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sábado, 6 de setembro de 2014

Cronologia do trabalho infantil e adolescente no Brasil e no mundo
A nossa evolução histórica da proteção trabalhista não coincide com a do continente europeu. Até meados do século XIX, a população brasileira tinha sua maior parte concentrada em área rural, e o trabalho de crianças e adolescentes como mão de obra familiar era comum. Realidade que, apesar de muitas mudanças, vemos até hoje.
  1. 1871
    Lei do Ventre Livre
    Assinada pela Princesa Isabel, a Lei do Ventre Livre considerava livres da escravidão os filhos de escravas nascidos a partir dessa lei.
     
  2. 1888
    Lei Áurea
    Também sancionada pela Princesa Isabel, a Lei Áurea marcou a libertação dos escravos. Apesar do fim da escravidão, esse sistema cruel de trabalho deixou herança até hoje, inclusive quando discutimos o trabalho infantil.
  3. 1891
    Idade mínima para o trabalho no Brasil
    Promulgada no Brasil a primeira lei - Decreto nº 1.313 - que determinava a idade mínima de 12 anos para o trabalho.
     
  4. 1919
    OIT proíbe o trabalho realizado por pessoas com menos de 14 anos
    O trabalho realizado por crianças e adolescentes com menos de 14 anos passa a ser proibido na primeira convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT), com a participação de representantes de nove países: Bélgica, Cuba, a antiga Checoslováquia, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Polônia e Reino Unido.
  5. Criação da 1ª Entidade Internacional de Apoio à Criança
    Surge na Inglaterra a primeira entidade internacional cuja missão era proteger e cuidar das crianças vítimas da I Guerra Mundial. A entidade, chamada "Save the Children" ('Salvem as Crianças', em português), foi fundada pela pacifista inglesa Eglantyne Jebb com a finalidade de arrecadação de dinheiro para envio de alimento às famílias européias depauperadas pela guerra.
     
  6. 1923
    Criação do Primeiro Juizado de Menores
    Criado no Brasil o primeiro Juizado de Menores. Mello Mattos foi o primeiro juiz de Menores da América Latina.
     
  7. 1924
    Aprovação da Declaração de Genebra
    Aprovado o primeiro documento internacional sobre os direitos da criança, conhecido como "A Declaração de Genebra”. Elaborado e redigido por membros da ONG “Save the Children”, é considerado o documento que deu origem à “Convenção dos Direitos da Criança” de 1989.
     
  8. 1927
    Promulgação do Código de Menores
    Promulgado no Brasil o Código de Menores, o primeiro documento legal para população com menos de 18 anos, conhecido como Código Mello Mattos.
     
  9. 1930
    Criação do Ministério da Educação
    O Ministério da Educação, chamado Ministério da Educação e Saúde Pública, foi um dos primeiros atos do Governo Provisório de Getúlio Vargas.
     
  10. Proteção da OIT
    A OIT passa a proteger crianças de trabalho forçado ou obrigatório, como vítimas de tráfico, escravidão ou explorados pela prostituição e pornografia.
     
  11. 1942
    Criação do Serviço de Assistência ao Menor
    Instituído no governo de Getulio Vargas, o SAM era um órgão do Ministério da Justiça que funcionava como um equivalente ao sistema penitenciário para a população com menos de 18 anos.
     
  12. 1943
    Consolidação da CLT
    O presidente Getúlio Vargas outorga, em meio às fortes pressões populares, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), documento que, entre outras coisas, regulamenta o trabalho de aprendizes no mercado de trabalho. De acordo com o Decreto 5.452, o menor aprendiz é o adolescente com mais de 14 e menos de 18 anos “sujeito à formação profissional e metodológica do ofício em que exerça seu trabalho”.
  13. 1945
    Criação da ONU
    A Organização das Nações Unidas (ONU), sucessora da Sociedade das Nações, surgiu com o propósito de manter a paz e a segurança internacionais, além de aprofundar a cooperação e o desenvolvimento entre as nações. Contou com 50 países fundadores.
     
  14. 1946
    Criação do Unicef
    O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) foi criado no dia 11 de dezembro. Os primeiros programas forneceram assistência emergencial a milhões de crianças no período do pós-guerra na Europa, no Oriente Médio e na China.
     
  15. 1948
    Aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos
    Promulgada pela ONU, a Declaração Universal Dos Direitos Humanos aumentou, através de seus 10 princípios, o elenco dos direitos aplicáveis à população infantil. Também é considerada um importante instrumento regulatório de abrangência internacional que ajudaria a evitar o surgimento de outra guerra das dimensões da II Guerra Mundial.
  16. 1950
    Unicef no Brasil
    Instalado em João Pessoa (PB) o primeiro escritório do Unicef no Brasil com programas de proteção à saúde de crianças e gestantes nos estados do nordeste brasileiro.
     
  17. 1964
    Criação da Funabem
    A Fundação do Bem Estar do Menor, substituta do Serviço de Assistência ao Menor, foi criada por lei no primeiro governo militar. Um de seus objetivos era o de formular e implantar a Política Nacional do Bem-Estar do Menor. Ao longo de sua história, a Funabem e as correlatas Febens estaduais tiveram diferentes evoluções. Algumas apresentaram inovações pedagógicas, enquanto outras mantiveram a linha autoritária e repressiva, configurando um espaço de tortura e de desumanização autorizado pelo estado.
     
  18. 1966
    Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais
    Elaborado o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, enfatizando questões de escravidão e trabalho forçado ou obrigatório. Ratificado pelo Brasil em 1992, o documento foi planejado com o objetivo de tornar juridicamente importantes os dispositivos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, determinando a responsabilização internacional dos estados signatários por eventual violação dos direitos estipulados.
     
  19. 1967
    Decreto de Lei 229
    A Lei reduz a idade mínima dos aprendizes de 14 para 12 anos.
     
  20. 1973
    Convenção 138 da OIT
    O principal instrumento da OIT foi aprovado na Convenção 138, definindo a idade mínima de 15 anos para admissão ao trabalho.
  21. 1974
    Aprovação da Lei 5.274
    Como no Decreto de 1943, a idade mínima estabelecida para os aprendizes volta a ser de 14 anos.
     
  22. 1978
    Sementes da Convenção dos Direitos da Criança
    O governo da Polônia apresenta à comunidade Internacional uma proposta de Convenção Internacional dos Direitos das Crianças. A convenção é um instrumento de direito mais forte que uma declaração. A declaração sugere princípios pelos quais os povos devem guiar-se. A convenção vai mais além, ela estabelece normas, isto é, deveres e obrigações aos países que a ela formalizem sua adesão. Ela confere a esses direitos a força de lei internacional, não sendo, no entanto, soberana aos direitos nacionais.
     
  23. 1979
    Instituição do Ano Internacional da Criança
    Definido pela ONU o Ano Internacional da Criança, com objetivo de chamar atenção para os problemas que afetam as crianças no mundo todo, como por exemplo, a desnutrição e a falta de acesso à educação.
     
  24. Aprovação do Segundo Código de Menores
    Revogado, o Código de Menores Mello Mattos é substituído pelo Código de Menores de 79 mantendo, no entanto, a mesma linha de arbitrariedade, assistencialismo e repressão junto à população infanto-juvenil.
     
  25. 1983
    Criação da Pastoral da Criança
    Em 1983 é fundada, em nome da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a Pastoral da Criança. Com um importante engajamento, a Pastoral desenvolve uma metodologia própria em que redes de solidariedade são formadas para a proteção da criança e do adolescente.
     
  26. 1985
    Surgimento do MNMMR
    Fundação em São Bernardo do Campo, região do ABC Paulista, do Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua, entidade sem fins lucrativos que nasce com o compromisso de garantir os direitos das crianças e dos adolescentes brasileiros e com especial atenção aos meninos e meninas em situação de rua.
     
  27. 1987
    Reunião da Assembleia Constituinte
    A Assembleia nacional Constituinte, composta por 559 congressistas, foi instalada em 1º de fevereiro de 1987, sendo presidido pelo deputado Ulysses Guimarães. Um grupo de trabalho se reuniu para concretizar os direitos da criança e do adolescente na Constituição Brasileira. O resultado deste trabalho é o artigo 227, que será a base para a elaboração do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), três anos depois.
     
