fazer algo”, afirma Ângelo Carvalho, diretor comercial da Editora Ética.
A doação está prevista para a segunda quinzena de outubro, após elaborado todo o processo de seleção dos municípios candidatos. A primeira seleção será pelo número de alunos. Serão escolhidos, inicialmente, municípios que tenham matriculados entre 100 e mil alunos. “O objetivo é alcançarmos pelo menos 30 mil livros”, adianta Ângelo Carvalho.
Depois, a seleção passa para os critérios de idoneidade da administração, menor poder aquisitivo das prefeituras, identidade cultural da maioria do alunado entre outros. “Não iremos priorizar nenhuma ideologia política de prefeitos. Assim, quanto maior a diversidade partidária, melhor”.
Importância da ação
O ensino da cultura afro-brasileira e indígena nas escolas foi determinado pelo presidente Lula, que aprovou as leis 10.639/03 e 11.645/08, que alteraram a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). O objetivo é dar a cada brasileiro a oportunidade e o poder de discutir, de forma didática, toda a riqueza cultural dos povos indígenas e negros, sua contribuição para a formação da identidade cultural do país, além de debater, de forma interativa, temas como discriminação, preconceito, cultura e valores étnicos na sociedade atual.
O objetivo da Editora Ética do Brasil é marcar posição como uma empresa que participa, efetivamente, da construção de uma sociedade sem racismo. “Como tem sido propagado pelo Governo Federal, por meio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), a ‘Igualdade racial é pra valer’. Nesse sentido, a Editora Ética faz sua parte, aproveitando o ensejo do ano de 2011 ter sido declarado o Ano Internacional do Afrodescendente”, observa a consultora pedagógica da Editora Ética, a professora e militante de movimentos de igualdade racial, Jacy Proença.
A obra
A coleção que será doada pela Editora Ética do Brasil aos 54 municípios é a “História e Cultura Afro-brasileira”. “Essa coleção garante ao professor a possibilidade de trabalhar com os alunos as temáticas propostas de forma transversal em várias disciplinas. Acredito que será de grande valor para os alunos e para os educadores. Para nós, será a realização do que acreditamos como compromisso com a educação e com essa geração que estamos formando em nossas escolas”, reforça Ângelo Carvalho.
A Editora Ética do Brasil está planejando uma grande ação social em 54 municípios de pequeno porte de todos os estados brasileiros. Vai doar, no mês de outubro, pelo menos 30 mil livros didáticos a alunos da rede pública municipal dessas localidades, auxiliando no cumprimento da legislação (leis 10.639/03 e 11.645/08), que obriga o ensino da cultura afro-brasileira e indígena nas escolas do país.
Os municípios participantes serão definidos a partir de uma pré-seleção da empresa, que observará alguns critérios. Para entrar na seleção, por exemplo, o município deve estar em dia com o cumprimento das obrigações com o Fundeb, além de os gestores não estarem envolvidos em denúncias de corrupção envolvendo dinheiro da educação entre outros pré-requisitos.
“Temos uma visão social da educação e entendemos que todo aluno deve ter acesso a esse material. Se o município ainda não tem condições de adquirir obras que auxiliem na implantação da lei, queremos fazer algo a respeito, ainda que não consigamos atender a todos. Mas nos alegra poder fazer algo”, afirma Ângelo Carvalho, diretor comercial da Editora Ética.
A doação está prevista para a segunda quinzena de outubro, após elaborado todo o processo de seleção dos municípios candidatos. A primeira seleção será pelo número de alunos. Serão escolhidos, inicialmente, municípios que tenham matriculados entre 100 e mil alunos. “O objetivo é alcançarmos pelo menos 30 mil livros”, adianta Ângelo Carvalho.
Depois, a seleção passa para os critérios de idoneidade da administração, menor poder aquisitivo das prefeituras, identidade cultural da maioria do alunado entre outros. “Não iremos priorizar nenhuma ideologia política de prefeitos. Assim, quanto maior a diversidade partidária, melhor”.
Importância da ação
O ensino da cultura afro-brasileira e indígena nas escolas foi determinado pelo presidente Lula, que aprovou as leis 10.639/03 e 11.645/08, que alteraram a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). O objetivo é dar a cada brasileiro a oportunidade e o poder de discutir, de forma didática, toda a riqueza cultural dos povos indígenas e negros, sua contribuição para a formação da identidade cultural do país, além de debater, de forma interativa, temas como discriminação, preconceito, cultura e valores étnicos na sociedade atual.
O objetivo da Editora Ética do Brasil é marcar posição como uma empresa que participa, efetivamente, da construção de uma sociedade sem racismo. “Como tem sido propagado pelo Governo Federal, por meio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), a ‘Igualdade racial é pra valer’. Nesse sentido, a Editora Ética faz sua parte, aproveitando o ensejo do ano de 2011 ter sido declarado o Ano Internacional do Afrodescendente”, observa a consultora pedagógica da Editora Ética, a professora e militante de movimentos de igualdade racial, Jacy Proença.
A obra
A coleção que será doada pela Editora Ética do Brasil aos 54 municípios é a “História e Cultura Afro-brasileira”. “Essa coleção garante ao professor a possibilidade de trabalhar com os alunos as temáticas propostas de forma transversal em várias disciplinas. Acredito que será de grande valor para os alunos e para os educadores. Para nós, será a realização do que acreditamos como compromisso com a educação e com essa geração que estamos formando em nossas escolas”, reforça Ângelo Carvalho.
Tags: distribuição,livros,Lei nº10.639/03
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Amazônia: a saída é a floresta de alimentos! – parte 3: vamos aos cardápios
Amazônia: a saída é a floresta de alimentos! – parte 3: vamos aos cardápios
25/08/2011
Abelhas na caixa. Crédito: Instituto Peabiru
|
Continuando nossa saga pela culinária Amazônia, encontramos a pílula da
felicidade: a castanha-da-Amazônia (do Pará). Isto mesmo, pílula da
felicidade, do bom humor, da inteligência, combate o estresse, a
depressão e o envelhecimento porque a quantidade de selênio na castanha
(2.500 vezes qualquer outra noz) é tão grande que bastam duas unidades
para suprir, de forma natural, as necessidades diárias deste
micro-elemento. Infelizmente, os grandes castanhais de Marabá e
municípios do Sul do Pará foram substituídos por pastos pra boi e no
Acre e Mato Grosso os castanhais estão no mesmo caminho. A castanheira é
a Estátua da Liberdade da Amazônia, a rainha da floresta, cada
árvore é um monumento, um templo sagrado, uma explosão de vida. Domina o
dossel da mata, chegando à surpreendente altura de 55 m. Ainda que
existam plantios, 99% da produção provém da coleta nas matas. Seu
principal consumo é da amêndoa in natura. E tem mais, ajuda a manter
mais de trinta mil castanheiros e seringueiros em suas reservas
extrativistas!
