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domingo, 28 de julho de 2013

BRASIL Religiões africanas são principal alvo da intolerância religiosa no Brasil...

BRASIL

Religiões africanas são principal alvo da intolerância religiosa no Brasil

Preconceito contra confissões como o Candomblé e a Umbanda se manifesta em depredamentos de casas, espancamentos de pessoas e até assassinatos. Especialista vê ainda lógica de mercado na briga entre as religiões.
O número de denúncias referentes à intolerância religiosa no Brasil, feitas pelo Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, aumentou de 15 em 2011 para 109 em 2012. Os principais alvos de discriminação são as religiões de origem africana, como candomblé e umbanda.
Entre os casos está a invasão de terreiros em Olinda, em que "evangélicos com faixas e gritando palavras de ordem realizaram protesto em frente a um terreiro de religião de matriz africana e afro-brasileira", como descreve um denunciante. Outro caso foi o uso, por uma igreja, de imagens de mães-de-santo, "chamando de feitiçaria e difundindo o ódio pelas redes sociais", afirma outra pessoa.
"O Brasil tem um histórico de negação das tradições não cristãs. Essa negação não é exatamente da religião, mas do valor de todas as tradições de matriz africana. Na verdade, para nós, é racismo", afirma Silvany Euclenio, secretária de Políticas das Comunidades Tradicionais da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).
Embora existam também atritos entre algumas religiões cristãs, eles acabam não sendo tão violentos porque essas religiões têm uma origem comum e compartilham os mesmos valores. No caso das religiões de matriz africana, a intolerância recebe uma outra dimensão e resulta em violência, como no depredamento de casas, espancamento de pessoas e até mesmo assassinatos. "Recebemos denúncias de norte a sul do país, e de forma crescente", diz Euclenio.
Mercado religioso
O professor de ciências da religião Frank Usarski, da PUC-SP, afirma que a tensão mais visível é entre algumas igrejas pentecostais e as religiões afrobrasileiras, apesar de existirem também atritos entre religiões que tenham a mesma raiz.
"Isso tem muito a ver com a lógica do mercado religioso. Hoje em dia não é mais uma convivência idealista, mas uma luta de segmentos, da necessidade de conquistar uma certa parcela da população. Dessa forma, o outro é estigmatizado, desvalorizado e inferiorizado", acrescenta, dizendo que a briga entre as religiões se orienta por uma lógica capitalista.
Ele cita, como exemplo, a briga entre vertentes da religião budista no Brasil, em que houve briga jurídica para impedir a entrada de líderes religiosos no país. Além disso, um grupo reivindica um templo para si e o outro não quer devolvê-lo. "Não são só brigas simbólicas, mas também jurídicas."
Em sete anos, ONG recebeu 247.554 denúncias referentes a casos de intolerância religiosa em sites e em perfis de redes sociais
Para o professor aposentado de ética e teologia Ubirajara Calmon, da Universidade de Brasília (UnB), existe intolerância religiosa no Brasil, mas nada comparável ao que acontece em outros lugares do mundo, como na Europa. "Acredito que há poucas manifestações. O Brasil nunca chegou a uma situação como, por exemplo, a luta entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte", frisa.
O governo federal lançou no final de janeiro o Comitê de Combate à Intolerância Religiosa, que terá 20 membros oriundos do governo e da sociedade civil, sendo que o edital para a escolha dos integrantes será lançado em fevereiro ou março. O comitê vai ter o objetivo de promover o direito ao livre exercício das práticas religiosas e elaborar políticas de afirmação da liberdade religiosa, do respeito à diversidade de culto e da opção de não ter religião.
Internet
O mundo virtual reflete a situação do mundo real. De 2006 a 2012, a organização não-governamental SaferNet Brasil, através da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos (CNDCC), recebeu 247.554 denúncias anônimas de páginas e perfis em redes sociais que continham teor de intolerância religiosa.
Muitas vezes uma página ou perfil é denunciado dezenas, centenas ou até milhares de vezes. Dessa forma, nesse período, 15.672 páginas foram reportadas por conter teor de intolerância religiosa. A tendência é de queda: de 2.430 páginas em 2006 para 1.453 em 2012.
Essa tendência não implica que o número de casos reportados de intolerância religiosa tenha diminuído. "Uma das razões é a classificação feita pelo usuário. Mesmo páginas reportadas por possuir conteúdo antissemita ou homofóbico têm, também, conteúdo referente à intolerância religiosa", explica Thiago Tavares, coordenador da CNDCC.
O maior problema é a impunidade. "Quanto maior a dificuldade de punir esses crimes, maior é a tendência de uma parcela da comunidade de internautas de querer utilizar a rede para essa finalidade. A impunidade é o combustível da criminalidade", declarou Tavares, afirmando ainda que percebe um crescimento, desde 2010, das manifestações de intolerância e também da radicalização do discurso de ódio na internet brasileira.
Não só anônimos postam comentários que envolvem intolerância religiosa ou até mesmo o ódio em sites e perfis nas redes sociais. "Vemos casos de autoridades religiosas também. Há uma certa permissividade, uma dificuldade de monitorar e efetivamente punir", diz Euclenio, da Seppir.
Governo prioriza investigação de crimes contra o patrimônio e não contra os direitos humanos, diz Tavares, da CNDCC
Tecnologia esbarra na falta de infraestrutura
Depois que a denúncia é recebida pela CNDCC, um sistema é acionado para coletar informações disponíveis na rede, como texto, fotos e demais informações do provedor onde a página está hospedada. Essas informações são compiladas em um banco de dados ao qual apenas a Polícia Federal e o Ministério Público (MP) têm acesso.
Assim, o MP pode iniciar uma investigação para descobrir quem foi o autor do crime. O poder judiciário notifica o provedor que hospeda a página para fornecer dados e indícios que possam ajudar os investigadores a identificar o usuário. "Mas isso nem sempre é possível. Aí o caso fica impune", diz Tavares.
Ele explica que muitas pessoas usam a retórica de que os crimes da internet não são punidos por causa da falta de uma lei específica. Mas na verdade, serve para mascarar o principal problema: a falta de estrutura. "De todos os 27 estados brasileiros, há somente oito delegacias especializadas. E elas funcionam de forma precária", frisa.
A Polícia Federal tem duas divisões que cuidam de crimes cibernéticos. Uma é a contra crimes financeiros, que tem boa estrutura e é bem aparelhada, sendo responsável por mais de 1.200 prisões nos últimos oito anos. Já a divisão relacionada com os direitos humanos tem estrutura muito deficiente. "É clara a prioridade do Estado brasileiro de investigar crimes contra o patrimônio e não os relacionados aos direitos humanos", conclui Tavares.
Autor: Fernando Caulyt
Revisão: Francis França

Religiões africanas à mercê da intolerância

Religiões africanas à mercê da intolerância...