  28. 1988
    Promulgação da Constituição Federal do Brasil
    Após 18 meses de trabalho da Assembleia Constituinte, é promulgada a Constituição de 88, considerada a “Constituição Cidadã”. Marcada por avanços na área social, introduz um novo modelo de gestão das políticas sociais que conta com a participação ativa das comunidades através dos conselhos deliberativos e consultivos.
     
  29. Brasil proíbe o trabalho realizado por pessoas com menos de 14 anos
    A Constituição Federal eleva, em seu art. 7°, XXXIII, para 14 anos a idade mínima para o trabalho, abrindo exceção para os aprendizes (12 anos). O trabalho noturno, perigoso ou insalubre foi proibido para menores de 18 anos.
  30. 1989
    Aprovação da Convenção Internacional dos Direitos da Criança
    Durante dez anos, um grupo de organizações não governamentais foi encarregado pelas Nações Unidas de elaborar uma proposta para a convenção. Em 20 de novembro, a Assembleia Geral aprova, por unanimidade, o texto da Convenção Internacional dos Direitos da Criança, um dos mais importantes tratados de direitos humanos, ratificado por todos os países membros da ONU com exceção dos Estados Unidos e da Somália.
  31. Adoção da ONU à Convenção Sobre os Direitos da Criança
    A ONU adota a Convenção Sobre os Direitos da Criança, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), especificando o direito da criança de ser protegida contra a exploração econômica e do trabalho perigoso, além da abstenção de qualquer pessoa com menos de 15 anos para as forças armadas.
  32. 1990
    Promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
    Promulgado em 13 de julho de 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (Lei 8.069/90) é considerado um documento exemplar de direitos humanos, concebido a partir do debate de ideias e da participação de vários segmentos sociais envolvidos com a causa da infância no Brasil. Apesar de representar uma grande conquista da sociedade brasileira, o Estatuto ainda precisa ser implementado de forma integral.
  33. Criação da Fundação Abrinq
    A Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente foi fundada com a finalidade de promover a defesa dos direitos e o exercício da cidadania da criança e do adolescente.
     
  34. 1992
    Criação do Conanda
    O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) foi criado por lei federal em dezembro de 1992. Uma importante atribuição deste órgão é a formulação de políticas públicas e a destinação de recursos destinados ao cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente. Sua constituição se dá de forma paritária entre membros do governo e membros da sociedade civil organizada.
     
  35. 1995
    I Conferência Nacional dos Direitos da Criança
    Com a ideia de ampliar a discussão relativa aos direitos da criança e do adolescente, o Conanda propôs a realização da primeira Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. As conferências passariam a acontecer a cada dois anos, de maneira sequencial nos níveis regionais (no caso das metrópoles), municipais, estaduais e nacional.
     
  36. 1996
    Criação do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI)
    O PETI é um programa de nível nacional com foco na erradicação das piores formas de trabalho infantil. Trata-se de um programa de transferência de renda que oferece uma bolsa às famílias com crianças e adolescentes entre 7 e 15 anos que se encontram em situação de trabalho precoce em substituição à renda obtida pelas crianças nessas atividades. Em 2005, o PETI foi incorporado ao Bolsa Família, programa de transferência direta de renda que beneficia famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza em todo o país.
     
  37. 1997
    1a Conferência Global sobre o Trabalho Infantil
    A primeira Conferência Global sobre o Trabalho Infantil aconteceu em Amsterdã.
     
  38. 1998
    Idade mínima para trabalho passa a ser de 16 anos
    A Emenda Constitucional 20 institui a idade mínima de 16 anos para o trabalho e 14 anos na condição de aprendiz.
     
  39. 1999
    Convenção 182
    A OIT aprova a Convenção 182, sobre a Proibição das Piores Formas de Trabalho Infantil e Ação Imediata para sua Eliminação.
  40. 2000
    Regulamentação da Lei do Aprendiz
    Promulgada em 2000, a Lei 10.097 altera alguns dispositivos da CLT e aperfeiçoa a normatização dos aprendizes no comércio e na indústria. O contrato de aprendizagem deve “assegurar ao aprendiz, inscrito em programa de aprendizagem, formação técnico-profissional metódica compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico, e o aprendiz se compromete a executar com zelo e diligência as tarefas necessárias a essa formação.”
     
  41. 2006
    Agenda hemisférica para trabalho decente nas Américas
    Elaborado o documento Trabalho Decente nas Américas: Uma agenda Hemisférica, 2006-2015, apresentado na XVI Reunião Regional Americana, da OIT.
     
  42. Fortalecimento do Sistema de Garantia dos Direitos das Crianças e Adolescentes
    O Conanda, ao assinar a Resolução 113, institui que o Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente é constituído pela “articulação e integração das instâncias públicas governamentais e da sociedade civil, na aplicação de instrumentos normativos e no funcionamento de mecanismos de promoção, defesa e controle para a efetivação dos direitos humanos da criança e do adolescente, nos níveis Federal, Estadual, Distrital e Municipal”.
     
  43. 2010
    Plano Nacional de Prevenção e. Erradicação do Trabalho Infantil e. Proteção ao Adolescente Trabalhador
    Elaborado o Plano Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente Trabalhador, pela Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil (CONAETI), junto à Organização Internacional do Trabalho (OIT); visando as metas do Brasil para eliminar aspiores formas do trabalho infantil até 2015, e erradicar de uma vez o uso desse tipo de mão de obra até o fim de 2020.
     
  44. 2ª Conferência Global sobre Trabalho Infantil
    A 2ª Conferência Global sobre Trabalho Infantil, organizada pela ONU, contou com mais de 450 delegados representantes de 80 países. Estes assinaram o documento que caracteriza, entre outras definições, a efetiva abolição do trabalho infantil como uma “necessidade moral”.
     
  45. 2013
    3ª Conferência Global sobre o Trabalho Infantil
    Realizada no Brasil, o encontro reuniu mais de mil pessoas, entre líderes mundiais, representantes de organizações internacionais e não governamentais, além de especialistas e pessoas interessadas sobre o tema. O documento que selou o fim do evento, chamado “Declaração de Brasília”, deixou clara a necessidade de se “acelerar os esforços em todos os níveis para erradicar o trabalho infantil, em particular suas piores formas até 2016”.

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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

legislação de referência, e contextos da igualdade racial....



Legislação

Aqui, você encontra a legislação de referência, citada tanto nas páginas do livro, quanto nas seções do site.
Plano Nacional de Implementao da Lei 10.639/2003
a) Lei 10.639
b) Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana
c) Lei 9. 394 - LDB - Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.
d) Instrumentos nacionais sobre direitos da população negra
e) Instrumentos internacionais sobre direitos da população negra

Filmes

A negação do Brasil. Direção de Joel Zito Araújo. Rio de Janeiro: A Casa de Criação, 2000. 
As filhas do vento. Direção de Joel Zito Araújo. Rio de Janeiro: Márcio Curi, 2004. 
Atlântico negro. Na rota dos orixás. Direção de Renato Barbieri. Roteiro de Renato Barbieri e Victor Leonardi. Brasília: Pólo de Cinema e Vídeo, 1998. 
Cafundó. Direção e roteiro de Joel Yamaji. 1986. 
Campanha em defesa da liberdade de crença e contra a intolerância religiosa. Direção de Joel Zito Araújo. São Paulo: Ceert, 2004. 
Kirikou e a feiticeira. Direção de Michel Ocelot. Paris: Cymax Group, 1998. 
Meu tio matou um cara. Direção de Jorge Furtado. Porto Alegre: Casa de Cinema de Porto Alegre, 2005. 
O fio da memória. Direção de Eduardo Coutinho. Rio de Janeiro: Funarj, 1991. 
O homem que copiava. Direção de Jorge Furtado. Porto Alegre: Casa de Cinema de Porto Alegre, 2002. 
O rap do pequeno príncipe contra as almas sebosas. Direção de Paulo Caldas e Marcelo Luna. Rio de Janeiro: Raccord Produções artísticas e cinematográficas Ltda., 2000. 
Quanto vale ou é por quilo? Direção de Sérgio Bianchi. São Paulo: A Gravo Produções cinematográficas Ltda., 2003.  
Quase dois irmãos. Direção de Lúcia Murat. Rio de Janeiro: Taiga Filmes, 2005. 
Retrato em preto e branco. Direção de Joel Zito Araújo. São Paulo: Ceert, 1992. 
Vista a minha pele. Direção de Joel Zito Araújo. São Paulo: Casa de Criação/Ceert, 2004.