Os chocolatáveis
Estes dois primos, cacau (Theobroma cacao) e cupuaçu (Theobroma grandiflora) têm história curiosa. Do cacau aproveitamos a amêndoa para fazer o chocolate, e em boa parte das áreas de produção se desperdiça a polpa que, a meu ver, é a melhor polpa pra sucos que existe. No mundo são milhões de pessoas que vivem do cultivo do cacau. O Brasil, como sempre, ficou pra trás, especialmente na Amazônia. Pouca gente sabe que sua origem está na Amazônia, onde o cacau-de-várzea apresenta sabor inigualável. O cupuaçu, ou cupu para os íntimos, tem um cheiro que rescende longe (experimente levá-lo em sua mala!). Sua polpa, altamente valorizada, tem produção insuficiente para tantos doces, bombons, sucos e sorvetes. De sua semente (amêndoa) faz-se o cupulate, com sabor bastante semelhante ao chocolate, mas ninguém explora. É um pouco ridículo, jogamos fora a amêndoa do cupu. Ah, tem também outras espécies de cacau, como o cupuí, uma com belíssimo buquê de flores, e um formato pequeno.
Frutas regionais
O pesquisador do Museu Goeldi, Paulo Cavalcanti, recentemente falecido, classificou mais de trezentas frutas da região. Recentemente, o fotógrafo Silvestre Silva publicou pela Metalivros o belíssimo Frutas da Amazônia, que apresenta uma centena de frutas da região. O que quero chamar a atenção é pras frutas suqueiras, aquelas boas de suco, e boas de vitamina, como o camu-camu (36 vezes mais vitamina C que a laranja), o taperebá (cajá para o Nordeste ou no Acre) e o Bacuri, esta maravilha perfumosa. São frutas presentes nas polpas para sorvetes e sucos, na doçaria, nas geleias, que pouco venceram as barreiras regionais pelo desconhecimento do consumidor fora da região e falta de estimulo para suas diversas cadeias de valor. Estas frutas tem tudo pra conquistar o mundo como foi com o açaí, basta incentivar o consumidor a conhecê-las.
Temperos loucos
Loucos, porque reverte-se seu uso conhecido, como cosmético, como banho-de-cheiro, pra uso alimentar. É como fez Fábio Sicilia, um dos grandes chefs de Belém, da Famiglia Cecília, que inventou um prato, um pesto (originalmente mangericão, pinhão (europeu), azeite e sal), à base de mulata, diga-se, da erva bem conhecida no banho-de-cheiro, catinga-de-mulata (Tanacetum vulgare). E tem gente transformando priprioca, uma raizinha danada de cheirosa que a Natura emprega em perfumaria, em tempero. E esta lista vai longe, com a vinagreira, muito usada no Maranhão.
Há casos inversos, como o do jambu, em que o alimento virou cosmético bom pra combater o envelhecimento. Apesar de ser do caribe, o jambu mergulhou no carimbó. Do encontro com o tucupi fez-se o tacacá, que causa uma pororoca de sabores e deixaria Proust inebriado, ou melhor, adormecido, isto porque a folhinha, crua ou levemente aferventada se presta a adormecer umas glândulas salivares. Há ainda as pimentas; a pimenta-de-cheiro, aquela amarelinha, que deixa gosto bom e sem arder tanto. A novidade é o trabalho com as pimentas secas que os índios do Alto Rio Negro lançarão no mercado...
Adoçante Premium, mel de abelhas nativas
As abelhas sem ferrão, as melíponas, estão por aí, no Brasil todo, nas zonas tropicais do planeta, desvalorizadas, acuadas pelo fogo, modificações nas paisagens e nossa ignorância. Mas são elas, lembram-nos os mestres da ciência, como Warwick Kerr, que garantem a polinização das plantas, de nossos alimentos. Einsten dizia que desaparecidas as abelhas, a Humanidade não duraria cinco anos. Na Amazônia são duzentas espécies, pra algumas delas Fernando Oliveira, do Iraquara, inventou uma caixinha pra que possam se reproduzir e produzir mel. O Instituto Peabiru trabalha com pelo menos quatro espécies apoiando os quilombolas e índios no Amapá e pequenos agricultores no Pará para lançar o produto no mercado.
As abelhinhas não picam, o que permite instalar as colméias ao lado das casas, e elas agradecem, polinizando o pomar, que fica forrado de frutas. É uma ótima oportunidade para gerar renda e apoiar a organização de grupos de mulheres que passam a administrar seu negócio. Além disto, lembram-nos a todo momento que não é bom queimar, desmatar, jogar lixo, deixar o esgoto a céu aberto etc, o que pode ser transformado em dinheiro pelo mecanismo de fixação de carbono (REDD). Alguém aí quer financiar um estudo sobre o tema? E principalmente: trata-se de um mel delicioso que nos protege contra muitas doenças, com propriedades organolépticas atraentes - cheiro, coloração, beleza da história, porque não existe nada com propriedades tão anti-sépticas como o mel das melíponas, o néctar da Amazônia.
A conversa está boa, mas eu vou comer a minha porção de Amazônia de hoje. De café da manhã duas castanhas, suco batido com farinha-de-mesocarpo-de-babaçú e adoçado com néctar (mel de abelhas nativas). Nas refeições o arroz com jambu e castanha, a farinha de mandioca acompanhada de suco de apricot (da Amazônia) e, como sobremesa (pode ser prato principal), açaí com farinha de tapioca (ou farinha d’água mesmo). E você, vai comer a Amazônia hoje?
Os chocolatáveis
Estes dois primos, cacau (Theobroma cacao) e cupuaçu (Theobroma grandiflora) têm história curiosa. Do cacau aproveitamos a amêndoa para fazer o chocolate, e em boa parte das áreas de produção se desperdiça a polpa que, a meu ver, é a melhor polpa pra sucos que existe. No mundo são milhões de pessoas que vivem do cultivo do cacau. O Brasil, como sempre, ficou pra trás, especialmente na Amazônia. Pouca gente sabe que sua origem está na Amazônia, onde o cacau-de-várzea apresenta sabor inigualável. O cupuaçu, ou cupu para os íntimos, tem um cheiro que rescende longe (experimente levá-lo em sua mala!). Sua polpa, altamente valorizada, tem produção insuficiente para tantos doces, bombons, sucos e sorvetes. De sua semente (amêndoa) faz-se o cupulate, com sabor bastante semelhante ao chocolate, mas ninguém explora. É um pouco ridículo, jogamos fora a amêndoa do cupu. Ah, tem também outras espécies de cacau, como o cupuí, uma com belíssimo buquê de flores, e um formato pequeno.