Vizinhos já chamaram a polícia, reclamando do barulho nas celebrações de templo no Cachambi
Foto: Marcelo Carnaval / O Globo
Vizinhos já chamaram a polícia, reclamando do barulho nas celebrações de templo no Cachambi Marcelo Carnaval / O Globo
RIO — Para o agente de saúde Luiz Paulo, de 26 anos, havia chegado a hora de um passo importante no candomblé. Decidiu fazer o santo, rito que significa nascer para o orixá. Por três meses, tinha de vestir apenas roupas brancas e manter a cabeça coberta. Mas encontrou no trabalho, uma clínica da família do Rio, os obstáculos. Sua gerente o proibiu de cumprir seu preceito e exigia que ele usasse seu uniforme. Luiz Paulo tentou negociar: propôs que usasse um boné branco, reduzindo ao máximo seus paramentos religiosos. Vieram sucessivas recusas. Enquanto isso, a gerente, evangélica, reunia sua equipe para orações, dizendo que o clima no grupo estava “pesado”. Pouco tempo depois, Luiz Paulo foi demitido. Resultado, acredita ele, de discriminação religiosa e homofóbica, uma vez que também diz ter sofrido preconceito por ser gay.
Tratado com discriminação no trabalho
No Rio de dezenas de credos, que receberá o Papa Francisco em julho, durante a Jornada Mundial da Juventude, casos como o de Luiz Paulo ainda são frequentes. E atingem sobremaneira seguidores de religiões como candomblé e umbanda, como revela o Mapeamento das Casas de Religiões de Matriz Africana do Estado do Rio, feito pelo Núcleo Interdisciplinar de Reflexão e Memória Afrodescendente (Nirema) da PUC-Rio. Das 847 casas pesquisadas desde 2008, mais da metade (430 delas) relatou episódios de intolerância religiosa contra seus centros ou seguidores nos últimos anos (o levantamento completo será apresentado em novembro, no livro “A presença do axé”).
Realidade corroborada por um relatório do recém-criado Centro de Promoção da Liberdade Religiosa e Direitos Humanos (Ceplir, fundado em janeiro e ligado à Superintendência estadual de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos), que chegou à conclusão de que, de janeiro a maio deste ano, foi o candomblé o segmento religioso mais vulnerável à violação de seus direitos no estado.
— Antes de ser demitido, eu era tratado com discrminação da minha equipe. Os problemas se agravaram quando decidi fazer o santo. Nem minhas guias eu podia usar aparentes. Tinha de camuflá-las. Foram meses trabalhando sob pressão e olhares tortos — afirma o agente de saúde Luiz Paulo, uma das 38 pessoas que já procuraram o Ceplir, onde 10,53% dos atendimentos foram para adeptos do candomblé que buscavam orientações sobre seus direitos ou foram vítimas de intolerância religiosa no ambiente de trabalho, familiar ou na vizinhança.
Uma das mais respeitadas e conhecidas ialorixás do candomblé no Rio, Mãe Meninazinha de Oxum conta que um grupo já tentou invadir seu terreiro, em São João de Meriti, para “tirar o demônio” dali. Relata que constantemente sua caixa de correio aparece repleta de panfletos de igrejas evangélicas. Ao andar pelas ruas com suas vestimentas tradicionais, é repetidas vezes abordada por pessoas tentando convertê-la a outras religiões.
— Como todos no candomblé e na umbanda, sofremos principalmente com agressões verbais. Mas também há relatos de agressões físicas. São filhos de santo impedidos de usar seus colares, crianças agredidas nas escolas, casas invadidas... — conta Mãe Meninazinha, que comanda o terreiro Ilê Omolu Oxum desde 1968.
Em 2009, o terreiro de umbanda Centro Espírita Vovô Cipriano de Aruanda, em Caxias, teve o altar, as paredes de quartos de santo e vários objetos religiosos quebrados com uma marreta por um homem. Um ano antes, jovens invadiram e depredaram o Centro Cruz de Oxalá, no Catete. Já no barracão do sacerdote Alexandre Nunes Feijó, no Largo do Pechincha, na Zona Oeste, ele conta que voltava do Mercadão de Madureira, quando encontrou a frente de seu terreiro cercada por um grupo de parentes de um adolescente de 14 anos que fazia sua iniciação no candomblé — quando há um período de reclusão de duas a três semanas.
— A mãe, filha de santo, tinha autorizado. Também era uma vontade do menino. Cheguei, expliquei o que estava acontecendo, mas não houve conversa. Eles me acusaram de cárcere privado e chamaram a polícia — diz Alexandre.
A polícia também já foi chamada algumas vezes por vizinhos do Templo A Caminho da Paz, conta Amélia Martins, diretora de estudos do centro, no Cachambi. Todas as vezes, foram reclamações sobre o barulho. Só um dos muitos exemplos, segundo ela, de resistência à religião, que tem suas origens no Estado do Rio e cujo primeiro templo foi a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, de 1908, em São Gonçalo.
— Existe uma guerra silenciosa contra a umbanda. Isso tem feito alguns terreiros desaparecerem — afirma Amélia, revelando outra consequência da discriminação. — Muitos de nossos médiuns, por receio, escondem a religião no trabalho, no ambiente escolar e até mesmo familiar.
Sem coragem de contar para a mãe
É o caso do jovem Rodrigo D’Oxum, de 26 anos, frequentador do Centro Espírita Cabana das Almas, em Nova Iguaçu. Aos 18 anos, ele ingressou na umbanda. Mas ainda hoje não contou à família, cuja mãe, é “católica fervorosa”.
— Quando decidi pela umbanda, ainda morava com ela. E tenho certeza de que se criaria uma situação muito chata em casa — diz Rodrigo, que conta ainda ter medo de ser agredido ao fazer trabalhos em encruzilhadas à noite.
Cerca de 80% dos ataques contra religiões de matriz africana acontecem em ruas e parques. A professora do Departamento de Ciência Social da PUC-Rio e coordenadora geral do Nirema, Sonia Giacomino, destaca que, na maior parte dos casos, os adeptos dessas religiões são os alvos. Mas há também casos de terreiros apedrejados. Mais de 80% dos agressores, ainda segundo o mapeamento, são vizinhos dos centros e grupos evangélicos. Mas Sonia alerta que não se pode generalizar, porque eles não representam o conjunto dos evangélicos.
Superintendente estadual de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos, órgão ligado à Secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Cláudio Nascimento observa ainda que a discriminação atinge outros grupos:
— Há, por exemplo, crianças muçulmanas perseguidas dentro da escola. Ou perseguição a integrantes de movimentos agnóstico e ateísta.
O Ceplir faz atendimento inicial pelo telefone 2334-9550 ou em sua sede, na Central do Brasil. Um grupo de 20 pessoas de credos diferentes trabalha agora em propostas de políticas públicas contra a intolerância religiosa. No dia 30 de maio, será apresentado à consulta pública o Plano Estadual de Enfrentamento da Intolerância Religiosa, o primeiro em âmbito estadual no país.