AGOSTINHO, Cristina; ROCHA, Rosa Margarida de Carvalho. Alfabeto negro. Belo Horizonte: Mazza, 2000.
BARBOSA, Lucia Maria de Assuno; GONALVES E SILVA, Petronilha Beatriz; SILVRIO, Valter (orgs.). De preto a afro-descendente: trajetos de pesquisa sobre relaes étnico-raciais no Brasil. São Carlos: Edufscar, 2003.
BENTO, Maria Aparecida Silva. Cidadania em preto e branco: discutindo as relaes raciais. São Paulo: tica, 1998.
BENTO, Maria Aparecida Silva; CARONE, Iray (orgs.). Psicologia social do racismo: estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil. Petrpolis: Vozes, 2003.
BENTO, Maria Aparecida Silva; SILVEIRA, Marly; CHINALLI, Myriam. Polticas de promoo da igualdade racial na educao: executando a definio de contedos e metodologias. São Paulo: Ceert, s.d.
CAVALLEIRO, Eliane (org.). Racismo e anti-racismo na educação: repensando nossa escola. 3a ed. São Paulo: Selo Negro, 2001.
______. Do silêncio do lar ao silncio escolar: racismo, preconceito e discriminao na educao infantil. 2a ed. São Paulo: Contexto, 2003.
DINIZ, Margareth; VASCONCELOS, Renata Nunes (orgs.). Pluralidade cultural e incluso na formação de professoras e professores: gênero, sexualidade, raça, educação especial, educação indígena, educação de jovens e adultos. Belo Horizonte: Formato, 2004, p. 187. (Srie Educador em Formação)
GOMES, Nilma Lino. A mulher negra que vi de perto. Belo Horizonte: Mazza, 1995.
______. Experincias étnico-culturais para a formação de professores. 2a ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
GOMES, Nilma Lino; MUNANGA, Kabengele. Para entender o negro no Brasil de hoje: história, realidades, problemas e caminhos. So Paulo: Global, 2004.
GONALVES, Luis Alberto Oliveira; GONALVES E SILVA, Petronilha Beatriz. O jogo das diferenças: o multiculturalismo e seus contextos. Belo Horizonte: Autêntica, 1998. 
KABENGELE, Munanga. Superando o racismo na escola. Braslia: Ministério da Educação/Secretaria de Educação Fundamental, 2001.
LIMA, Maria NazarMota de. Escola plural: a diversidade está na sala Formação de professoras em história e cultura afro-brasileira e africana.
São Paulo, Salvador: Cortez, Ceafro, Unicef, 2005.
PRMIO Educar para Igualdade Racial Trs edies. São Paulo: Ceert, s.d.
ROCHA, Rosa Margarida de Carvalho. Almanaque pedagógico afrobrasileiro. 2a ed. Belo Horizonte: Nzinga, Mazza, 2005.
SILVA JUNIOR, Hedio. Discriminação racial nas escolas: entre a lei e as práticas sociais. Unesco, PNUD, 2002. 
TRINDADE, Azoilda; SANTOS, Rafael. Multiculturalismo: as mil e uma faces da escola. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.



Literatura infanto-juvenil


AIB, Bernardo. A ovelha negra. São Paulo: Mercrio Jovem, 2002.
ALMEIDA, Gercilga de. Bruna e a galinha dangola. Rio de Janeiro: EDC, Pallas Editora, 2000.
BARBOSA, Rogrio Andrade. Bichos da frica (4 volumes). São Paulo: Melhoramentos, 1987.
______. Contos africanos para crianas brasileiras. São Paulo: Paulinas, 2004.
______. Contos ao redor da fogueira. Rio de Janeiro: Agir, 1990.
______. Filho do vento. So Paulo: DCL, 2003.
______. Histrias africanas para contar e recontar. 6a reimpr. São Paulo: Editora do Brasil, 2005.
BELO, Lia Zatz. Jogo duro: era uma vez uma histria de negros que passou em branco. Horizonte: Dimenso, 1996.
BORGES, Geruza Helena; MARQUES, Francisco. Criação. Belo Horizonte: Terra Editoria, 1999.
BRAZ, Jlio Emlio. Felicidade no tem cor. So Paulo: Moderna, 1994.
______. Lendas negras. São Paulo: FTD, 2001.
______. Pretinha, eu? So Paulo: tica, 2002.
______. Sikilume e outros contos africanos. Rio de Janeiro: Pallas, 2005.
COOKE, Trish. Tanto, tanto! São Paulo: Editora tica, 1994.
DIOUF, Sylviane A. As tranas de Bintou. São Paulo: Cosac & Naify, 2004.
GODOY, Clia. Ana e Ana. So Paulo: DCL, 2003.
KANTON, Ktia. Entre o rio e as nuvens: algumas histórias africanas. São Paulo: DCL, 1997.
KINDERSLEY, Barnabas; KINDERSLEY, Anabel. Crianas como voc. 9a impr. da 6a ed. So Paulo: tica, 2006.
LAMBLIN, Christian. Samira no quer ir escola. São Paulo: tica, 2000.
LESTER, Julius. Que mundo maravilhoso. São Paulo: Brinque-Book, 2000.
LUCINDA, Elisa. A menina transparente. Rio de Janeiro: Salamandra, 2000.
MARQUES, Francisco. IlAi: um dirio imaginrio. Belo Horizonte: Formato, 1994.
MARTINS, Georgina da Costa. Fica comigo. São Paulo: DCL, 2001.
MEDEIROS, ngela Shelf. Os sete novelos: um conto de Kwanzaa. São Paulo: Cosac & Naify, 2005.
PATERNO, Samira. A cor da vida. Belo Horizonte: Editora L, 1997.
PEREIRA, Edmilson de Almeida. Histórias trazidas por um cavalo-marinho.
São Paulo: Paulinas, 2005.
______. Reizinhos de Congo. São Paulo: Paulinas, 2004.
PIRES, Heloisa. Histrias da Preta. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1998.
______. O espelho dourado. São Paulo: Peirópolis, 2003.
PRANDI, Reginaldo. Os príncipes do destino: histrias da mitologia afrobrasileira. So Paulo: Cosac & Naify, 2001.
______. Xang, o trovo. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2003.
______. If, o adivinho. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2003.
______. Oxumar, o arco-íris. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2004.
RAMOS, Rossana; SANSON, Priscila. Na minha escola todo mundo é igual. São Paulo: Cortez, 2004.
RENN, Regina. Ninguém é igual a ninguém. São Paulo: Editora do Brasil, 1994.
ROCHA, Ruth. ...que eu vou para Angola. Rio de Janeiro: JosOlympio, 1988.
ROSA, Sônia. O menino Nito: afinal, homem chora ou no? 3a ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2006.
RUNFOR, James. Chuva de manga. São Paulo: Brinque-Book, 2005.
SANTOS, Deoscoredes M. dos. Contos negros da Bahia. (Mestre Didi).
Salvador: Corrupio, 2003.
SANTOS, Joel Rufino dos. Dudu calunga. São Paulo: tica, 1998.
(Coleo Curupira).
SANTOS, Joel Rufino dos. Gosto de frica. 4a ed. São Paulo: Global, 2005.
WILL, Eisner. Sundita: o leo do Mali Uma lenda africana. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
PINGUILLY, Yves. Contos e lendas da áfrica. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.


Sites

A Fundao Cultural Palmares promove, patrocina e apóia as iniciativas que têm como objetivo potencializar a participação econômica e política do negro brasileiro.
É uma organização não-governamental que produz conhecimento, desenvolve e executa projetos voltados para a promoção da igualdade de raça e de gênero. Faz diagnóstico, elabora e implementa programas de promoção da igualdade racial em sindicatos, escolas, empresas e órgãos públicos.