Frutas regionais
O pesquisador do Museu Goeldi, Paulo Cavalcanti, recentemente falecido, classificou mais de trezentas frutas da região. Recentemente, o fotógrafo Silvestre Silva publicou pela Metalivros o belíssimo Frutas da Amazônia, que apresenta uma centena de frutas da região. O que quero chamar a atenção é pras frutas suqueiras, aquelas boas de suco, e boas de vitamina, como o camu-camu (36 vezes mais vitamina C que a laranja), o taperebá (cajá para o Nordeste ou no Acre) e o Bacuri, esta maravilha perfumosa. São frutas presentes nas polpas para sorvetes e sucos, na doçaria, nas geleias, que pouco venceram as barreiras regionais pelo desconhecimento do consumidor fora da região e falta de estimulo para suas diversas cadeias de valor. Estas frutas tem tudo pra conquistar o mundo como foi com o açaí, basta incentivar o consumidor a conhecê-las.
Temperos loucos
Loucos, porque reverte-se seu uso conhecido, como cosmético, como banho-de-cheiro, pra uso alimentar. É como fez Fábio Sicilia, um dos grandes chefs de Belém, da Famiglia Cecília, que inventou um prato, um pesto (originalmente mangericão, pinhão (europeu), azeite e sal), à base de mulata, diga-se, da erva bem conhecida no banho-de-cheiro, catinga-de-mulata (Tanacetum vulgare). E tem gente transformando priprioca, uma raizinha danada de cheirosa que a Natura emprega em perfumaria, em tempero. E esta lista vai longe, com a vinagreira, muito usada no Maranhão.
Há casos inversos, como o do jambu, em que o alimento virou cosmético bom pra combater o envelhecimento. Apesar de ser do caribe, o jambu mergulhou no carimbó. Do encontro com o tucupi fez-se o tacacá, que causa uma pororoca de sabores e deixaria Proust inebriado, ou melhor, adormecido, isto porque a folhinha, crua ou levemente aferventada se presta a adormecer umas glândulas salivares. Há ainda as pimentas; a pimenta-de-cheiro, aquela amarelinha, que deixa gosto bom e sem arder tanto. A novidade é o trabalho com as pimentas secas que os índios do Alto Rio Negro lançarão no mercado...
Adoçante Premium, mel de abelhas nativas
As abelhas sem ferrão, as melíponas, estão por aí, no Brasil todo, nas zonas tropicais do planeta, desvalorizadas, acuadas pelo fogo, modificações nas paisagens e nossa ignorância. Mas são elas, lembram-nos os mestres da ciência, como Warwick Kerr, que garantem a polinização das plantas, de nossos alimentos. Einsten dizia que desaparecidas as abelhas, a Humanidade não duraria cinco anos. Na Amazônia são duzentas espécies, pra algumas delas Fernando Oliveira, do Iraquara, inventou uma caixinha pra que possam se reproduzir e produzir mel. O Instituto Peabiru trabalha com pelo menos quatro espécies apoiando os quilombolas e índios no Amapá e pequenos agricultores no Pará para lançar o produto no mercado.
As abelhinhas não picam, o que permite instalar as colméias ao lado das casas, e elas agradecem, polinizando o pomar, que fica forrado de frutas. É uma ótima oportunidade para gerar renda e apoiar a organização de grupos de mulheres que passam a administrar seu negócio. Além disto, lembram-nos a todo momento que não é bom queimar, desmatar, jogar lixo, deixar o esgoto a céu aberto etc, o que pode ser transformado em dinheiro pelo mecanismo de fixação de carbono (REDD). Alguém aí quer financiar um estudo sobre o tema? E principalmente: trata-se de um mel delicioso que nos protege contra muitas doenças, com propriedades organolépticas atraentes - cheiro, coloração, beleza da história, porque não existe nada com propriedades tão anti-sépticas como o mel das melíponas, o néctar da Amazônia.
A conversa está boa, mas eu vou comer a minha porção de Amazônia de hoje. De café da manhã duas castanhas, suco batido com farinha-de-mesocarpo-de-babaçú e adoçado com néctar (mel de abelhas nativas). Nas refeições o arroz com jambu e castanha, a farinha de mandioca acompanhada de suco de apricot (da Amazônia) e, como sobremesa (pode ser prato principal), açaí com farinha de tapioca (ou farinha d’água mesmo). E você, vai comer a Amazônia hoje?
O Eco
João Meirelles Filho
Amazônia: a saída é a floresta de alimentos! – parte 2
Amazônia: a saída é a floresta de alimentos! – parte 2
25/08/2011
Cestos de açaí. Crédito: Instituto Peabiru
|
Se o açaí precisou sair dos furos do Marajó para conquistar as areias
das praias cariocas e o gosto do norte-americano. Da mesma maneira, se a
castanha-do-Pará, ou da Amazônia (porque tem no Acre, no Mato Grosso,
no Amapá, na Bolívia, Peru...), como deve ser, há anos ocupa especial
atenção no mix de salgadinhos europeu e norte-americano, é
porque a Amazônia têm algo mais a oferecer que carne clandestina (2/3 da
carne consumida na Amazônia é pirata!).
Vamos discutir a região a partir das sete maravilhas da Amazônia, os gatilhos para devorar a floresta, que poderão salvar a Amazônia da catástrofe. São elas, sem uma ordem precisa: 1) A família das farofarinhas - as mandiocas (a brava e a mansa), 2) as três palmeiras, as árvores-da-vida - açaí, babaçu e pupunha, 3) a pílula da felicidade: a castanha-da-Amazônia (do Pará), 4) os chocolatáveis - os primos-irmãos cacau-cupuaçu, 5) As frutas regionais; 6) Os temperos loucos; e 7) O adoçante natural Premium: o néctar, mel das abelhas nativas.
Vamos aos detalhes:
1) A família das farofarinhas
A farinha de mandioca é o que os primeiros portugueses chamaram de farinha-de-pau. Nossa equação tem três desafios quando se trata da mandioca (a brava, que dá a farinha, a mansa, pra comer direto). Primeiro: o amazônida consome três vezes mais farinha-de-mandioca que a média nacional (cerca de 100 gr. por dia, IBGE); segundo: a produtividade da produção de mandioca, e por consequência, da farinha, por hectare, é muito baixa (pode chegar a vinte vezes a altamente tecnificada no Sul), o que resulta em muito trabalho, grande emprego de terra, baixa renda, danos ambientais (derrubada, queimada etc.), pouca produção; terceiro: se o preço da farinha aumentar significativamente, muita gente passa fome (mais do que já vimos!).
Solução 1: as políticas públicas federais, estaduais e municipais levarem a sério este problema. Ao invés de se preocupar com o preço dos veículos automotivos, uma vez que as montadoras tem lobby, há que se preocupar com a comida de milhões (o que afeta também o Nordeste do Brasil). Recente estudo sobre a cadeia de valor da farinha de mandioca em Portel, no Marajó, coordenado pelo professor Antônio Cordeiro e dirigido por Marco Antônio Santos, pela Universidade Federal Rural da Amazônia, Instituto Peabiru e Fundo Vale apontam alguns caminhos.