Mais da metade das casas de umbanda ou candomblé do estado já sofreu algum tipo de discriminação

CRÉDITOS: O GLOBO | FONTES: CEPLIR E NÚCLEO INTERDISCIPLINAR DE REFLEXÃO E MEMÓRIA AFRODESCENDENTE, DA PUC-RIO


 em http://oglobo.globo.com/rio/religioes-africanas-merce-da-intolerancia-8471972#ixzz2aLQknuCm 
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quarta-feira, 24 de julho de 2013

RN devolve R$ 2 milhões destinados à segurança - QUE PONTO CHEGA A INCOPETENCIA DA GESTAO RN...

O Governo do Rio Grande do Norte devolverá ao Ministério da Justiça R$ 2 milhões, dinheiro que havia sido liberado para convênios, mas já teve o prazo de execução expirado. No total, se enquadram nessa situação cinco convênios relacionados a projetos de polícia de bairro, reaparelhamento das Polícias Militar e Civil e ainda modernização dos processos de investigação. Os convênios foram firmados entre os anos de 2008 e 2010 e tinham como prazo de conclusão das atividades o ano de 2012. Os recursos são referentes a parcerias firmadas pelas gestões de Wilma de Faria e Iberê Ferreira com a Secretaria Nacional de Justiça. No total, R$ 2.028.849,89 devolvidos ao Governo Federal.
Emanuel AmaralAldair Rocha explica devoluções e cita complicações provenientes da lei das licitaçõesAldair Rocha explica devoluções e cita complicações provenientes da lei das licitações

Há casos de quase R$ 900 mil sendo devolvidos, dinheiro que, originalmente, seria destinado à construção de duas delegacias modelo e reforma e ampliação de outras 24 delegacias. Entre os convênios também estão recursos destinados ao reaparelhamento de todos os órgãos da Secretaria de Segurança. 

O secretário estadual de Segurança e Defesa Social admitiu que parte dos recursos devolvidos são provenientes de metas não cumpridas, embora os programas tenham sido iniciados. Segundo ele, os entraves surgem até mesmo na contrapartida do Governo. “O Estado hoje tem dificuldade com fornecedores, tem empresas que não querem vender para o poder público”, disse Aldair Rocha, ressaltando que essa é uma situação comum a todo Brasil. 

Lembrando do convênio 510/08, que previa construção de duas delegacias modelos e reforma de outras 24, o secretário afirmou que o Governo Federal já não transfere mais recursos para construção e reforma devido ao problema de legalização dos terrenos e na demora das obras. “O Governo Federal não faz mais esse tipo de repasse porque sabe das dificuldades (na execução). Hoje os recursos aplicados para esse fim vêm do próprio Estado”, destacou, ressaltando que a lei das licitações  é “muito complicada” e o Estado não tem técnico preparado para atender todas as exigências.

Magia dos Voduns

terça-feira, 23 de julho de 2013

Garoto de 12 anos desabafa sobre bullying homofóbico e diz não ser gay

DESABAFO E HEROISMO...

Confira as 12 conferências nacionais com datas marcadas para 2013...