Ceafro
O Ceafro é um programa de educação e de profissionalização para a igualdade racial e de gênero do Ceao/UFBA, em desenvolvimento desde 1995. Tem como compromisso institucional enfrentar todas as formas de racismo e sexismo para promover a igualdade de oportunidades entre negros e nãonegros e entre mulheres e homens por meio de ações de educação e de profissionalização direcionadas à juventude negra, com foco na identidade racial e de gênero. 
Criada em abril de 1988, é uma organização política inspirada originalmente numa forma de sociedade secreta feminina, atualizada à luz das necessidades contemporâneas das mulheres negras.

Fala Preta
Organização fundada em abril de 1997, resulta de dez anos de experiência no trato das questões de sexualidade e de saúde reprodutiva com recorte étnico-racial e de gênero. Tem como meta fundamental a defesa dos direitos humanos e da cidadania da população negra. 
É um site que possui notícias, chats, links para bibliotecas, fóruns de discussão, envia novidades por e-mail aos cadastrados, agenda de eventos e serviço de “cupido virtual”. 
Conta com artigos e notícias, além de seções de cultura, ensaios e entrevistas, com enfoque na mídia anti-racista e pró-direitos humanos.

Revista Eparrei
A revista Eparrei, já com cinco anos de existência, é publicada semestralmente, nos meses de maio e novembro, discutindo a diversidade racial, a comunicação e a política.
Dá visibilidade a textos e a autores afro-brasileiros e fomenta pesquisas. O site traz notícias sobre lançamentos de livros e resenhas de autores afrobrasileiros.
Esse site traz artigos, notícias, entrevistas, sessão de artes, culinária, história e várias informações sobre o movimento negro brasileiro.

Projeto A Cor da Cultura
Apresenta textos, histórias, jogos e informações acerca da temática africana e afro-brasileira no que se refere à Lei no 10.639/2003.