Solução 2: elevar a farinha-de-mandioca a produto Premium como produto amazônico, com qualidade, higiene, padrão de exportação para outros brasis e o exterior, juntamente com seus agregados, como a goma (pra fazer tapioquinha), a tapioca (pra acompanhar o açaí e fazer bolo etc.), o tucupi (o sumo da mandioca, altamente energético e revigorante, o verdadeiro missoshiru da Amazônia, base do tacacá-no-tucupi), a folha-de-mandioca (que uma vez extraído o acido hidrocianico (HCN) é importante fonte de vitamina A e sais minerais e poderia ser adicionada à merenda escolar).
Solução 3: ensinar o mundo como se come a farinha e seus produtos: o chibé, o beiju, o beiju-cica, a mujica, a curera (pra bicho e pra gente), o caxiri , etceteras mil... A Amazônia e o Brasil viveram de mandioca como principal fonte de calorias por dez mil anos. Os Tupi dominaram o cenário por 600 anos à base de mandioca e não há que abandonar este conhecimento sem melhor o compreender. Seria o verdadeiro embaixador da culinária amazônica inventando coisas como o chibé-shake!
2) As três palmeiras, as árvores-da-vida:
São mais de cem as espécies de palmeiras, mas fiquemos apenas em três: o açaí, o babaçu e a pupunha. Perdoem-me o xis-caboclinho manauara (de tucumã), o miriti (buriti, delicioso), o patauá e seu azeite, a bacaba, (bem parecida com o açaí).
O açaí taí pra provar que é possível colocar em menos de dez anos um produto no mercado, envolver mais de cem mil pessoas na cadeia de valor com todas as precariedades e gerar renda local superior a mais de R$ 2 bilhões (IDEFLOR/IDESP, 2010). E isto com baixíssima presença do governo, foi tudo invenção do consumidor!
Que se dirá se houvessem políticas públicas consistentes (pra não dizer decentes). O açaí, a superfruta, uma das mais potentes fontes naturais de antocianinas (antioxidante, contra o envelhecimento), lembrem-se, também a fonte principal alimentar (durante as safras) de mais de um milhão de pessoas, principalmente no estuário do Amazonas & Tocantins. Bem pensada sua logística, para se processar e conservar adequadamente com a higiene necessária e considerando-se o plantio de áreas úmidas degradadas com açaí, teremos uma outra escala de produção e sabedoria. Sem contar que a maior parte do palmito do Brasil é deste açaí. Açaí na tigela com farinha de mandioca (ou tapioca) adoçado com mel de abelhas nativas - prato-chefe do Brasil na copa da sustentabilidade.
O babaçu é outra planta da vida, planta-omni, com dezenas de uso, do óleo para culinária e cosmética, do carvão vegetal que substituiria uma usina hidrelétrica de grande porte, do biodiesel à matéria prima para a industria química e, principalmente, como alimento. Há o leite das amêndoas (semelhante ao leite humano), como o mesocarpo (entre as cascas) do babaçu, que dá uma farinha excelente, rica em amido e sais minerais, utilizado como antiinflamatório, para artrites etc.
Sucede que trezentas mil mulheres, isto mesmo, trezentas mil mulheres, sobrevivem de quebrar o côco - são as heroínas do Brasil - as quebradeiras de côco, e dele tiram uns caramingués de renda nos estados do Piauí, Maranhão, Mato Grosso, Tocantins e Pará. Isto porque nenhum governo levou a sério, até agora, esta questão do babaçu.
A terceira super-palmeira é a pupunha, conhecida de comunidades indígenas e tradicionais. Dela se aproveita quase tudo. O principal interesse está em seu palmito, vendido em conserva. O fruto é um alimento quase completo, contendo proteínas, óleo, caroteno e principalmente, amido. Possui duas vezes mais proteínas que a banana e pode-se retirar de um plantio de pupunha, somente do fruto, mais em carboidratos e proteínas por hectare do que o milho (que exige o replantio a cada colheita).
Vamos discutir a região a partir das sete maravilhas da Amazônia, os gatilhos para devorar a floresta, que poderão salvar a Amazônia da catástrofe. São elas, sem uma ordem precisa: 1) A família das farofarinhas - as mandiocas (a brava e a mansa), 2) as três palmeiras, as árvores-da-vida - açaí, babaçu e pupunha, 3) a pílula da felicidade: a castanha-da-Amazônia (do Pará), 4) os chocolatáveis - os primos-irmãos cacau-cupuaçu, 5) As frutas regionais; 6) Os temperos loucos; e 7) O adoçante natural Premium: o néctar, mel das abelhas nativas.
Vamos aos detalhes:
1) A família das farofarinhas
A farinha de mandioca é o que os primeiros portugueses chamaram de farinha-de-pau. Nossa equação tem três desafios quando se trata da mandioca (a brava, que dá a farinha, a mansa, pra comer direto). Primeiro: o amazônida consome três vezes mais farinha-de-mandioca que a média nacional (cerca de 100 gr. por dia, IBGE); segundo: a produtividade da produção de mandioca, e por consequência, da farinha, por hectare, é muito baixa (pode chegar a vinte vezes a altamente tecnificada no Sul), o que resulta em muito trabalho, grande emprego de terra, baixa renda, danos ambientais (derrubada, queimada etc.), pouca produção; terceiro: se o preço da farinha aumentar significativamente, muita gente passa fome (mais do que já vimos!).
Solução 1: as políticas públicas federais, estaduais e municipais levarem a sério este problema. Ao invés de se preocupar com o preço dos veículos automotivos, uma vez que as montadoras tem lobby, há que se preocupar com a comida de milhões (o que afeta também o Nordeste do Brasil). Recente estudo sobre a cadeia de valor da farinha de mandioca em Portel, no Marajó, coordenado pelo professor Antônio Cordeiro e dirigido por Marco Antônio Santos, pela Universidade Federal Rural da Amazônia, Instituto Peabiru e Fundo Vale apontam alguns caminhos.
Solução 2: elevar a farinha-de-mandioca a produto Premium como produto amazônico, com qualidade, higiene, padrão de exportação para outros brasis e o exterior, juntamente com seus agregados, como a goma (pra fazer tapioquinha), a tapioca (pra acompanhar o açaí e fazer bolo etc.), o tucupi (o sumo da mandioca, altamente energético e revigorante, o verdadeiro missoshiru da Amazônia, base do tacacá-no-tucupi), a folha-de-mandioca (que uma vez extraído o acido hidrocianico (HCN) é importante fonte de vitamina A e sais minerais e poderia ser adicionada à merenda escolar).