Confira as 12 conferências nacionais com datas marcadas para 2013

2° Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário
MDA
" Brasil Rural com Gente, do jeito que a gente quer"
Desenvolvimento socioeconômico e ambiental do Brasil rural e fortalecimento da agricultura familiar; Reforma agrária e democratização do acesso à terra e aos recursos naturais; Abordagem territorial como estratégia de desenvolvimento rural e promoção da qualidade de vida; Gestão e participação social; Autonomia das mulheres rurais; Autonomia e emancipação da juventude rural; Promoção do etnodesenvolvimento.
  • Etapas Municipais, territoriais, setoriais e livres - março, abril e maio;
  • Etapas Estaduais - junho e julho;
  • Etapa Nacional - Setembro de 2013, Brasília/ DF.
1ª Conferencia Nacional de Previdência Social
MPS
"Promover o intercâmbio de experiências entre profissionais que atuam na gestão da seguridade social e elaborar proposta para a melhoria da Previdência Social brasileira"
Relevância dos aspectos demográficos e socioeconômicos para a política previdenciária; Desafios do Regime Geral de Previdência Social; Gestão previdenciária no âmbito do Regime Geral de Previdência Social; Fortalecimento dos espaços de Diálogo Social; Demais regimes do Sistema de Previdência Social.
  • Videoconferência Nacional e/ou Encontro Nacional para orientação das Conferências Regionais (obrigatória) - até 30/03;
  • Conferências Regionais (obrigatória) - até 05/08;
  • Seminário Preparatório da Previdência Social (Bancada de Governo) -  até 30/08;
  • Divulgação da Delegação Regional - até 31/08.
  • Etapa Nacional - 19 à 21/09/2013, Brasília/DF.
4ª Conferência Nacional do Meio Ambiente
MMA
"Vamos cuidar do Brasil"
A quarta edição tem o desafio de contribuir para a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, com foco em:
I - Produção e Consumo Sustentáveis; II - Redução dos impactos ambientais; e III - Geração de emprego e renda."
  • Etapas Municipais - 10/01/2013 a 30/05/2013;
  • Etapas Estaduais - 30/05/2013 a 10/09/2013;
  • Etapa livres/virtuais - 10/01/2013 a 01/09/2013;
  • Etapa Nacional - 24 à 27/10/2013, Brasília/ DF.
5ª Conferência Nacional das Cidades
MC
"Quem muda a cidade somos nós: Reforma Urbana já!"
Participação e controle social no Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano – SNDU; Fundo Nacional de Desenvolvimento Urbano – FNDU; Instrumentos e políticas de integração intersetorial e territorial; Políticas de incentivo à implantação de instrumentos de promoção da função social da propriedade
  • Etapa Municipal - 01/03/2013 à 15/05/2013;
  • Etapa Estadual - 01/07/2013 à 28/09/2013;
  • Etapa Nacional - 20 à 24/11/2013, Brasília/ DF.
3ª Conferência Nacional de Cultura
MINC
"Uma Política de Estado Para a Cultura: Desafios do Sistema Nacional de Cultura"
Implementação do Sistema Nacional de Cultura; Produção Simbólica e Diversidade Cultural; Cidadania e Direitos Culturais; Cultura e Desenvolvimento.
  • Etapa municipal ou Intermunicipal até 30/06/2013;
  • Regional até 01/09/2013;
  • Estadual e Distrital até 14/09/2013;
  • Setorial até 25/09/2013;
  • Etapa Nacional: 26 a 29/11/2013, Brasília/ DF.
4ª Conferência Nacional de Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente
MEC/MMA
"Vamos Cuidar do Brasil com Escolas Sustentáveis"
O que é uma escola sustentável?; Quais valores, habilidades e atitudes são necessários para que a escola contribua para melhorar a qualidade de vida das presentes e futuras gerações?; Como transformar a escola em um espaço vivo, bonito, acolhedor, inclusivo e motivador de ações e atitudes sintonizadas com a sustentabilidade socioambiental?; Como as edificações escolares podem estimular a inovação, a aprendizagem e o cuidado dos seres humanos entre si e com o meio em que vivem?
  • Conferências nas Escolas (obrigatórias) - até 31/08/2013;
  • Conferências Municipais/Regionais (opcionais) - até 06/10/2013;
  • Conferências Estaduais (obrigatórias) - até 25/10/2013.
  • Etapa Nacional - 25 a 29/11/2013, Brasília/DF.
5ª Conferência Nacional de Saúde Indígena
CNS/MS
"Subsistema de Atenção à Saúde Indígena e SUS: direito, acesso, diversidade e atenção diferenciada." Controle Social e Gestão Participativa; Etnodesenvolvimento, Segurança Alimentar e Nutricional; Saneamento e Edificações de Saúde Indígena. "
  • Conferências Locais - até o dia 30/06/2013;
  • Conferências Distritais - até o dia 31/10/2013;
  • Etapa Nacional - 27 a 30/11/2013, Brasília/ DF.
6ª Conferência Brasileira de Arranjos Produtivos Locais
MDIC
"2ª Geração de Políticas para APLs: Competitividade e Sustentabilidade"
Ações de Formação e Capacitação; Governança e Cooperação; de acesso à Inovação Tecnológica e a Serviços de Crédito e Financiamento;
  • Encontros estaduais ao longo de 2013;
  • Etapa Nacional - 04 a 05/12/2013, Brasília/ DF.
3ª Conferência Nacional de Igualdade Racial
SEPPIR-PR
Democracia e desenvolvimento sem racismo por um Brasil afirmativo. Estratégias para o desenvolvimento e o enfrentamento ao racismo; Políticas de igualdade racial no Brasil: avanços e desafios; Arranjos Institucionais para assegurar a sustentabilidade das políticas de igualdade racial: Sinapir, órgãos de promoção da igualdade racial, fórum de gestores, conselhos e ouvidorias; Participação política e controle social: igualdade racial nos espaços de decisão e mecanismos de participação da sociedade civil no monitoramento das
  • Etapas Municipais e Regionais (facultativas)
  • Etapas Estaduais, até 30/08
  • Etapa Nacional - 5 a 7/12/2013, Brasília
9ª Conferência Nacional de Assistência Social
MDS/ CNAS
"A gestão e o financiamento na efetivação do sistema único de assistência social (SUAS)"
O Cofinanciamento Obrigatório da Assistência Social; Gestão do SUAS: Vigilância Socioassistencial, Processos de Planejamento, Monitoramento e Avaliação; Gestão dos Serviços, Programas e Projetos; Gestão dos Benefícios no SUAS; Regionalização.
  • Etapa Municipal - 08/05/2013 à 09/08/2013;
  • Etapa Estadual - até 18/10/2013;
  • Etapa Nacional - 16 à 19/12/2013, Brasília/ DF
2ª Conferência Nacional de Educação
MEC/FNE
" O PNE na Articulação do Sistema Nacional de Educação: Participação Popular; Cooperação Federativa e Regime de Colaboração."
O Plano Nacional de Educação e o Sistema Nacional de Educação: organização e regulação; Educação e diversidade: justiça social, inclusão e direitos humanos; Educação, trabalho e desenvolvimento sustentável: cultura, ciência, tecnologia, saúde, meio ambiente; Qualidade da Educação: democratização do acesso, permanência, avaliação, condições de participação e aprendizagem; Gestão Democrática, Participação Popular e Controle Social; Valorização dos Profissionais da Educação: formação, remuneração,carreira e condições de trabalho; Financiamento da Educação: gestão, transparência e controle social.
  • Etapas Municipais - mar/2013 a jun/2013;
  • Etapas Estaduais - jul/2013 a set/2013;
  • Etapa Nacional - 14 à 21/02/2014, Brasília/ DF
2ª Conferência Nacional de Proteção e Defesa Civil
MI
"Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil: Um novo paradigma para o Estado Brasileiro" -
Gestão do risco de desastres; Integração de Políticas Públicas; Gestão do Conhecimento.
  • Etapas Municipais - até 30/09;
  • Etapas Estaduais - 01à 3/10 2012
  • Etapa Nacional - 26 à 28/03/2014, Brasília/ DF
 
 
Abaixo, as conferências Nacionais previstas para 2013, mas sem data definida:
4ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca
4ª Conferência Nacional de Esporte
4ª Conferência Brasileiros no Mundo
2ª Conferência Nacional de Segurança Pública
1ª Conferência Nacional de Defesa do Consumidor
2ª Conferência Nacional de Turismo

Segue informações sobre a 5ª Conferência Nacional de saúde Indígena.

Prezados (as) Conselheiros (as),
Segue informações  sobre a 5ª Conferência Nacional de saúde Indígena.
 
Conteúdo do texto anexo:
 
5ª Conferência Nacional de Saúde Indígena: etapas distritais começam em julho
As etapas distritais da 5ª Conferência Nacional de Saúde Indígena começam a partir do dia 24 de julho. O Conselho Nacional de Saúde (CNS) solicita aos Conselhos de Saúde e entidades representadas nos Conselhos que divulguem em seus sites as etapas de suas regiões e também a etapa nacional.
As etapas distritais servem de preparação para a etapa nacional, que acontece de 26 a 30 de novembro, em Brasília, e tem como objetivo estabelecer diretrizes para ações de saúde e a formulação da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas.
O tema central da etapa nacional é Subsistema de Atenção à Saúde Indígena e SUS: Direito, Acesso, Diversidade e Atenção Diferenciada. Além do eixo central também serão debatidos, em mesas redondas, quatro eixos de discussão: Atenção Integral e Diferenciada nas Três Esferas de Goverbo, Controle Social e Gestão Participativa, Etnodesenvolvimento e Segurança Alimentar e Nutricional e Saneamento e Edificação de Saúde Indígena.
As datas e locas das Conferências Distritais estão disponíveis no site da 5ª CNSI, uma realização do Ministério da Saúde, através da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) em conjunto com o Conselho Nacional de Saúde (CNS).
 