Glossário

I. Verbertes/Categorias
              Africanidade:  Em sentido geral, pensar em africanidade nos remete ao sentido de reconhecimento tanto do lugar histórico, sociopolítico e lúdico-cultural, onde tudo se liga a tudo. Na prevalência da africanidade o universo é gerado na existência coletiva, prevalecendo o Ser Humano e o Espaço enquanto expressão da chamada força vital, imprescindível para evidenciar a construção de uma identidade negra postulada na construção de um mundo das tradições coletivas do amplo continente africano, presente e recriada no cotidiano dos grupos negros brasileiros.
              Afro-brasileiro: O termo designa tanto pessoas quanto coisas e a cultura oriunda dos descendentes de africanos no Brasil. Afro-brasileiro é hifenizado porque se trata de um adjetivo pátrio composto, isto é, um adjetivo formado de elementos designativos de duas ou três nacionalidades diferentes, ou seja, africano+brasileiro.
              Afrodescendente: Para os povos africanos e seus descendentes, a ancestralidade ocupa um lugar especial, tendo posição de destaque no conjunto de valores de mundo. Vincula-se à categoria de memória, ao contínuo civilizatório africano que chegou aos dias atuais irradiando energia mítica e sagrada. Integrantes do mundo invisível, os ancestrais orientam e sustentam os avanços coletivos da comunidade. A ancestralidade redefine a alegria de partilhar um espaço rodeado de práticas civilizatórias e o viver de nossos antepassados, conduzindo para um processo de mudanças e enriquecimento individual e coletivo em que o sentimento e a paixão estão sintonizados com o ser e o comportamento das pessoas (SOUZA, 2003). A ancestralidade remete aos mortos veneráveis, sejam os da família extensa, da aldeia, do quilombo, da cidade, do reino ou do império, e à reverência às forças cósmicas que governam o universo, a natureza.
              Auto-Estima: Sentimento e opinião que cada pessoa tem de si mesma. É na infância, no contato com o outro, que construímos ou não a nossa autoconfiança. As experiências do racismo e da discriminação racial determinam significativamente a auto-estima dos(as) adultos(as) negras e somente a reelaboração de uma nova consciência é capaz de mudar o processo cruel de uma sociedade desigual que não os(as) estimula e nem respeita. O processo psicológico é um dos aspectos mais importantes da auto-estima, pois conduz as relações interpessoais. As formas como nos relacionamos como o outro em muitas situações geram falsos valores. Então o caminho para construção da autoestima está calcado em uma sociedade mais justa e igualitária, no reconhecimento e valores de cada indivíduo como um ser essencial.
              Classificação racial: No Brasil os métodos do IBGE para classificar os grupos de cor/raça. Atualmente o Instituto classifica as pessoas como sendo brancas, pretas, pardas, amarelas e indígenas. Houveram na história dos recenseamentos várias mudanças. No censo de 1872 a população era classificada como sendo branca, preta, parda e caboclo ( aqui se incluía os indígenas) . No Censo de 1890 a cor parda foi substituída por mestiço . No Censo de 1940 temos novamente a classificação dos pardos, junto a dos brancos, pretos e amarelos. Os indígenas foram incluídos somente no censo de 1990. A classificação racial do IBGE meramente descritiva não encontra na contemporaneidade, legitimidade por parte das pessoas que tenta representar. Pretos e pardas não gostam de serem chamados por estes nomes. E, por outro, outras definições de identidades estão sendo adotadas pela sociedade e pelas pessoas. Este é um dos grandes debates que o Brasil enfrentará neste século segundo alguns especialistas em estudos demográficos.
              Continente Africano: Limita-se ao norte pelo Mar Mediterrâneo, ao oeste pelo Oceano Atlântico , ao leste pelo Oceano Indico, é constituído por 53 países e conta com uma população de aproximadamente 830 milhões de pessoas. Segundo Moore, “ A mais marcante das singularidades africanas é o fato de seus povos autóctones terem sido os progenitores de todas as populações humanas do planeta, o que faz do continente africano o berço único da espécie humana”, sendo portanto, a África denominada “ Berço da Humanidade”.
              Consulta: É uma ação que pretende ouvir dos atores participantes da implementação de uma política, sobre suas impressões, opiniões e sugestões.
              Cultura/Cultura Negra: Conceito central das humanidades e das ciências sociais e que corresponde a um terreno explícito de lutas políticas. Para Muniz Sodré, a demonstração de cultura está comprometida com a demonstração da singularidade do indivíduo ou do grupo no mundo: “A noção de cultura é indissociável da idéia de um campo normativo. Enquanto ela emergia, no Ocidente, surgiam também as regras do campo cultural, com suas sanções – positivas e negativas” (SODRÉ, 1988b). Podemos conceituar o termo cultura como estratégia central para a definição de identidades e de alteridade no mundo contemporâneo, um recurso para a afirmação da diferença e da exigência do seu reconhecimento e um campo de lutas e de contradições.
              Diretrizes Curriculares: As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro Brasileira tem como objetivo regulamentar a alteração proposta à Lei 9.934/96 trazida pela lei 10.639/03. As diretrizes orientam a formulação de projetos para a implementação da lei , bem como, para a valorização da história e cultura dos afro-brasileiros e dos africanos. As diretrizes foram instituídas pelo Conselho Nacional de Educação/CNE e teve por relatora a professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva que possui assento como membro representante da comunidade negra. As Diretrizes foram instituídas pela Resolução no 1, de 17 de junho de 2004 , do CNE.
              Discriminação racial:  Segundo Pinski, discriminação é o preconceito em ação. Para Bento essa é a diferença entre preconceito e discriminação racial. A Discriminação Racial implica na ação, no ato de discriminar.Enquanto que o racimo e o preconceito encontram-se no âmbito das doutrinas. No Brasil temos legislação que proíbe a discriminação racial, ou seja, o ato de alguém discriminar outro alguém por conta de suas características étnico-raciais.
              Diversidade: As educadoras Gomes & Silva nos indicam que “o trato da diversidade não pode ficar a critério da boa vontade ou da implantação de cada um. Ele deve ser uma competência político-pedagógica a ser adquirida pelos profissionais da educação culturais. Essa constatação indica que é necessário repensar a nossa escola e os processos de formação docente, rompendo com as práticas seletivas, fragmentadas, corporativistas, sexistas e racistas ainda existentes”. Nesse sentido, afirma Nilma Lino Gomes: “Assumir a diversidade cultural significa muito mais do que um elogio às diferenças. Representa não somente fazer uma reflexão mais densa sobre as particularidades dos grupos sociais, mas, também, implementar políticas públicas, alterar relações de poder, redefinir escolhas, tomar novos rumos e questionar a nossa visão de democracia”.
              Étnico/Etnia: Refere-se a diferentes grupos raciais ou nacionais que se identificam, ou são identificados por outros, em virtude de suas práticas, normas sistemas de crenças e/ou características biológicas em comum. Ao serem denominados grupos étnicos, são implicitamente identificados por estar em minoria e possuir atitudes e tradições consideradas diferentes pela sociedade. Segundo alguns autores, o etnocentrismo no plano intelectual é a dificuldade de pensar a diferença e que , no plano afetivo emocional mobiliza sentimentos de hostilidade, medo e estranheza.
              Estereótipo: É uma visão simplificada e carregada de valores sobre as atitudes de uma pessoa ou um grupo social. Estas visões podem estar baseadas em culturas sexistas, racistas ou preconceituosas e são altamente resistente à mudanças. O estereótipo segundo alguns estudos é mais marcante nos produtos da mídia de massa, na educação, no trabalho e nos esportes ( quando se pretende dirigir os indivíduos para as atividades considerados apropriados ao grupo estereotipado). O Estereótipo cristaliza lugares sociais para as pessoas que dele são vitimas porque não compreende a idéia de que estas pessoas possam fazer coisas para além do lugar imaginado. Na escola, indivíduos de determinados grupos são considerados inteligentes e outros , de outros grupos não recebem a mesmo conceito. Quando um aluno do grupo estereótipo apresenta desempenho fora do esperado é considerado exceção da regra. Algumas frases colhidas em pesquisas nas escolas exemplificam formas de estereótipos : “ Ele é negro mas é esforçado” ; “ Ela é pobre mas é esperta”, “ Ele é pretinho mas é educado”, “ Ele é da família Silva? Ah! Então não tem jeito”. . O Estereótipo como bem lembra Bento, “ É algo que funciona como um carimbo, a partir do que a pessoa é vista sempre através de uma marca, pouco importando como realmente ela seja”.
              Etnocentrismo: Tendência de descrever e julgar os sistemas de valores e práticas dominantes de outras culturas a partir do próprio ponto de vista. Designa o sentimento de superioridade que uma cultura tem em relação a outras. Tal atitude tem conexões com a esteriotipação dos outros e pode ser uma característica do racismo e do preconceito.
              Eurocentrismo: Euro (de Europa ) e centrismo ( de centro/centralidade) é a tendência de descrever e organizar os sistemas tendo como modelo focal a sociedade e os valores civilizatórios europeus. É uma visão de mundo que tende a colocar a Europa (cultura, povo e a língua) como o elemento fundamental na constituição da sociedade moderna ou, como pretendem alguns, da sociedade civilizada.
              Griô: Segundo o historiador africano Hampaté Bâ, há várias categorias de griots (palavra francesa para aqueles que chamamos de dieli, em bambara, língua da África Ocidental): narradores orais, músicos e/ou cantores. Os griots não são os únicos tradicionalistas, mas podem tornar-se, se for a sua vocação: “É fácil ver como os griots genealogistas, especializados em histórias de famílias, geralmente dotados de memória prodigiosa, tornaram-se naturalmente, por assim dizer, os arquivistas da sociedade africana e, ocasionalmente, grandes historiadores, mas é importante lembrarmos que eles não são os único a possuir tal conhecimento. Os griots historiadores, a rigor, podem ser chamados de “tradicionalistas”, mas com a ressalva de que se trata de um ramo puramente histórico da tradição a qual possui muitos outros ramos”.
              História: A história não pode ser realizada e compreendida de várias formas: escrita, oral, quantitativa, econômica, cultural, social. A concepção de história vem sendo ampliada e relativizada com a história dos grupos socialmente subalternos e discriminados que já foram considerados “povos sem história”. Como área do conhecimento tem teorias e métodos próprios. Profissionais desse campo têm se voltado para a história da África e da população negra na diáspora.
              História da África: História das sociedades africanas, escrita e/ou narrada por africanos (as), afrodescendentes e pesquisadores/as de outros grupos étnico-raciais que apresentam a África em suas diversas conexões espaço-temporais, sem se limitar ao período do capitalismo mundial mercantilista e à escravidão moderna (séculos XVI a XIX). A história da África pode ser igualmente relacionada ao pan-africanismo, à negritude, ao movimento de descolonização e independência dos países africanos, ao racismo em escala mundial e às sociedades africanas contemporâneas.
              Identidade Negra: Segundo Gomes, a identidade negra deve ser identidade como uma construção social, história, cultural e plural, implicando a construção do olhar de um grupo étnico/racial sobre si mesmos a partir da relação com o outro. Ressalta a autora que identidade não é algo inato, portanto, relaciona-se também com os níveis sóciopolítico e histórico em cada sociedade. Construir uma identidade negra positiva é um desafio visto que ao negro foi ensinado desde cedo a negar seus pertencimentos.
              Lei 10.639/03- A lei 10.639/03 foi sancionada pelo Presidente da República em janeiro de 2003.Como um projeto de lei , tramitou na Câmara de deputados proposto pelos deputados Bem Hur (do Mato Grosso do Sul) e Esther Grossi (do Rio Grande do Sul). Com a mesma inspiração, anteriormente, várias leis foram sancionadas pelas Câmaras Municipais e pelas Assembléias Legislativas de vários estados tratando da inclusão de conteúdos de matriz africana nos currículos das escolas.