Solução 3: ensinar o mundo como se come a farinha e seus produtos: o chibé, o beiju, o beiju-cica, a mujica, a curera (pra bicho e pra gente), o caxiri , etceteras mil... A Amazônia e o Brasil viveram de mandioca como principal fonte de calorias por dez mil anos. Os Tupi dominaram o cenário por 600 anos à base de mandioca e não há que abandonar este conhecimento sem melhor o compreender. Seria o verdadeiro embaixador da culinária amazônica inventando coisas como o chibé-shake!
2) As três palmeiras, as árvores-da-vida:
São mais de cem as espécies de palmeiras, mas fiquemos apenas em três: o açaí, o babaçu e a pupunha. Perdoem-me o xis-caboclinho manauara (de tucumã), o miriti (buriti, delicioso), o patauá e seu azeite, a bacaba, (bem parecida com o açaí).
O açaí taí pra provar que é possível colocar em menos de dez anos um produto no mercado, envolver mais de cem mil pessoas na cadeia de valor com todas as precariedades e gerar renda local superior a mais de R$ 2 bilhões (IDEFLOR/IDESP, 2010). E isto com baixíssima presença do governo, foi tudo invenção do consumidor!
Que se dirá se houvessem políticas públicas consistentes (pra não dizer decentes). O açaí, a superfruta, uma das mais potentes fontes naturais de antocianinas (antioxidante, contra o envelhecimento), lembrem-se, também a fonte principal alimentar (durante as safras) de mais de um milhão de pessoas, principalmente no estuário do Amazonas & Tocantins. Bem pensada sua logística, para se processar e conservar adequadamente com a higiene necessária e considerando-se o plantio de áreas úmidas degradadas com açaí, teremos uma outra escala de produção e sabedoria. Sem contar que a maior parte do palmito do Brasil é deste açaí. Açaí na tigela com farinha de mandioca (ou tapioca) adoçado com mel de abelhas nativas - prato-chefe do Brasil na copa da sustentabilidade.
O babaçu é outra planta da vida, planta-omni, com dezenas de uso, do óleo para culinária e cosmética, do carvão vegetal que substituiria uma usina hidrelétrica de grande porte, do biodiesel à matéria prima para a industria química e, principalmente, como alimento. Há o leite das amêndoas (semelhante ao leite humano), como o mesocarpo (entre as cascas) do babaçu, que dá uma farinha excelente, rica em amido e sais minerais, utilizado como antiinflamatório, para artrites etc.
Sucede que trezentas mil mulheres, isto mesmo, trezentas mil mulheres, sobrevivem de quebrar o côco - são as heroínas do Brasil - as quebradeiras de côco, e dele tiram uns caramingués de renda nos estados do Piauí, Maranhão, Mato Grosso, Tocantins e Pará. Isto porque nenhum governo levou a sério, até agora, esta questão do babaçu.
A terceira super-palmeira é a pupunha, conhecida de comunidades indígenas e tradicionais. Dela se aproveita quase tudo. O principal interesse está em seu palmito, vendido em conserva. O fruto é um alimento quase completo, contendo proteínas, óleo, caroteno e principalmente, amido. Possui duas vezes mais proteínas que a banana e pode-se retirar de um plantio de pupunha, somente do fruto, mais em carboidratos e proteínas por hectare do que o milho (que exige o replantio a cada colheita).
O Eco
João Meirelles Filho
a saída é a floresta de alimentos! – parte 1
Como ser sustentável?
Amazônia: a saída é a floresta de alimentos! – parte 1
25/08/2011
Biodiversidade. Ervas da Floresta. Crédito: Instituto Peabiru
|
A floresta de alimentos é a grande oportunidade para a Amazônia.
Valorizar a floresta em pé, seu valor cultural, ambiental e econômico,
em respeito aos povos que nela vivem. O que é a floresta? O índio a vê
como shopping-center, tem tudo, oca-oikos; o caboclo, como provedora que
complementa suas necessidades a todo momento; o madeireiro e o
garimpeiro, como pilhagem, riqueza imediata; o pecuarista e o plantador
de soja, como empecilho, dá boa fogueira, e depois, pasto-pra-sempre ou
agricultura mecanizada, com mais fogo. O problema é que a visão destes
últimos é a que prevalece, pois sucede que este modelo transformou 1/5
da Amazônia em cinzas[1], com pouca serventia para o Brasil.
Na lógica do progresso a qualquer custo, a floresta é inútil e, na maioria dos casos, nem a área de proteção permanente -- APP se respeita. Pesquisas preliminares com minhocas e outros seres microscópicos em florestas de refúgio de gado no Nordeste Paraense mostram que esta floresta é tão pobre quanto o próprio pasto.
E o consumidor, o que acha? Será que ao consumir o bifinho-nosso-de-cada dia o brasileiro considera que um em cada três bifes tem gosto de floresta amazônica queimada? Que cada bifinho, básico, de 250 gramas, significa 3 kg de CO², 3.500 litros de água, mudanças climáticas, caminhões de erosão, perda de biodiversidade e rios de lágrimas a povos tradicionais?
Não, o consumidor não pensa, engole a Amazônia do jeito que o supermercado a embala - mas, esta lógica é suicida! Resmungaria algum arguto observador, admirando-se desta história do achurrascamento da Amazônia. Sim, e qual é a saída? Se não se come carne (de boi), o que se come? Como os quatrocentos mil pecuaristas da Amazônia (pequenos, médios, grandes) viverão? Perguntam outros.
A proposta é simples: comer a Amazônia, devorar a Amazônia, a Amazônia-do-bem, com critério! E que critérios são estes? Primeiro, tem que ser bom pra saúde, alimentos com propriedades funcionais! Segundo, há que ser prazeroso, gostoso, só coisa boa! Terceiro, tem que encher a burra dos povos tradicionais que cuidam da floresta, e dos pequenos agricultores: floresta-bufunfa, ou seja, tem que ter valor, preço, respeito, prazo. Se o BNDES e Banco da Amazônia deram (do jeito que foi, doaram) R$ 2 bilhões aos pecuaristas, por que não dar o dobro às famílias que cuidam das florestas e rios? Quarto, tem que ser incorporado no bandejão do governo, no restaurante industrial das uber-empresas ( que atendem 300 mil refeições por dia, só na região), empresas que apregoam a sustentabilidade em seus relatórios, mas que não praticam na hora de levar o garfo à boca (preferem trazer frango de Santa Catarina, por exemplo).
E a sustentabilidade começa na merenda escolar: meu filho merece açaí com farinha e doce de cupuaçu e suco do camu-camu, e não esta bolacha cheia de gordura trans e salsicha em lata, com suco artificial, escolhida por mentecaptos carunchados em alguma esperta barafunda.