Página da 5ªCNSI:
Peças publicitárias:
Datas e locais das Etapas Distritais:
 
 
Atenciosamente,
 
Conselho Nacional de Saúde
Esplanada dos Ministérios - Bloco G
Ed. Anexo - Ala B – Salas 103 a 130
Brasília - DF
CEP 70.058-900

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Professor carioca cria projeto interdisciplinar contra o preconceito rac...

A Secretaria Estadual de Saúde Pública do Rio Grande do Norte CONVITE - Posse do Comitê de Promoção da Equidade




GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE PÚBLICA
COORDENADORIA DE PROMOÇÃO À SAÚDE
SUBCOORDENADORIA DE INFORMAÇÃO EDUCAÇÃO E COMUNICAÇÃO

CONVITE


           

A Secretaria Estadual de Saúde Pública do Rio Grande do Norte, através da Subcoordenadoria de Informação, Educação e Comunicação – SIEC tem a satisfação de convidar para Posse do Comitê de Promoção da Equidade que acontecerá no dia 14 de agosto de 2013 no Complexo  Cultural de Natal, localizado na Av. Dr. João Medeiros Filho – Potengi – Zona Norte. No período das 14 às 17hs.


                                             
                                                                
                                                                  Natal, 15 de julho de 2013.








Maria Aparecida Cunha de Souza

Subcoordenadora da SIEC

sábado, 20 de julho de 2013

Lyalode - Damas da Sociedade


Aborda a religião do candomblé por meio do relato das histórias de vida de algumas das mais antigas mães-de-santo da cidade de São Paulo. Documentário de José Pedro da Silva Neto e Maria Emília Coelho.




Clementina de Jesus

Clementina de Jesus


CLEMENTINA DE JESUS DA SILVA
(86 anos)
Cantora

* Valença, RJ (07/02/1901)
+ Rio de Janeiro, RJ (19/07/1987)

No depoimento que prestou ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, em 1967, Clementina disse que havia nascido no dia 7 de fevereiro de 1902. Mas Clementina não era boa com as datas e sua certidão de nascimento nunca foi encontrada. Em outras ocasiões, ela afirmou que nascera em 1900. Na certidão de casamento com Albino Correa da Silva, ou Albino Pé Grande, a data de nascimento é 07/02/1907.

Lena Frias encontrou a Certidão de Batismo de Clementina, em Valença, datada de 25/08/1901 e registrando a data de nascimento como o dia 07/01/1901.

Em documentos diferentes, ela aparece como Clementina Laura de Jesus ou Clementina de Jesus dos Santos. Com o casamento, adotando o nome do marido, tornou-se Clementina de Jesus da Silva.

Clementina era filha de escravos libertos pela Lei do Ventre Livre. Pequena mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou em colégio de freiras. Foi figura significativa da MPB. Mesmo tendo iniciado tardiamente sua vida artística e com uma curta carreira, é sem dúvida uma das mais importantes artistas brasileiras.

A vida de Clementina de Jesus tinha tudo para ser igual à de milhões de pobres brasileiros se não fossem a sua insistência em cantar, a sua voz e o destino. Ainda menina, costumava acompanhar a mãe, uma lavadeira que gostava de cantar corimas, jongos, lundus, incelenças e modas, enquanto trabalhava. Foi provavelmente nesta época que aprendeu os cantos de escravos que, anos mais tarde, fariam a sua fama.

Com apenas dez anos, foi morar com a família em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Um vizinho, que sempre escutava a menina Clementina de Jesus cantando dentro de casa, ofereceu para a garota o papel de solista em procissões e festas religiosas. Após a morte do pai, a situação financeira da família ficou muito complicada e Clementina de Jesus não teve outra alternativa a não ser trabalhar como empregada doméstica, lavadeira e passadeira. Durante mais de 20 anos, esta foi a atividade que a sustentou.

Pouco tempo antes de morrer, em um depoimento, Clementina de Jesus disse que todos os integrantes da casa onde trabalhou como empregada doméstica gostavam de ouvi-la cantar, com exceção da proprietária, que dizia que a sua voz era irritante, por parecer um miado de gato. No final dos anos 20, passou a freqüentar blocos de Carnaval que, depois, seriam transformados em escolas-de-samba. Depois de dois casamentos, um deles com Albino Correia da Silva, o Pé Grande, um torcedor fanático da escola de samba da Magueira, o destino bateu à porta de Clementina de Jesus e a empregada doméstica deu lugar a uma cantora que marcou época na música popular brasileira.

Seu canto rouco e quase falado, fora dos padrões estéticos, conquistou a crítica, compositores, artistas e, principalmente, o povo. Um dos retratos do sincretismo brasileiro, Clementina de Jesus estabeleceu uma ponte entre o folclore dos terreiros de candomblé com a linguagem contemporânea. Finalmente, em 1964, quando já contava com 62 anos, a cantora teve a sua grande oportunidade profissional.

O compositor e produtor Hermínio Belo de Carvalho, que já tinha visto Clementina de Jesus se apresentar em bares do Rio de Janeiro, convidou-a para fazer alguns shows. No dia 7 de dezembro do mesmo ano, depois de ouvir um recital clássico (Mozart e Villa-Lobos), o público que lotava o Teatro Jovem, em Botafogo, ficou assustado ao ver entrar no palco uma cantora de voz anasalada, acompanhada por Paulinho da Viola, César Faria e Elton Medeiros.

O sucesso foi imediato, a ponto de Hermínio Belo de Carvalho criar o musical "Rosas de Ouro", que percorreu as principais capitais brasileiras. Chamada de "Tina" ou "Quelé" pelos amigos, Clementina de Jesus gravou mais de 120 músicas e participou de discos de outros artistas, como Milton Nascimento, por exemplo.

O compositor Paulinho da Viola, que teve duas músicas de sua autoria, "Essa Nega Pede Mais" e "Na Linha do Mar" incluídas no disco "Marinheiro Só", um dos maiores sucessos de Clementina de Jesus, contou em diversas entrevistas que a cantora era fascinante. "Tudo o que se fala de Clementina de Jesus não tem a dimensão da presença dela. Ouvi-la cantando, sentada, com o seu vestido de renda, era algo absolutamente fascinante, difícil de transmitir, de traduzir em palavras."

