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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Escola infantil envolve comunidade para debater racismo e gênero na educação/“Neguinha, não. Meu nome é Shirley”

Escola infantil envolve comunidade para debater racismo e gênero na educação

 

Por Juliana Sada, do Centro de Referências em Educação Integral 
Quando pequenas, é comum as crianças se divertirem imaginando o que serão quando “grandes”. Brincam de médicas enquanto examinam uma boneca. Com as mãos no volante imaginário, pensam ser motoristas pelas cidades. Segurando um lápis e com uma parede à frente, as crianças podem se transformar em professoras diante dos alunos-ursos de pelúcia.
Os sonhos são dos mais diversos e podem vir do mundo da imaginação ou das vivências de seu cotidiano – às vezes revelando a crueldade da realidade. Enquanto duas crianças brincavam em uma escola de educação infantil na zona sul de São Paulo, no bairro Jardim Maria Luiza, uma professora acompanhava de perto e escutava o que diziam. Surpresa, a educadora ouviu uma garota de três anos dizer: “quando crescer, eu quero ser branca”.
A surpresa da professora logo se tornou questionamento e reflexão partilhados com outros profissionais do Centro de Educação Infantil (CEI) Onadyr Marcondes. Quais experiências esta menina teve para se sentir assim? O que ela vivenciou que trouxesse uma negação da sua etnia? Quais estímulos ela recebeu nestes apenas três anos de vida para pensar que ser branca era melhor que ser negra?
Diversidade é exaltada no projeto político pedagógico da escola.
Diversidade é exaltada no projeto político pedagógico da escola.
A escola não tinha mais como não escutar e observar com atenção o contexto de seus alunos. A desvalorização do negro e da cultura afro-brasileira saltou aos olhos dos educadores que passaram a escutar a “fala” dos pequenos, observando suas atitudes. Como, por exemplo, o caso de crianças que não brincavam com as bonecas negras e preferiam as brancas, mesmo que estas estivessem quebradas. Outro tema que chamou a atenção foi o sexismo e a questão de gênero. Havia casos, entre outros, de garotas reclamando que os meninos não as deixavam jogar futebol “porque não é coisa para menina”.
A escuta atenta das crianças revelou muito do contexto em que viviam. Em uma aula sobre a chuva, a professora perguntou “quem aqui gosta da chuva?”. E quase todos os alunos disseram que sim, contando o porquê. Depois de um tempo, um garoto levantou a mão e disse que não gostava de quando chovia. O porquê? “Porque quando chove, a água entra na minha casa.”
Além do processo de observação, a escola decidiu conhecer de perto a realidade de seus alunos e passou a realizar uma caminhada anual pelo bairro. Após um aviso e junto às lideranças comunitárias, todos os funcionários da escola – professores, merendeiras, vigilantes e da limpeza – caminharam pelas ruas, vielas e becos percorridos pelas crianças e suas famílias e conheceram suas casas e seu território. A caminhada se repete há oito anos, com a comunidade cada vez mais receptiva e com os educadores enxergando esse exercício como um momento de colher matéria-prima para o seu trabalho. “Passamos a pensar as demandas das crianças e o que a escola pode oferecer”, relata a assistente de direção da unidade, Jacilene Ferreira de Lima.
Da constatação à ação
A partir das necessidades das crianças e da comunidade, a instituição tomou como prioritário no projeto político pedagógico tratar as temáticas das igualdades de gênero e racial. Neste processo, a escola se assumiu como um espaço de construção de conhecimento e como um ator na busca pela justiça social. “Temos que pensar qual conhecimento é necessário para a vida da criança, como para aquela que vê o córrego entrar em sua casa”, defende a diretora da Onadyr, Maristela Bayer Nepomuceno.
A escola passou a introduzir estas temáticas nas atividades realizadas junto às crianças ao mesmo tempo em que começou a realizar formações com todos os funcionários da escola. Este processo iniciado há oito anos, está em constante construção e aprimoramento.
Como o público do CEI são alunos pequenos – de bebês de sete meses até crianças de cinco anos – é preciso pensar em uma abordagem específica para apresentar as temáticas. “Valorizamos o momento das brincadeiras e levamos uma intencionalidade pedagógica a ele”, explica Jacilene.
Por meio das Rodas de Histórias, narrativas afro-brasileiras, que valorizam a cultura negra ou que discutem a igualdade, racial ou de gênero, são apresentadas às crianças. A escola também se vale do teatro, da poesia, da música, das danças, da culinária e das artes plásticas para criar um universo de pluralidade e enaltecer as diferenças. A instituição também promove ações de valorização da diversidade, como o desfile das belezas brasileiras.
Valorização da beleza de cada criança é ponto forte da escola
Valorização da beleza de cada criança é ponto forte da escola
Reprodução
