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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Jovem negro corre 3,7 vezes mais risco de assassinato do que branco


outubro 17, 2013 18:57
Jovem negro corre 3,7 vezes mais risco de assassinato do que branco
De acordo com estudo do Ipea, “ser negro corresponde a [fazer parte de] uma população de risco:
 a cada três assassinatos, dois são de negros”
Por Jorge Wamburg, da Agência Brasil
Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil, divulgado hoje 
(17), revela que a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior do que a 
de um branco. Segundo o estudo, existe racismo institucional no país, expresso principalmente nas ações da
 polícia, mas que reflete “o desvio comportamental presente em diversos outros grupos, inclusive aqueles de
 origem dos seus membros”.
Intitulado Segurança Pública e Racismo Institucional, o estudo faz parte do Boletim de Análise Político-
Institucional do Ipea e foi elaborado por pesquisadores da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado das
 Instituições e da Democracia (Diest). “Ser negro corresponde a [fazer parte de] uma população de risco: 
a cada três assassinatos, dois são de negros”, afirmam os pesquisadores Almir Oliveira Júnior e Verônica Couto de Araújo Lima, autores do estudo.
Na apresentação do trabalho, em entrevista coletiva na sede do Ipea em Brasília, o diretor da Diest, Daniel 
Cerqueira, que, do Rio, participou do evento por meio de videoconferência, apresentou outros dados que 
ratificam as conclusões da pesquisa sobre o racismo institucional. Segundo ele, mais de 60 mil pessoas
 são assassinadas a cada ano no Brasil, e “há um forte viés de cor/raça nessas mortes”, pois “o negro é 
discriminado duas vezes: pela condição social e pela cor da pele”. Por isso, questionou Cerqueira, 
“como falar em preservação dos direitos fundamentais e democracia” diante desta situação?
“O negro é discriminado duas vezes: pela condição social e pela cor da pele”, diz Daniel Cerqueira (Wilson Dias/ABr)
Para comprovar as afirmações, 
Cerqueira apresentou estatística 
demonstrando que as maiores vítimas
 de homicídios no Brasil são homens
 jovens e negros, “numa proporção 
135% maior do que os não negros:
 enquanto a taxa de homicídios de 
negros é de 36,5 por 100 mil 
habitantes. No caso de brancos,
 a relação é de 15,5 por 100 mil habitantes”.
A cor negra ou parda faz aumentar em cerca de 8 pontos percentuais a probabilidade de um indivíduo ser 
vítima de homicídio, indicam os dados apresentados pelo diretor do Diest. Isso tem como consequência,
 segundo Daniel Cerqueira, uma perda de expectativa de vida devido à violência letal 114% maior para negros,
 em relação aos homicídios: “Enquanto o homem negro perde 1,73 ano de expectativa de vida (20 meses e 
meio) ao nascer, a perda do branco é de 0,71 ano, o que equivale a oito meses e meio.”
Para o pesquisador Almir de Oliveira Júnior, como dever constitucional, o Estado deveria fornecer aos
 cidadãos, independentemente de sexo, idade, classe social ou raça, uma ampla estrutura de proteção 
contra a possibilidade de virem a se tornar vítimas de violência. “Contudo, a segurança pública é uma das 
esferas da ação estatal em que a seletividade racial se torna mais patente”, disse Oliveira Júnior.
De acordo com as estatísticas sobre a violência em que o estudo se baseou, esse é um dos fatores que 
explicam por que, a cada ano, “uma maior proporção de jovens negros, cada vez mais jovens, é assassinada”
 acrescentou o pesquisador. Segundo ele, enquanto nos anos 80 do século passado, a média de idade das
 vítimas era 26 anos, hoje não passa de 20.

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