Faleceu em função de um derrame na Vila Santo André - Inhaúma - RJ.

Fonte: Estadão




Clementina de Jesus - De Lá Pra Cá (Bloco 2/2)

O Canto dos Escravos - Canto I

sexta-feira, 19 de julho de 2013

D. Pedro e Inês de Castro

Mucamas, Criadas ou Domésticas: sinônimos de uma só história de exclusão....

Mucamas, Criadas ou Domésticas: sinônimos de uma só história de exclusão.
“Xenofonte escreve: As pessoas que se dedicam aos trabalhos manuais nunca são elevadas a altos cargos e é razoável. Condenadas na sua grande parte a estar sentadas todo o dia, algumas mesmo a suportar um fogo contínuo, não podem deixar de ter o corpo alterado e é muito difícil que o espírito não se ressinta disso. "( PAUL LAFARGUE, Direito a Preguiça, LCC, publicação eletrônica)
Neste breve artigo escolhemos tratar da genealogia, por assim dizer, do trabalho doméstico, poderíamos ter escolhido qualquer outra função e/ou atribuição considerada residual no seio da sociedade capitalista, onde os salários e o status são igualmente residuais; é o caso dos garis[1], pedreiros, serventes, bóias frias, e toda gama de profissões cuja especialização e o grau de proficiência são minimamente exigíveis, ou seja, são consideradas atividades de caráter rudimentar, onde a capacidade cognitiva não teria tanta relevância, comparando-se a outras áreas, posições conspícuas cujo credenciamento estaria atrelado à inteligência do indivíduo e por sua capacidade de realizar tarefas complexas, ininteligíveis para insipientes.
Essas simplórias premissas buscam legitimar as gradações e a divisão social do trabalho, a quem diga que o fordismo morrera, que a diferença entre escritório e o chão da fábrica fora dissolvido por metodologias e paradigmas de inclusão e co-participação, mas, a realidade que escapa as teorias dos grandes administradores, mostra que a especialização e a segregação funcional na sociedade capitalista contemporânea, tem inexoravelmente ofendido de maneira contumaz, pessoas cujas oportunidades lhes ofereceram um campo existencial limitado, a História mostra que a realidade é múltipla, ou seja, ricos e pobres; católicos e protestantes; jovens e velhos mesmo estando num mesmo tempo histórico decodificam sua realidade e a circunscrevem de numa maneira peculiar, construindo assim uma identidade, sua interface com o mundo, logo, muito do que as pessoas são, ou vão se tornar, dependerá dos aparatos culturais e/ou existenciais colocados a sua disposição. Ou seja, o que seria dos gênios do nosso tempo se não fossem municiados dos conhecimentos que lhe deram a base para seus descobrimentos, seria como esperar que um índio do Xingu construísse uma bomba atômica, em primeiro lugar, seu arcabouço cultural não conceberia tal aparato, não haveria lógica, nem matéria prima, nem conhecimentos prévios, enfim, é como alguns antropólogos dizem: “temos um aparato biológico preparado para viver mil vidas”, dependendo é claro de qual delas formos agraciados.
A partir do exposto, podemos definir que as ambigüidades das atividades profissionais e seu corolário de satisfação ou de marginalização advêm de desigualdades artificiais, convenções historicamente delimitadas, cujas raízes podemos encontrar através de uma ressonância cuidadosa da história das civilizações e nosso caso mais precisamente, do passado escravista brasileiro, que engendrou classificações no mínimo equivocadas, anamorfoses que deliberaram o que teria valor e o que não teria, construindo muros virtuais que protegiam os afortunados dos desvalidos.
O liberto defrontou-se com a competição do imigrante europeu, que não temia a degradação pelo confronto com o negro e absorveu, assim as melhores oportunidades de trabalho livre e independente (mesmo as mais modestas, como a de engraxar sapatos, vender jornais e verduras, transportar peixe ou outras utilidades, explorar o comercio de quinquilharias, etc.). [...] eliminado para setores residuais daquele sistema, o negro ficou à margem do processo, retirando dele proveitos personalizados, secundários e ocasionais [...]. Em suma, a sociedade brasileira largou o negro ao seu próprio destino, deitando sobre seus ombros a responsabilidade de reeducar-se e de transformar-se para corresponder aos novos padrões e ideais de homem, criados pelo advento do trabalho livre, do regime republicano e do capitalismo. [2]
Obviamente em se tratando das empregadas domésticas [3], que ao longo do tempo sua designação passou por mudanças sinonímias, porém semanticamente os termos predecessores, a saber: mucama [4]; criada [5] e serva [6], cristalizaram e/ou internalizaram a mediocridade funcional e, por conseguinte, remuneratória; tanto que apenas recentemente, após quinhentos anos as empregadas domésticas passaram a possuir alguns dos direitos que já são gozados há décadas pelos demais trabalhadores de outras atividades, obviamente que seus salários permanecem infinitesimais, mesmo sendo um trabalho árduo, vital para a consubstanciação tanto do modelo tanto do sanitário vigente, onde a limpeza e organização são apanágios imprescindíveis a uma casa de “gente bem”; bem como da estrutura familiar de hoje cujos pais também trabalham fora e deixam suas casas nas mãos de pessoas que não tiveram outra escolha senão executar os trabalhos “indesejáveis”, como se o que as domésticas fizessem fosse algo sujo, degradante. Mas infelizmente é isso que fica patente ao observarmos o bônus destinado a elas, sabemos que os discursos humanos se contradizem ao observarmos suas ações.
A história das domésticas brasileiras se confunde com a história de nosso escravismo, não só ela mas quase todas as funções desprestigiadas, pois, ao ex-escravo restavam as ocupações residuais como diria Florestan Fernandes, para esta afirmação corroboram os jornais da época e mais precisamente os classificados de empregos, que denunciam concomitantemente as opções destinadas às pessoas de cor, que mesmo após a abolição e proclamação da República, estavam patentes não apenas as desigualdades econômicas, mas, e sobretudo, as desigualdades existenciais, àquelas que possibilitam o vislumbrar, a esperança em conquistar um torrão do grão-pátrio.
Citaremos as ocupações mais oferecidas dentre as várias delimitadas e deliberadamente reservadas aos negros, mesmo após a abolição, já em plena República, são elas: “carregador de caixas”, “cozinheiro”, “copeiro”, “caixeiro”, “costureiras”, “vendedores de bala”, “carregador de pão”, “lavadeira”, “mucama”, “saieiras”, “carregador de cestos”, “tiradores de goiabas”, “ajudante de alfaiate”, “charuteiro”, “official barbeiro”, “padeiro”, “forneiro”, “carpinteiro”, “ama seca”, “ama de leite”, “ajudante de cozinha”, lavador de pratos” e aparecendo de maneira esmagadora a função de “criada”, em todos os classificados verificados a referência à cor é aquilo que chancela, credencia a ocupação desses postos e, nesses casos em que citamos acima onde as funções são as menos remuneradas e portanto as que exigem menos qualificação, ou seja, são funções residuais, “inferiores” dentro da hierarquia ocupacional capitalista, como o são até hoje, é o caso da criada, nossa empregada doméstica, classe com os menores níveis salariais e que menos dispõe das garantias legais do trabalhador. Transcreveremos alguns textos desses jornais a fim de contextualizar nossas inferências.