Quinto: tem que ser ético, moral. Não basta ser legal. Sexto, e penúltimo, quase: a Amazônia tá na moda. Como propõe o Senador Cristovam Buarque, vamos Amazonizar o Mundo, adaptemos o mundo à Amazônia e não o reverso, como foi nos últimos 400 anos. Façamos chique a moda de devorar a Amazônia! Chega de sushi de catupiri, kiwi com salmão!
Sétimo critério, prometo, último, tem que resolver o problema da fome. Não dá pra conservar a floresta se não for para quem nela e dela vive. E também melhorar a situação de quem entope as periferias de Manaus e Belém, atraídos pelas armadilhas das zonas francas e perspectivas de boa vida. Periferias de gordos e desnutridos, em tão precária, senão pior situação de quem ficou no interior.
O levantamento do IBGE sobre alimentação, o PNAD, realizado em 2004 e, cinco anos depois, em 2009, mostra que apesar de melhoras na insegurança alimentar, 40,3% dos domicílios da região Norte apresentam insegurança alimentar (nome moderno pra fome, o dobro das regiões Sul e Sudeste). E destes, ¼, ou seja, 9,2% do total, tem insegurança alimentar grave (cerca de três vezes a do Sudeste e quatro vezes a do Sul). Em 2004, era 10,9%. Ou seja, a situação não mudou. O boom econômico não chega na mesa do pobre da Amazônia. Além da piora na alimentação, há outros desafios, como o da monotonia alimentar: o consumo excessivo de farinha de mandioca, algum peixe e eventuais frutas e hortaliças resultam em distorções graves na saúde.
Perdão, esqueci-me, prometo, este é o ú-l-t-i-m-o: valorizar o que é seu! Se a gente da própria Amazônia não se valoriza ao que é seu, como o consumidor das outras plagas vai se interessar? Se o Brasil não valorizar o Brasil, o que será de nós? Cópia da cópia da cópia? Pesquisa científica já existe o suficiente, estão aí o INPA, a EMBRAPA, o Goeldi, a UFPA, a UFAM e outros centros mostrando o caminho e, isto, há décadas. A questão é que, quem define as políticas públicas acredita que o boi é a redenção, que comida regional é coisa sem futuro, que farinha e açaí é comida de pobre. Erraram redondamente, açaí é o ultra-chic!
___________________________
[1] São 70 milhões de hectares de florestas e outros ambientes que viraram pasto em menos de quatro décadas. Aliás, esta visão prevalece no Brasil, 2/5 do território são de pastos pra boi. No mundo se passa algo similar, quarenta por cento das terras aráveis são utilizadas para animais, principalmente bois.
Na lógica do progresso a qualquer custo, a floresta é inútil e, na maioria dos casos, nem a área de proteção permanente -- APP se respeita. Pesquisas preliminares com minhocas e outros seres microscópicos em florestas de refúgio de gado no Nordeste Paraense mostram que esta floresta é tão pobre quanto o próprio pasto.
E o consumidor, o que acha? Será que ao consumir o bifinho-nosso-de-cada dia o brasileiro considera que um em cada três bifes tem gosto de floresta amazônica queimada? Que cada bifinho, básico, de 250 gramas, significa 3 kg de CO², 3.500 litros de água, mudanças climáticas, caminhões de erosão, perda de biodiversidade e rios de lágrimas a povos tradicionais?
Não, o consumidor não pensa, engole a Amazônia do jeito que o supermercado a embala - mas, esta lógica é suicida! Resmungaria algum arguto observador, admirando-se desta história do achurrascamento da Amazônia. Sim, e qual é a saída? Se não se come carne (de boi), o que se come? Como os quatrocentos mil pecuaristas da Amazônia (pequenos, médios, grandes) viverão? Perguntam outros.
A proposta é simples: comer a Amazônia, devorar a Amazônia, a Amazônia-do-bem, com critério! E que critérios são estes? Primeiro, tem que ser bom pra saúde, alimentos com propriedades funcionais! Segundo, há que ser prazeroso, gostoso, só coisa boa! Terceiro, tem que encher a burra dos povos tradicionais que cuidam da floresta, e dos pequenos agricultores: floresta-bufunfa, ou seja, tem que ter valor, preço, respeito, prazo. Se o BNDES e Banco da Amazônia deram (do jeito que foi, doaram) R$ 2 bilhões aos pecuaristas, por que não dar o dobro às famílias que cuidam das florestas e rios? Quarto, tem que ser incorporado no bandejão do governo, no restaurante industrial das uber-empresas ( que atendem 300 mil refeições por dia, só na região), empresas que apregoam a sustentabilidade em seus relatórios, mas que não praticam na hora de levar o garfo à boca (preferem trazer frango de Santa Catarina, por exemplo).
E a sustentabilidade começa na merenda escolar: meu filho merece açaí com farinha e doce de cupuaçu e suco do camu-camu, e não esta bolacha cheia de gordura trans e salsicha em lata, com suco artificial, escolhida por mentecaptos carunchados em alguma esperta barafunda.
Quinto: tem que ser ético, moral. Não basta ser legal. Sexto, e penúltimo, quase: a Amazônia tá na moda. Como propõe o Senador Cristovam Buarque, vamos Amazonizar o Mundo, adaptemos o mundo à Amazônia e não o reverso, como foi nos últimos 400 anos. Façamos chique a moda de devorar a Amazônia! Chega de sushi de catupiri, kiwi com salmão!
Sétimo critério, prometo, último, tem que resolver o problema da fome. Não dá pra conservar a floresta se não for para quem nela e dela vive. E também melhorar a situação de quem entope as periferias de Manaus e Belém, atraídos pelas armadilhas das zonas francas e perspectivas de boa vida. Periferias de gordos e desnutridos, em tão precária, senão pior situação de quem ficou no interior.
O levantamento do IBGE sobre alimentação, o PNAD, realizado em 2004 e, cinco anos depois, em 2009, mostra que apesar de melhoras na insegurança alimentar, 40,3% dos domicílios da região Norte apresentam insegurança alimentar (nome moderno pra fome, o dobro das regiões Sul e Sudeste). E destes, ¼, ou seja, 9,2% do total, tem insegurança alimentar grave (cerca de três vezes a do Sudeste e quatro vezes a do Sul). Em 2004, era 10,9%. Ou seja, a situação não mudou. O boom econômico não chega na mesa do pobre da Amazônia. Além da piora na alimentação, há outros desafios, como o da monotonia alimentar: o consumo excessivo de farinha de mandioca, algum peixe e eventuais frutas e hortaliças resultam em distorções graves na saúde.