              Memória: A memória individual ou coletiva é sempre uma memória social e, por isso, é seletiva, composta de rememorações e esquecimentos e se apóia em elemento da vida de uma pessoa ou do(s) grupo(s) de memórias “subterrâneas” que devem ser registradas com procedimentos adequados. No caso da trajetória da população negra, marcada pela oralidade e por poucos registros escritos, a memória coletiva é fundamental para a continuidade das coletividades tanto rurais quanto urbanas.
              Mito: Segundo Marilena Chauí, “mito deve ser compreendido no seu aspecto etimológico da palavra grega mythos, isto é, uma narração pública de feitos lendários, mas também no sentido antropológico, no qual essa narrativa é a solução imaginária para tensões, conflitos e contradições que não encontram caminhos para serem resolvidos no nível da realidade”. No universo da africanidade, a mitologia está fundamentada nos fatos e acontecimentos narrados pelos humanos e/ou pelos deuses. A necessidade de fortalecer os povos, seus deuses ou heróis possibilitou a construção e a narrativa de diferentes histórias, inseridas no contexto sociopolítico, trazendo sempre uma lição de ética e/ou moral em que cada nação ressignifica suas relações sociais entre o cosmo, as pessoas e as razões dos acontecimentos naturais e/ou sobrenaturais.
              Multiculturalismo: Coexistência de várias culturas no mesmo espaço, no mesmo país, na mesma cidade, na mesma escola. Para Gonçalves e Silva, “embora o multiculturalismo tenha se transformado, com apoio da mídia e das redes informais, em um fenômeno globalizado, ele teve início em países nos quais a diversidade cultural é vista como um problema para a construção da identidade nacional. (...) Em suma, o multiculturalismo, desde sua origem, aparece como princípio ético que tem orientado a ação de grupos culturalmente dominados, aos quais foi negado o direito o direito de preservar suas características culturais”. Ainda que da perspectiva do multiculturalismo seja apresentada uma visão relativista dos valores, Capelo pondera que “o multiculturalismo não pode abrir mão da igualdade de direito e das necessidades compensatórias, caso contrário terá contribuído para excluir, para separar, para fragmentar, permitindo que a dominação sobre a minoria seja ainda mais eficiente”.
              Oralidade: Plano de transmissão dos saberes em várias sociedades, aparentemente posto em segundo plano na modernidade. Além disso, considera-se que a oralidade é o meio de transmissão de conhecimento de grupos e coletividades tradicionais, em particular, aquelas que não registram seus fenômenos através da escrita. No entanto, a expressão oral pode ocorrer vinculada a expressões visuais e corporais, artísticas e musicais, e, inclusive, escritas. A palavra, a fala, são primordiais na expressão oral como portadoras do conhecimento do grupo social em questão: “O ouvir, juntamente com o olhar e sentir, é necessário para apreender, distinguir, entender fatos de que se é testemunha, palavras que se ouvem, situações nas quais se é envolvido ou nas quais a pessoa se envolve. (...) O falar é a síntese do que se ouviu, presenciou, concluiu, e expressa tanto por palavras, como por gestos, muitas vezes apenas por gestos, decisão, encaminhamentos, formas de agir”.
              Pluralismo: Esse termo se refere às relações sociais em que grupos distintos em vários aspectos compartilham outros tantos aspectos de uma cultura e um conjunto de instituições comuns. Cada grupo preserva as suas próprias origens étnicas ao perpetuar culturas específicas (ou “subculturas”) na forma de igrejas, negócios, clubes, mídia. Existem dois tipos básicos de pluralismo: o cultural e o estrutural. O pluralismo cultural ocorre quando os grupos têm reconhecidos e respeitados sua própria religião, suas visões de mundo, seus costumes, suas atitudes e seus estilos de vida em geral, e compartilham outros com grupos diferentes. O pluralismo estrutural ocorre quando os grupos têm suas próprias estruturas e instituições sociais enquanto compartilham outras. O pluralismo, como ferramenta analítica pretende explicar como grupos diferentes, com diferentes “bagagens culturais”, e talvez interesses distintos, podem viver juntos sem que a sua diversidade se torne motivo de conflito.
              Políticas Públicas – Nas ciências políticas é o estudo das ações das instituições e autoridades públicas no seio da sociedade analisando o que fazem os governos, através de que meios para se chegar a quais resultados. Para alguns é “o Estado em ação”.
              Preconceito: Pre-condição de um ato de interpretação e consiste num conjunto de pressuposições. É uma atitude negativa em relação a algum grupo social específico. Assim como o racismo, o preconceito é analisado em sua relação com os sistemas de representação (como as imagens das coisas e das pessoas são apresentadas) e com as questões de poder.
              Preconceito racial: É , segundo Bento, um conceito negativo de uma pessoa ou de um grupo sobre outra ou um grupo diferente. O Preconceito racial é dirigido a aqueles grupos considerados inferiores e não merecedores de ações , políticas e direitos iguais aos outros, tais como : ter acesso a uma escola de boa qualidade; ter um bom emprego e cargos de chefia; ter uma boa moradia, etc.
              Raça: Um modo de classificação das pessoas que os distingue com base nas propriedades físicas que derivam de herança genética. Estudos contemporâneos questionam essa modalidade classificação centrada na biologia e com forte elementos racistas e com a influência das relações políticas e de poder. A idéia de uma raça superior inspirou que um ramo da genética aplicada elaborasse os pressupostos Eugenia, ou seja, “ criar uma super-raça humana pelo cruzamento seletivo e pela eliminação do desajustado” . No Brasil a eugenia foi fortemente defendida por governos até os anos 40 e foi implementada como uma ação pedagógica escolar. É de inspiração Eugênica a idéia do branqueamento da população brasileira e o discurso de inferioridade racial imputado aos indígenas e aos negros.
              Racismo: Doutrina que defende a superioridade de certas raças e/ou grupos étnicos. É também o ato do indivíduo adepto da teoria racista. Modo hierárquico de classificação dos seres humanos que os distingue com base nas propriedades físicas. Segundo a psicologia, o racismo é capaz de gerar patologias nas pessoas discriminadas tais como depressão, perda de auto-estima e sentimento de inferioridade. No processo escolar, as seqüelas do racismo manifestam-se na evasão do aluno discriminado, em seu atraso escolar manifesta e na “dificuldade” de aprendizagem.
              Racismo Institucional: Segundo o Programa de combate ao racismo institucional do Nordeste/PNUD : “Pode ser detectado e percebido em processos, atitudes ou comportamentos que denotam discriminação resultante de preconceitos que colocam minorias étnicas em desvantagem e,determina a inércia das instituições e organizações frente às evidencias das desigualdades raciais.”.
              Reconhecimento: Os caminhos para o pluralismo centram-se nas lutas pelo reconhecimento e pelo direito à diferença dos povos negros, indígenas, dos movimentos feministas, dos movimentos da diversidade sexual, dos movimentos dos direitos humanos, em geral. A busca pelo reconhecimento é individual e social e o reconhecimento deve ser praticado pelos indivíduos e pelas instituições.
              Relações étnico-raciais: Para a Silva, o sucesso das políticas de promoção da igualdade racial no Brasil depende das reeducação das relações entre negro e brancos pela autora denominada “ relações étnico –raciais” . Ainda segundo a autora, a negação das relações tensas forjadas pela centralidade do conceito biológico de raça, muitas vezes simularam pela idéia da democracia racial uma estrutura harmoniosa da sociedade brasileira. A educação das relações étnicos –raciais impõe aprendizagens entre brancos e negros, trocas de conhecimentos, quebra de desconfianças e elaboração de projetos conjuntos para a construção de uma sociedade justa e igual. Para tanto não cabe o improviso. A escola e os professores precisam desfazer a mentalidade racista e discriminadora secular, superando o etnocentrismo europeu.
              Segregação Racial: Separação forçada e explícita, com base na lei ou no comportamento social de grupos étnicos e raciais considerados como minoritários ou inferiores. Como nos indica Hélio Santos: “A segregação institucional, tipo apartheid, felizmente, nos dias atuais está em desuso. Há setores da sociedade brasileira tão fechados para algumas pessoas que poderíamos dizer que há uma segregação, não oficial, mas que funciona”.
              Território/Territorialidade: Para entendermos o conceito de territorialidade em África, é necessário verificarmos a complexidade do imaginário africano tradicional. Antes, é preciso entender que tradicional, nesse caso, não é igual a velho, estático e sem evolução. A territorialidade se dá através da força vital, da energia concentrada em tal espaço, sem fronteiras rígidas. A territorialidade pode ser percebida como espaço de práticas culturais nas quais se criam mecanismos identitários de representação a partir da memória coletiva, das suas singularidades culturais e paisagens. A territorialidade seria assim resultante de uma unidade construída, em detrimento das diferenças internas, porém evocando sempre a distinção em relação às outras territorialidades. Sodré afirma que “o território como patrimônio simbólico não dá lugar à abstração fetichista da mercadoria nem à imposição poderosa de um valor humano universal, porque aponta o tempo inteiro para a abolição ecológica da separação (sofística) entre natureza e cultura, para a simplicidade das condutas e dos estilos de vida e para a alegria concreta do tempo presente”.
              Vinte (20) de novembro/ Dia Nacional da Consciência Negra - Instituído em 1978, o dia da Consciência Negra é celebrado no dia do assassinato de Zumbi dos Palmares, em 20 de novembro ( 1695). A data relembra a resistência do negro contra o racismo – na memória dos quilombolas - e reflete sobre sua inserção na sociedade brasileira. Com a lei 10.639/03 ( art. 79b) a data passa a ser obrigatória no calendário escolar.
              Xenofobia: Aversão, medo injustificado a pessoa e coisas estrangeiras; ódio ao estrangeiro. O termo xenofobia também é considerado a condição psicológica para descrever pessoas que temem ou abominam grupos tidos como estrangeiros. Historicamente, o Brasil viu com reservas a presença de alguns imigrantes internacionais. No final do período imperial, não se admitia a presença de imigrantes africanos e asiáticos. Na época do nacionalismo do Estado Novo praticou-se o racismo e a xenofobia aberta ante a diversas nacionalidades, com a justificativa de que certas nacionalidades poderiam ser mais bem “assimiladas” pela sociedade brasileira e outras não, por meio de uma legislação excludente, revestindo-se também de roupagem tipicamente autoritária das circulares e ordens secretas e acompanhada de um clima xenófobo.
II. Referencias Bibliográficas
Barcellos, Daisy M. Etnografia, Educação e relações raciais. Porto Alegre/ UFRS Mimeo 8 Brasil. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução no 1.2004
Bento, Maria Aparecida S. Cidadania em Preto e Branco: Discutindo as relações raciais.São Paulo: Editora Atica, 1998.
Edgar, Andrew & Sedgwick, Peter. Teoria Cultural de A a Z. Conceitos – Chave para entender o mundo contemporâneo. São Paulo: Contexto, 2003.
Gomes, Nilma Lino. Alguns termos e conceitos presentes no debate sobre relações raciais no Brasil: uma breve discussão. In, Educação anti-racista: caminhos abertos pela lei 10.639/03. Brasília. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. MEC, 2005, p 39-62.
Pinski, Jaime (org) . 12 faces do preconceito. São Paulo:Editora Contexto. 1999.
Silvério, Valter. Ação Afirmativa e combate do Racismo Institucional. Palestra proferida no lançamento do III Concurso Raça Negra e Educação. São Paulo, 2003. (acessar www. acaoeducativa.org.br)
Rocha, Everardo P;G. O que é Etnocentrismo. São Paulo, 1999. Coleção Primeiros Passos