“Precisa-se de uma criada de cor preta: Rua Visconde de Sapucahy n. 169ª”; “Precisa-se de uma criada de cor preta, que cozinhe e lave; na rua Guarda velho n. 30.”; “precisa-se de uma negrinha para arranjos de casa e lidar com crianças, paga-se 15$; no Centro Ouvidor n. 20, 1ª andar.”. “precisa-se de uma preta de meia idade que saiba cozinhar, na rua da Ajuda n. 27, 1ºandar”; “Precisa-se de uma preta velha para cozinhar e lavar, que durma na casa; na rua general Polydoro n. 24.”; precisa-se de uma rapariga preta para ama seca; na rua Senador Eusébio n. 9, sobrado.”; “Precisa-se de uma preto quitandeiro, que seja fiel e sem vícios, na rua Haddock Lobo n. 18F.”; “Precisa-se de uma crioulinha de 12 a 13 anos para andar com crianças de anno emeio; rua da Passagem n. 67, Botafogo.” “Precisa-se de uma senhora de idade ou de uma preta velha para serviços leves; na rua da rua da Ajuda nº 187, 2ºandar.”[7]
As modestas modalidades oferecidas ao negro não permita a ele reverter seu quadro de exclusão, de anomia social, pois suas alocações eram análogas ao período escravista, o que insistia em internalizar na idiossincrasia social o gênero subjacente do negro.
Os negros e os mulatos ficaram à margem ou se viram excluídos da prosperidade geral, bem como dos seus proventos políticos, porque não tinham condições para entrar nesse jogo e sustentar as suas regras. Em conseqüência, viveram dentro da cidade, mas não progrediram com ela e através dela. Constituíram uma congérie social dispersa pelos bairros, e só partilhavam em comum uma existência árdua, obscura e muitas vezes deletéria. Nessa situação, agravou-se, em lugar de corrigir-se, o estado de anomia social transplantado do cativeiro [...] quase meio século após da abolição o negro e o mulato ainda não tinham conquistado um nicho próprio e seguro dentro do mundo urbano, que fizesse daquele estágio um episódio de transição, inevitável, mas transponível. Pagaram com a própria vida, ininterruptamente, os anseios da liberdade, de independência e de consideração que os animavam a “tenta a sorte”, usufruindo magramente das compensações materiais e morais da civilização urbana [...] As posições mais cobiçadas mantinham-se “fechadas” e inacessíveis; as posições “abertas” eram seletivas segundo critérios que só episodicamente podiam favorecer pequeno número de “elementos de cor”. [8]
Estratégia velada, inconsciente ou deliberada, não importa, a questão é que os papéis ínfimos dentro do mercado de trabalho oferecidos aos egressos do escravismo, ajudou e tem ajudado a perpetuar a debilidade econômica e, por conseguinte, social, calando sua voz diante de um sistema econômico arraigado a práticas racistas de seleção, alimentando anacronicamente um sentimento colonial, cuja perenidade forjou uma espécie de inconsciente coletivo. Logo, despreparado, descrente, abandonado a sua própria sorte, o negro carecia de quase tudo, não houve nenhum planejamento ao despejá-los em um mundo cuja lógica seria ininteligível para um ex-cativo. Assim, sem tempo para se adaptar, se reeducar e, internalizar o ethos de um trabalhador livre, sem meios para competir com os brancos, e aspirar à ocupação de posições mais valorizadas os negros portavam-se de maneira dispersa, quase neurastênica.
Trazemos este tema à baila num momento de verdadeira revolta e como forma de protesto, sim, sem nos preocuparmos com críticas sobre nosso cientificismo, pois, como assistimos também o descaramento e a total ausência de constrangimento com que a mídia destaca as atividades como: faxineiras, garis, peões, enfim, são estereotipadas como sendo a consubstanciação do malogro, pois, é muito comum as telenovelas se reportarem a essas profissões de forma desrespeitosa, mesmo que camuflada em pó de arroz de uma ingenuidade grotesca Todos devem ser lembrar da personagem vivida por Guilhermina Ginle que ao final da novela “Paraíso Tropical”, recebera como “castigo”, por assim dizer, um final “infeliz”, pelo menos era o que provavelmente o autor devia ter em mente quando a “ridicularizou” colocando-a na pele de um gari do Rio de Janeiro, como se essa profissão fosse uma penitência, o mesmo aconteceu recentemente a um casal de senhores na novela Sete Pecados que simplesmente tinham aversão ao trabalho de faxineiros de um hotel luxuoso e conquistam um final majestoso ao ganharem na loteria e livrando-se desse “martírio” que seria o serviço de limpeza.
O pior é que as autoridades também reverberam esse ideário preconceituoso, tanto que tem adotado como penitência a jovens infratores, o “castigo” de realizar por alguns dias serviços de gari, situação esta que fora recebido com indignação pela classe que se diz insultada, porque sua profissão não deve ser vista como um mero castigo e tratada com repugnância, eles se dizem orgulhosos de fazer o que fazem. Outro aspecto patente nas telenovelas concerne no padrão estabelecido das empregadas domésticas, ou seja, a sua maioria composta de negras, até aí concordamos, uma vez que essa é infelizmente a nossa realidade, pois, como já explanamos tem raízes em nosso escravismo.
A questão é até quando trataremos com tamanho desdenho gente que trabalha duro, fazendo aquilo que os diplomados e engravatados consideram humilhante realizar, por isso legaram aos “subalternos”, mas como se já não bastasse à carga de trabalho e paradoxalmente os salários aviltados, ainda encontram outras maneiras de vilipendiar as pessoas simples que sem vergonha alguma lutam por sobreviver a partir dos meios que elas dispõe, desafiando com o peito aberto um mundo cujo glamour depende do trabalho deles que pegam no pesado e na sujeira, mas cujas mãos não estão tão sujas quanto aquelas que são responsáveis pelo imobilismo na estrutura social brasileira.
Notas:
[1] Gari [Do antr. (Aleixo) Gary, incorporador de uma antiga empresa incumbida da limpeza das ruas cariocas.] Substantivo de dois gêneros. 1.Empregado da limpeza pública que varre as ruas; lixeiro: “Não se viam papéis pelas sarjetas; os garis mantinham as ruas impecáveis” (Maria Julieta Drummond de Andrade, Um Buquê de Alcachofras, p. 32). Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5.0 © O Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa corresponde à 3ª. edição, 1ª. impressão da Editora Positivo, revista e atualizada do Aurélio Século XXI, O Dicionário da Língua Portuguesa, contendo 435 mil verbetes, locuções e definições. ©2004 by Regis Ltda.