Perdão, esqueci-me, prometo, este é o ú-l-t-i-m-o: valorizar o que é seu! Se a gente da própria Amazônia não se valoriza ao que é seu, como o consumidor das outras plagas vai se interessar? Se o Brasil não valorizar o Brasil, o que será de nós? Cópia da cópia da cópia? Pesquisa científica já existe o suficiente, estão aí o INPA, a EMBRAPA, o Goeldi, a UFPA, a UFAM e outros centros mostrando o caminho e, isto, há décadas. A questão é que, quem define as políticas públicas acredita que o boi é a redenção, que comida regional é coisa sem futuro, que farinha e açaí é comida de pobre. Erraram redondamente, açaí é o ultra-chic!
___________________________
[1] São 70 milhões de hectares de florestas e outros ambientes que viraram pasto em menos de quatro décadas. Aliás, esta visão prevalece no Brasil, 2/5 do território são de pastos pra boi. No mundo se passa algo similar, quarenta por cento das terras aráveis são utilizadas para animais, principalmente bois.
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João Meirelles Filho, mora em Belém, Pará, dirige o Instituto Peabiru e é autor de livros sobre a região - Livro de Ouro da Amazônia (Ediouro, 2003) e Grandes Expedições à Amazônia Brasileira (Metalivros, 2009), e está aprendendo a devorar a Amazônia.
O Eco
João Meirelles Filho
Como ser sustentável?
Como ser sustentável?
29/08/2011Desligar a TV para dormir, utilizar o celular como despertador e muitas outras pequenas atitudes que podem ajudar a diminuir seu impacto no planeta.

Na hora de comprar make, colabore com o planeta e escolha produtos com refil. E fique de olho nos fabricantes: muitos já estão engajados e, entre outras atitudes, rejeitam os testes em animais.

Em vez de gastar energia com despertador, programe o cellular para te acordar. Ele vai ficar ligado mesmo, né? E nada de carregá-lo à noite, esquecer o aparelho na tomada é desnecessário.

Use a internet a seu favor: fique de olho no que os politicos fazem, cobre empresas e participe de abaixo-assinados para causas em que você acredita. Cidadania virtual com impacto real!

Quer jogar fora aquele CD do Rouge que só queima seu filme? Vale procurar na net um centro de reciclagem de eletrônico perto da sua casa. Afinal, um simples CDzinho demora 450 anos para se decompor!

Ai, como pedir? Bom, lá vai: use menos secador! Odeia a gente? Não? Ufa! É que ele gasta dez vezes mais energia do que a chapinha. Sério. Aposte nela para o dia a dia e guarde o secador, snif, para ocasiões especiais.

Ligar o computador só para ouvir música é desperdício. Prefira escutar o MP3 player enquanto se joga no seu quarto. E recarregue o aparelho quando ligar o PC para entrar no MSN

É uma delícia ligar a TV e dormir com o brilho no rosto! Tipo um abajurzinho com vozes,né? Aham, senta lá, Cláudia. A TV é dona de10% do valor da conta de luz. Por isso, desligue quando o sono vier.

QUAL A PROCEDÊNCIA DO QUE VOCÊ COMPRA?
De nada adianta trocar sacolas plásticas por uma "ecobag" se ela for feita no Vietnã. "Será que o custo energético do transporte não anularia o benefício de sua utilização?", pergunta a jornalista Amélia Toledo, que pesquisa as relações entre design, inovação e sustentabilidade. Todos os materiais têm prós e contras, explica ela. "O vidro é 100% reciclável. Mas é pesado e a logística de reutilização exige alto consumo de água e energia. O plástico é retirado de matérias-primas não renováveis, mas seu processo de produção não gera resíduos." Para escolher entre produtos, ela recomenda adotar um conjunto de critérios que inclua durabilidade e adequação ao uso. "Design sustentável é aquele que usa menos matéria-prima, processos industriais e energia."

TUDO BEM DEIXAR O CARRO EM CASA ÀS VEZES?
Manter o carro em ordem para evitar emissões desnecessárias de dióxido de carbono é lei. Deixá-lo em casa nos trajetos servidos por ônibus ou metrô, ainda que apenas fora dos horários de pico, é melhor ainda. "Em termos de impacto ambiental, usar o transporte coletivo não se compara a tirar o carro da garagem, pois o ônibus e o metrô já circulam regularmente", diz o engenheiro florestal e consultor ambiental Tasso de Azevedo.

XÔ, DESCARTÁVEIS!
Coador de pano, sacola de pano. Introduzi-los em sua rotina não requer nenhuma grande mudança. Melhor, você produz menor quantidade de lixo. E isso sim é uma senhora mudança. Vale lembrar que, no trabalho, desconsidere os copos descartáveis. Vá de caneca. É muito mais charmoso e bem menos nocivo para o meio ambiente.

REDUZIR O CONSUMO DE ÁGUA E ENERGIA... SIM! É POSSÍVEL
Regrinhas fáceis para reduzir o consumo de luz e água em casa: mantenha as instalações elétricas em dia; escolha eletrodomésticos certificados; use ferro a vapor, mais econômico, e acumule roupas para passar de uma vez só; instale a geladeira longe de fontes de calor, como o fogão, que a fazem trabalhar mais; pinte as paredes de cores claras, que refletem luz; mantenha luminárias e lustres limpos, para evitar perda de luminosidade; use lâmpadas fluorescentes ou de vapor de sódio; desligue o monitor do computador quando parar de trabalhar; ensaboe toda a louça antes de ligar a torneira elétrica; faça xixi no banho.

SABE AQUELA FRUTA DA ESTAÇÃO? É A ESCOLHA MAIS SÁBIA
Transportar alimentos por longas distâncias gera mais poluição do que trazê-los de perto; manter comidas em freezer ou estufa consome mais energia do que conservar alimentos frescos por poucos dias. Logo, dar preferência aos frutos da época e alimentos produzidos no cinturão de sua cidade são maneiras simples de contribuir para a redução da poluição atmosférica. De quebra, você ajuda a garantir a sobrevivência de pequenos produtores e comerciantes, que perderam espaço nas últimas décadas para as grandes redes de varejo.
http://planetasustentavel.abril.com.br
Débora Spitzcovsky e Tete Martinho
PARA CONHECIMENTO DA CONEN NACIONAL MARCIO ALEXANDRE DO CEN MANDA BALA NA SEPPIR. ESTE ASSUNTO TAMBEM NOS ALCANÇA POLITICAMENTE
PARA
CONHECIMENTO DA CONEN NACIONAL
MARCIO ALEXANDRE DO CEN MANDA BALA NA SEPPIR.
ESTE
ASSUNTO TAMBEM NOS ALCANÇA POLITICAMENTE
Assunto: Relatório GT do CNPIR e proposta
da SEPPIR
Prezadas senhoras e senhores membros do
Conselho,
Comunico que não poderei estar presente
a esta importante reunião. Lamentavelmente a reunião ocorrerá num fim de
semana, e até entendo o por quê, no entanto, tenho obrigações religiosas nesta
data que, até tentei mudar, mas me foi impossível. Em sendo assim, informo-lhes
que quem irá representar o CEN nesta reunião serão Silvana Veríssimo, de São
Paulo e Silvestre Antônio, de Rondônia.