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

OUTRO OLHAR -- Saúde da População Negra

Promoção da equidade na atenção a saúde (Parte 1)

Seppir orienta ações de prevenção e combate a casos de racismo nos estádios

O Ministério Público instaurou um procedimento de investigação para apurar a conduta da diretora da Escola Municipal Francisco Campos, no Grajaú

O Ministério Público instaurou um procedimento de investigação para apurar a conduta da diretora da Escola Municipal Francisco Campos, no Grajaú, que, na semana passada, teria barrado a entrada de um aluno de 12 anos por usar guias do candomblé. De acordo com a Coordenadoria de Direitos Humanos do MP, a diretora será convocada a prestar esclarecimentos sobre o caso e poderá responder criminalmente pelo episódio. Nesta quarta-feira, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, esteve com o estudante e sua mãe, acompanhada do advogado Gilliard César Dias, para um pedido formal de desculpas.

No pedido de investigação, o procurador de Justiça da Coordenadoria de Direitos Humanos do MP, Márcio Mothé, citou cinco leis que defendem a prática religiosa, as que a diretora poderia ter infringido. Ele também ressaltou o Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê crime a quem submete a criança ou adolescente a situações de vexame ou constrangimento. "Tão logo tomamos conhecimento do fato, instauramos o procedimento. Queremos ouvir a direção da escola para tomarmos outras providências. É lamentável que em pleno terceiro milênio ainda exista esse tipo de intolerância religiosa", explicou Mothé, que encaminhou o processo para a 1ª Central de Inquéritos do órgão. Após a notificação, a diretora terá até dez dias para prestar esclarecimentos ao MP. Segundo o procurador, crimes de intolerância são passivos de pena de detenção de seis meses a dois anos.

Mesmo após o encontro com Paes, a mãe do aluno, Rita de Cássia Araújo, segue firme na decisão em processar a diretora da unidade e o município. "Desculpas não apagam a humilhação que meu filho sofreu. Vou até o fim com essa história para que isso não aconteça com outras crianças", desabafou Rita. A comissão de Combate à Intolerância Religiosa da OAB/RJ, garantiu que dará todo apoio à família do menino para a entrada de uma ação indenizatória contra a Prefeitura. "Vamos chamar o menino, a mãe e o advogado deles para discutir isso. Também vamos requerer à Prefeitura informações sobre a sindicância instaurada para apurar o comportamento da diretora. Queremos acompanhar tudo de perto", declarou a presidente da comissão, Vanuce Candez Freire Barros. A advogada ressaltou a importância da denúncia em casos de intolerância religiosa.

"Muitas pessoas deixam de denunciar pelo medo de se expor, para não sofrer represálias. É uma situação muito delicada, mas é só por meio desses relatos que a Justiça pode agir", apontou Vanuce que, três anos à frente da comissão, já presenciou inúmeros casos de preconceito religioso. "As histórias são terríveis. Temos casos de babalaôs (sacerdote do candomblé), que são assassinados em decorrência de perseguição", completou a advogada. Além da OAB, o MP também dispõe de ouvidoria voltada para casos de intolerância

 
MARCELO DIAS 
Presidente da Comissão de Igualdade Racial - CIR/OAB-RJ 

[EXCLUSIVO] Eleições: propostas genéricas para os professores | Jornal 2...

Mãe de aluno impedido de entrar em escola com guias de candomblé vai processar a prefeitura Decisão foi tomada mesmo após pedido de desculpa feito pelo prefeito Eduardo Paes




Reunião de Eduardo Paes com menino que foi impedido de entrar em colégio com guias de Candomblé ...
IO - O advogado Gilliard Cesar Dias - que representa a família do menino
 de 12 anos que foi barrado pela diretora da Escola Municipal Francisco
Campos, no Grajaú, Zona Norte, por usar guias de candomblé - disse,
 nesta quarta-feira, que vai processar a prefeitura do Rio, alegando que a
 criança passou por constrangimento. A mãe do estudante, que, mais cedo, tinha sido recebida pelo próprio prefeito, afirmou que o pedido de desculpas feito por Eduardo Paes
durante o encontro não diminuía a dor do garoto.
- Além da retratação feita pelo prefeito, não houve nenhuma proposta
 quanto à elaboração de um acordo extrajudicial. Por isso, iremos, sim,
 acionar a Justiça para obter uma indenização que seja proporcional ao
constrangimento sofrido pelo meu cliente - disse o advogado.
Acompanhado da secretária municipal de Educação Helena Bomeny,
o prefeito se reuniu com o menino e a mãe dele, Rita de Cássia Araújo,
na manhã desta quarta-feira. O advogado também participou do encontro. Logo após deixar a reunião, Paes considerou o caso um fato isolado, dizendo que a secretaria de Educação
 não tolera qualquer tipo de discriminação, seja homoafetiva, religiosa ou
 de qualquer outro tipo na rede pública de ensino.
- Fiz questão de pedir pessoalmente desculpas ao jovem e à sua mãe.
 Ressaltei que foi um caso absolutamente isolado. Nunca tivemos um
 problema com essa escola. Considero que foi um lapso, e que não irá se
repetir em nenhuma outra unidade de ensino - disse o prefeito. - Todos os
nossos alunos podem e devem, quando for da sua vontade, manifestar seu
 apreço cultural e religioso. Seja usando acessórios, como as guias do
 candomblé, ou broches. Nada disso pode ser proibido - completou.
Uma sindicância interna foi aberta para investigar o caso. O resultado da
 investigação deve ficar pronto em até 45 dias. A Secretaria municipal de
 Educação prometeu tomar as medidas cabíveis ao fim do processo. O
 prefeito Eduardo Paes não quis comentar que tipo de punição a diretora
da escola poderá sofrer. Ele disse que prefere aguardar o resultado da
 sindicância.
O menino foi impedido pela direção da escola de frequentar a unidade
usando guias de candomblé e bermuda branca há duas semanas. Na
 semana passada, após ser impedido mais uma vez de entrar na instituição
, ele acabou sendo transferido para outro colégio, também no Grajaú. Na
próxima terça-feira, às 11h, o núcleo de candomblé frequentado pelo
 estudante promete fazer uma grande manifestação na porta da Escola
 Municipal Francisco Campos.

- O Globo / Alessandro Lo Bianco

Meu povo, a luta é minha, mas a vitória é nossa! Pelo respeito a Tradição, Religiosidade e Cultura Afro Brasileira. — com Iyálorisà Edelzuíta.