[2] FERNANDES, Florestan - A Integração do negro na sociedade de classes. São Paulo: Editora Ótica, 1978, p. 19-20.

[3] Doméstica [F. de doméstico (4).] Substantivo feminino. 1.Empregada doméstica; empregada, criada. [Cf. domestica, do v. domesticar.] Op. Cit.
[4] Mucama [Do quimb. mu’kama, ‘amásia escrava’.] Substantivo feminino. 1. Bras. Angol. A escrava negra moça e de estimação que era escolhida para auxiliar nos serviços caseiros ou acompanhar pessoas da família, e que, por vezes, era a ama-de-leite. [Var. (bras.): mucamba e camba2. Cf. macuma.]. Idem, ibidem.
[5] Criada [Fem. de criado (2 e 3).] Substantivo feminino. 1.Mulher empregada no serviço doméstico; empregada, doméstica. Idem, ibidem.
[6] Servo (é) [Do lat. servu.] Substantivo masculino. 1.Aquele que não têm direitos, ou não dispõe de sua pessoa e bens. 2.Na época feudal, indivíduo cujo serviço estava adstrito à gleba e se transferia com ela, embora não fosse escravo. 3.Criado, servidor, servente; serviçal. 4. Escravo (6): servo do dever. Adjetivo. 5.Que não é livre. 6.Que presta serviços; serviçal. 7.Que tem a condição de criado ou escravo. [Cf. cervo.] serva [Do lat. serva.] Substantivo feminino. 1.Criada, empregada. 2.Mulher absolutamente sujeita a outrem; escrava. [Cf. cerva.]. Idem, ibidem.
[7] BIBLIOTECA Nacional. Setor de Microfilmes. Jornal do Commercio, 01 de janeiro de 1888; 08 de janeiro de 1890; e 14 abril de 1901.

[8] FERNANDES, Florestan -- Op. Cit. p. 17-29.
Por Ricardo Corrêa Peixoto
Colunista Brasil Escola
Historiador, pesquisador e estudioso da História dos Marginais, autor de diversos artigos e ensaios sobre exclusão social, transição Império-república, escravismo-capitalismo.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A meningite SEM´RE APARECER,,,

As meninges: dura-máter, pia-máter e aracnoide
As meninges: dura-máter, pia-máter e aracnoide
A meningite é uma doença que consiste nainflamação das meninges – membranas que envolvem o encéfalo e a medula espinhal. Ela pode ser causada, principalmente, por vírus ou bactérias. O quadro das meningites virais é mais leve e seussintomas se assemelham aos da gripe e resfriados. Entretanto, a bacteriana – causada principalmente pelos meningococos, pneumococos ou hemófilos – é altamente contagiosa e geralmente grave, sendo a doença meningocócica a mais séria. Ela, causada pela Neisseria meningitidis, pode causar inflamação nas meninges e, também, infecção generalizada (meningococcemia). O ser humano é o único hospedeiro natural desta bactéria cujas sequelas podem ser variadas: desde dificuldades no aprendizado até paralisia cerebral, passando por problemas como surdez.
A transmissão se dá pelo contato da saliva ou gotículas de saliva da pessoa doente com os órgãos respiratórios de um indivíduo saudável, levando a bactéria para o sistema circulatório aproximadamente cinco dias após o contágio. Como crianças de até 6 anos de idade ainda não têm seus sistemas imunológicos completamente consolidados, são elas as mais vulneráveis. Idosos e imunodeprimidos também fazem parte do grupo de maior suscetibilidade.

A doença chega a matar em cerca de 10% dos casos e atinge 50% quando a infecção alcança a corrente sanguínea e é este um dos motivos da importância do tratamento médico. Febre alta, fortes dores de cabeça, vômitos, rigidez no pescoço, moleza, irritação, fraqueza e manchas vermelhas na pele (que são inicialmente semelhantes a picadas de mosquitos, mas rapidamente aumentam de número e de tamanho, sendo indício de que há uma grande quantidade de bactérias circulando pelo sangue) são alguns dos seus sintomas.
A doença meningocócica tem início repentino e evolução rápida, pode levar ao óbito em menos de 24 a 48 horas. Para a confirmação diagnóstica das meningites, retira-se um líquido da espinha, denominado líquido cefalorraquidiano, para identificar se há ou não algum patógeno e, se sim, identificá-lo. Em caso de meningite viral, o tratamento é o mesmo feito para as viroses em geral; caso seja meningite bacteriana, o uso de antibióticos específicos para a espécie, administrados via endovenosa, será imprescindível.

Geralmente a incidência da doença é maior em países em desenvolvimento, especialmente em áreas com grandes aglomerados populacionais. Tal constatação pode ser justificada pela precariedade dos serviços de saúde e condições de higiene e pela facilidade maior de propagação em locais fechados ou aglomerados. Por este último motivo é que, geralmente, a doença é mais manifestada no inverno – quando tendemos a buscar refúgios em locais mais fechados para fugirmos do frio.

Para a meningite, as vacinas mais utilizadas são a bivalente, a tetravalente e a monovalente, em menores de 2 anos. Entretanto, não existe ainda vacina para alguns sorotipos da doença.

Evitar o uso de talheres e copos utilizados por outras pessoas ou mal lavados e ambientes abafados são formas de se diminuir as chances de adquirir a doença. Manter o sistema imunológico fortalecido e seguir corretamente as orientações médicas, caso tenha tido contato com alguém acometido pela doença são, também, medidas importantes.
E lembre-se: nunca use remédios sem prescrição médica.
 
O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:A automedicação pode ter efeitos indesejados e imprevistos, pois o remédio errado não só não cura como pode piorar a saúde.

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