A Coordenação Nacional do CEN vem se
reunindo constantemente há vários dias, em conversas virtuais, e tomando
algumas posições com relação a este processo e nós tornaremos nossa decisão
pública nesta reunião do Conselho. Desde já. no entanto, adiantamos nossa total
insatisfação como as relações com a sociedade civil vêm sendo conduzidas pela
Seppir e acreditamos que a prática do silêncio e de imposições de determinadas
posições não são saudáveis prática política.
Não conseguimos entender como um
encontro como este foi deliberado de forma tão rápida sem uma consulta ao
conselho sobre os critérios estabelecidos pela Comissão formada e pela Seppir
para discuti-lo. Não questionaremos as representações A, B ou C, mas
acreditamos que, ao colocar no mesmo pé de igualdade organizações sindicais e
sócio-culturais - que tangenciam a questão étnico-racial mas não a têm como
base -, com organizações do Movimento Negro que atuam diretamente no campo,
estabelece-se uma relação desigual, pois não estamos falando apenas de
representação, mas também de recursos para participar do evento de Salvador.
Também é insatisfatório para nós que
até este momento não saibamos quem serão as organizações que virão de outros
países e que agenda concreta poderá ser construída a partir deste encontro. Não
nos fica claro, também, o real papel da Seppir, pois ao mesmo tempo em que se
diz que este é um encontro da sociedade civil, é a Seppir o guarda-chuva
institucional que chama a si a responsabilidade da realização do encontro. Por
fim, não vemos como saudável que, por questões internas ao governo e à sua
estrutura de sustentação político-partidária, outros órgãos ligados à esfera
pública não estejam tento um papel mais central na construção deste processo.
Antes que estabeleçamos entre nós
qualquer tipo de desavença, quero deixar clara minha confiança política à
comissão formada para discutir o encontro de Salvador, e compreendo que o
problema não está aí, mas, sim, na condução política que a Seppir vem fazendo,
desde o início de sua nova gestão, tanto com o Conselho, no seu todo, quanto
com as organizações da sociedade civil.
O fato de não poder ir a Brasília não
significará no entanto, que não poderei acompanhar e orientar os membros do
CEN, naquilo que acreditamos ser o momento de decidirmos, sob o risco de
virarmos o ano com um formato de gestão que não nos agrada e não nos privilegia
como organizações da sociedade civil organizada que estão hoje na ponta de
discussão sobre as relações étnico-raciais no Brasil.
Atenciosamente,,
----------------------------------------------------------------------------------------------
Marcio Alexandre M. Gualberto
Coordenador Geral do Coletivo de Entidades Negras - CEN/www.cenbrasil.org.br
Coordenador Geral do Coletivo de Entidades Negras - CEN/www.cenbrasil.org.br
Membro Titular do Conselho Nacional de
Promoção da Igualdade Racial/SEPPIR
Editor do Palavra Sinistra & Colunista do Afropress
Telefones:
(22) 2664-1213
UMA HISTORIA QUE NAO ACABARA UM PAIS SEM CULTURA E RESPEITO AS SUAS ORIGENS E UM PAIS FADADO A MORTE E AO ESQUECIMENTO, SALVE A UMBANDA CHEIROSA E SAGRADA...
Thamyres Dias
Foi no imóvel — que ocupava o centro de uma chácara, no início do século 20 —, que Zélio Fernandino de Moraes, então com 17 anos, dirigiu a primeira sessão da religião. Era 16 de novembro de 1908. A umbanda é a única manifestação religiosa 100% brasileira.
— A demolição nos deixa muito decepcionados, pois perdemos uma referência da chegada da mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas — diz Pedro Miranda, presidente da União Espiritista de Umbanda do Brasil, em referência à entidade que orientou Zélio a fundar a religião.
Espíritos tristes
A notícia também surpeendeu a mãe de santo Lucília Guimarães, do terreiro do Pai Maneco, em Curitiba, Paraná. Na década de 1990, ela veio ao Rio para pesquisar as origens da religião.
— Imagino que até os espíritos estejam tristes. É uma pena — lamenta ela.
Há mais de cem anos com a família de Zélio, o imóvel onde surgiu a umbanda foi vendido recentemente para o militar Wanderley da Silva, de 65 anos, que pretende transformar o local em um depósito e uma loja.
— Eu nunca soube que a casa tinha essa história. Mas agora já comprei, investi, não posso deixar de demolir — explica-se.
Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), nunca houve um pedido de tombamento do imóvel. A antiga casa de Zélio também não é protegida pelo governo estadual ou pela Prefeitura de São Gonçalo.
De acordo com a última avaliação do IBGE, feita no Censo 2000, o Brasil tem quase 400 mil umbandistas. A religião está em todos os estados do país e também no Uruguai, Paraguai, Argentina, Portugal, Espanha e Japão.
‘Tudo acabou’?????
O terreiro de Zélio de Moraes — que recebeu o nome de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade — funcionou por pouco anos em São Gonçalo. Os primeiros umbandistas mudaram-se logo para o Rio de Janeiro.
Primeiro, o centro funcionou na Rua Borja Castro, na Praça Quinze. A rua foi extinta, na década de 1950, para a construção da Perimetral. Dali, foram para a Avenida Presidente Vargas. O imóvel também foi demolido, dessa vez para dar lugar ao Terminal Rodoviário da Central do Brasil.
Uma nova mudança e mais uma demolição. A casa 59 da Rua Dom Gerardo, em frente ao mosteiro de São Bento, virou um estacionamento.
— Tudo acabou, eram prédios muito antigos. Lamento que o último registro também vai desaparecer. Mas o mais importante é que os ensinamentos do meu avô se perpetuem — pediu a neta de Zélio, Lygia Cunha, que hoje preside a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade. O terreiro agora funciona em uma sede própria, em Cachoeiras de Macacu, no interior do estado.
Capela de São Pedro
Antes de ser vendida, a casa onde nasceu a Umbanda abrigou uma capela católica. A última moradora do imóvel, uma descendente de Zélio que é muito católica, cedeu o espaço para os devotos. Quem administra a igrejinha — que também mudou de endereço — é dona Geraldina dos Santos, de 74 anos.
— Não tenho preconceito, não. Todos somos filhos de Deus. Se a religião nasceu lá, a casa devia ser preservada. É importante — disse.
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Fortaleza, Ceará - Terça-feira 27 de abril de 1999 Acusado de matar mãe-de-santo vai a júri Tribunal do Júri de Maracanaú se reún...
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