A partir do dia primeiro de Setembro, quase mil e novecentas pessoas acessaram através das Redes Sociais a carta aberta que publiquei para a candidata à presidência da República Marina Silva em resposta a sua afirmativa que Candomblé é uma seita e não uma religião. Como vocês puderam observar expliquei com carinho e respeito o que é Orixá, a religião do Candomblé - que é milenar e por tanto, tem que ser respeitada em todas as suas formas. Porém hoje, fui surpreendida como uma notícia em primeira página de um jornal que ''Escola barra aluno por usar guias de Candomblé.'' Surpreendida não! Pois com 80 anos de idade e 70 anos de cargo de Iyalorixá e 72 anos de serviços prestados a comunidade de terreiro, nada mais me surpreende. Agora virou mania atacarem as religiões de Matrizes Africanas, será porque, em hein? Já não basta vermos trucidades acontecendo mundo afora, as chamadas guerras santas e sangrentas, tudo em nome de um Deus que não quer paz e sim discórdia? Será que querem criar um estado fundamentalista em nosso país? Nossa religião, graças à Olorún, prega a PAZ, a UNIÃO DOS POVOS E O RESPEITO AO PRÓXIMO. Nossos Deuses, os Orixás são a forma viva dos quatro elementos básicos da natureza. Nossos ancestrais cultuaram a duras penas sua fé e deixaram seu legado para seus descendentes com muito amor e carinho. Não podemos deixar que minorias que só pensam em poder, ganância e competição, depredrem terreiros, humilhando nossa gente; Principalmente nossas crianças iniciadas no Candomblé; pois elas são o futuro de nossa religião. A Constituição Brasileira determina que o Estado seja LAÍCO e não ATEU. As proibições polêmicas no mundo, como por exemplo na França; tem uma lei que entrou em vigor em 2011 - Que vetou o uso dos véus e burcas. O governo alegou entre outros motivos, medida de segurança para evitar que terroristas usem as vestimentas para não serem identificados. E aqui no Brasil com essas ondas de ataques a religião de Matrizes Africanas, quais são as justificativas???

Os Padres e Madres usam seus hábitos normalmente, os Protestantes carregam suas bíblias em baixo do braço para cima e para baixo, Rabinos Ortodoxos exibem seus trajes de ''chapéus'' e assim por diante; E nós não podemos usar nossos fios de conta coloridos e tão bonitos???

Não podemos deixar que a INTOLERÂNCIA suplante as religiões que acreditam num Deus maior. E no nosso caso, nosso Deus é vivo. Temos que lutar para que o próximo governante do nosso País, respeite a fé de cada um e exija do Legislativo e principalmente do Judiciário, a efetividade da aplicação da Lei mais dura à Intolerância Religiosa. Pois a Lei já existe, mas é preciso aplica - lá de forma concreta para que as pessoas que cometem esses CRIMES HEDIONDOS possam responder por seus atos. Irmãos de fé MOSTREM SUAS CARAS!!! COLOQUEM SEU BOM OJÁ NA CABEÇA, SEUS RELUZENTES FIOS DE CONTA E VAMOS NOS FAZER RESPEITAR. E quando o censo do IBGE chegar em suas casas para entrevista - los digam com MUITO ORGULHO: ''SOU ESPÍRITA, UMBANDISTA, ESPIRITUALISTA, CANDOMBLECISTA''. Assim, tenham certeza, o número nas pesquisas irão aumentar consideravelmente. E por que não? Vamos engrossar as fileiras e as bancadas no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas e em todos os Fóruns. Vamos lutar por igualdade de DIREITOS, SAÚDE E EDUCAÇÃO.

Mãe Edelzuíta 1214 para Deputada Federal.

Meu povo, a luta é minha, mas a vitória é nossa! Pelo respeito a Tradição, Religiosidade e Cultura Afro Brasileira.
 — com Iyálorisà Edelzuíta.

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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Aluno barrado por usar guias de candomblé muda de escola...

Aluno barrado por usar guias de candomblé muda de escola

Mãe diz que menino foi proibido de frequentar as aulas pela diretora da unidade

ATHOS MOURA E VANIA CUNHA
Rio - Um aluno da Rede Municipal de Ensino teve que trocar de escola depois de ter sido, segundo sua família, impedido de frequentar as aulas por usar guias de candomblé sob o uniforme. X., de 12 anos, adotou a religião há cerca de dois meses. Como parte de sua iniciação, tinha que usar as guias durante três meses. Mas, segundo sua família, a diretora teria proibido o menino de entrar na unidade.
X. já não ia à Escola Municipal Francisco Campos, no Grajaú, há mais de um mês. Isto ocorria, segundo afirma a mãe dele, Rita de Cássia, porque a diretora havia avisado que não permitiria a presença dele usando guias ou quaisquer outros trajes característicos do candomblé.
No dia 25 de agosto, o menino tentou voltar a frequentar as aulas, mas teria sido impedido, segundo a família. Com as guias por baixo da camisa do uniforme, além de bermuda e boné brancos, ele teria sido proibido de entrar na escola pela diretora. A alegação dela, segundo a família, foi de que X. estava usando roupas fora do padrão adequado.

O estudante, de 12 anos, tem que usar a guia de candomblé como parte de sua iniciação religiosa. Ele teve que deixar de ir às aulas durante um mês, segundo contou sua mãe
Foto:  José Pedro Monteiro / Agência O Dia

A mãe do estudante disse que tinha conhecimento apenas de que o uso da camisa com o logotipo da prefeitura seria obrigatório. Segundo Rita de Cássia, outros alunos usavam boné, bermudas e calças de outras cores, além de tênis coloridos no dia em que o filho foi barrado: “A diretora colocou a mão no peito do meu filho e disse que ele não entraria com as guias, que estavam por baixo da camisa”. 
A diretora foi procurada pela reportagem, mas na escola informaram que o contato teria que ser feito com a Secretaria Municipal de Educação. A pasta limitou-se a explicar que a diretora, cujo nome não foi informado, alegou que houve um “mal entendido”.
Para o cientista social Paulo Jorge Ribeiro, da Uerj, a atitude seria válida se símbolos de outras religiões também fossem proibidos. “A grande questão não é se a escola permite ou não o uso de guias de candomblé, mas como a sociedade vai criar mecanismos para que todos os símbolos religiosos sejam expressos de forma igualitária”, disse o professor.
Para o pastor Marcos Gladstone, fundador da Igreja Cristã Contemporânea, a proibição pode ter sido motivada por regras da escola, como as que restringem o uso de acessórios: “Se for assim não vejo problema. Mas se foi por motivo religiosos, acredito que a escola deve ser laica e respeitar o credo de cada um”.
O Padre Lincoln Gonçalves, da Igreja de São Cosme e São Damião, no Andaraí, diz que o Estado laico tem a missão de preservar a fé. “A atitude que se vê nesse caso é muito mais de um Estado intolerante e ateu, que quer coibir os símbolos da fé. A Constituição determina que o Estado seja laico, e não ateu”.
Choro e constrangimento
Na tarde desta segunda-feira, o menino começou a frequentar outra escola municipal no Grajaú, sem ser incomodado por causa de suas guias e bermuda branca. A mãe dele afirma que X. ficou envergonhado e não quis mais estudar na antiga escola: ele se sentiu “julgado” pelos colegas e responsáveis que estavam no portão da escola quando foi proibido de entrar.
Segundo a mãe, X. chegou a ficar três dias com febre e chorou copiosamente. O pai de santo Rafael Aguiar contou que após ser iniciado no candomblé, a pessoa, além de não poder pegar sol, precisa usar roupas claras, tapar a cabeça e usar as guias por um período de três meses: “A religião tem o seu simbolismo e suas tradições, que precisam ser respeitadas”.

Burca e véu são proibidos em escolas da França por vários motivos
Foto:  Reuters

Proibições polêmicas pelo mundo
Na França, véus e burcas causam polêmica desde que uma lei — decretada em 2010 mas que só entrou em vigor em abril de 2011 — vetou o uso dessas peças em espaços públicos e na rua. Em caso de desobediência, a pessoa pode ser multada em até 150 euros. Muita gente foi contra, considerando que o decreto estigmatizava as pessoas. 
Para defender a lei, o governo alegou a preservação da liberdade e do direito da mulher, a manutenção do Estado Laico e medida de segurança, para evitar que terroristas usem as vestimentas para não serem identificados. Em julho, a Corte Europeia de Direitos Humanos decidiu que o decreto francês é válido. Antes da decisão francesa, as vestimentas foram motivo de divergências no mundo.
Em 2004, a jovem muçulmana Cennet Doganay, à época com 15 anos, raspou a cabeça em sinal de protesto por ter sido impedida de frequentar as aulas na França de véu. Ela tirou a peça, mas cortou os cabelos. Já no Brasil, outra jovem muçulmana teve problemas para renovar a carteira de motorista porque compareceu à prova teórica usando o véu. Ela registrou o caso na delegacia.



Colaboraram Gustavo Ribeiro e Maria Luísa Barros

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(http://comperve.ufrn.br/conteudo/graduacao/licenc_ciencias_sociais_201402/documentos/Edital_20140901.pdf),

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