No entanto, não há um currículo ou atividades já determinadas e as questões vão sendo debatidas à medida que vão surgindo. “Há uma problematização de cada profissional a partir do que acontece na sala de aula”, relata a assistente. Assim, a partir de uma fala de um aluno de que “meninos não dançam balé”, a escola fez atividades mostrando o trabalho de grandes bailarinos, realizou oficinas de danças e uma apresentação em que todos participaram. Em outro caso, enquanto as meninas eram maquiadas para um desfile, um menino disse que também queria. Mesmo com o temor do que os pais poderiam pensar se a criança chegasse maquiada em casa, a decisão da professora junto à direção foi de deixar o garoto brincar com a maquiagem como desejasse.
Repensar constante e conjunto
A realização destas atividades demanda espaço de formação e reflexões constantes dos educadores. A tarefa se torna ainda mais necessária diante da alta rotatividade dos professores e pelo fato de que a formação acadêmica dos docentes, em geral, não leva em consideração tais temáticas e debates. “Ninguém dá o que não tem”, afirma Jacilene. “É um olhar que deve ser construído”.
De terça à quinta-feira, ao final do dia, a equipe da escola se reúne para um momento de debate. Como todos são considerados educadores, todos participam do espaço: professores, merendeiras, vigilantes e as equipes de limpeza e do administrativo. “Temos essa formação para fazer uma reflexão e não naturalizarmos as práticas”, explica a coordenadora pedagógica, Joyce Anne Mol Semmler. Além disso, são realizadas formações externas oferecidas pela secretaria municipal e também com convidados que são levados aos espaços da escola.
Educadores encenam a história de Obax, uma garota sonhadora que vive na savana africana
Educadores encenam a história de Obax, uma garota sonhadora que vive na savana africana
Reprodução
A instituição tem clareza de que é necessário envolver as famílias das crianças para que o projeto político pedagógico tenha êxito. “Escola boa se faz junto à comunidade”, defende Joyce. O CEI aproveita os encontros mensais do Conselho para debater junto às famílias os temas que a instituição trabalha. Assim, a escola tenta quebrar estereótipos como o de que “homem não chora”, de que há brinquedos de menina e de menino, ou de que a responsabilidade da família é apenas da mulher. A cada início de ano também há um momento de acolhimento dos pais, apresentando a agenda e proposta da instituição.
Aliás, o debate sobre o que é a família é forte na escola: entendendo que essas não são definidas apenas como um pai, uma mãe e os filhos, a escola assumiu essa realidade e a trouxe para o debate. Ao invés dos dias dos pais e das mães, a escola promove o dia da figura feminina e o da masculina. Assim, os alunos levam à instituição aqueles que representam essa figura: avós, irmãos, tios, padrinhos, ou quem quer que seja. Esses dias comemorativos são oportunidades para questionar esses papeis e seus significados. A CEI também optou por não comemorar datas comerciais ou religiosas, promovendo mostras culturais ou festas temáticas para que as famílias frequentem. A escolha possibilitou que famílias evangélicas, que antes não se sentiam à vontade nas festas católicas, passassem a frequentar as comemorações no espaço.
“Neguinha, não. Meu nome é Shirley”
Os impactos das ações em prol da igualdade são sentidos diariamente nestes oito anos de ações do CEI. As famílias e os educadores percebem um aumento na autoestima das crianças e na aceitação e valorização de sua condição. Em uma reunião de conselho de pais, uma mãe relatou que a filha de três anos foi chamada de “neguinha” pelo motorista do transporte escolar e respondeu prontamente: “Eu não sou neguinha. O meu nome é Shirley”. Educadores relatam que as crianças passaram a valorizar as bonecas negras, achando-as bonitas e até se identificando com elas. Até a arrumação das meninas mudou e hoje os cachos soltos são comuns. “Antes as meninas vinham só de trança ou cabelo preso e as mães falavam que era por conta de piolho. Mas a gente sabe que tem uma questão de preconceito por trás”, conta a diretora Maristela.
As discussões sobre gênero também dão frutos. Talvez a mudança mais representativa seja o crescimento do número de homens que participam dos conselhos e das atividades promovidas pela escola. “Antes não vinham”, relembra Joyce. Os educadores também relatam caso de meninos que dizem que podem sim brincar de boneca e de familiares que reconhecem o quão opressor é dizer que “menino não pode chorar”.

 

Coletivo resgata tranças e penteados afro para valorizar identidade da mulher negra

Manifesto Crespo
Quando essa preta
Começa a tratar do cabelo
É de se olhar
Toda trama da trança
Transa do cabelo
Conchas do mar
Ela manda buscar
Pra botar no cabelo
Toda minúcia, toda delícia…
Estes versos da música Beleza Pura, de Caetano Veloso, estão sempre presentes nas oficinas Tecendo e trançando arte, dadas pelo Coletivo Manifesto Crespo. Formado por quatro mulheres, o grupo discute as questões do universo da cultura afro-brasileira e busca fortalecer a memória e a autoestima de mulheres negras sob o viés da valorização do cabelo crespo.
Foi a partir da seleção em um edital da VAI (Valorização de Iniciativas Culturais) que o coletivo começou a tomar forma – apesar de todas as integrantes já possuírem relação direta com a temática. Denna Hill, por exemplo, é trancista desde adolescente; Nina Vieira trabalha fotografando cabelos. Lúcia Udemezue e Thays Quadros completam a formação do Manifesto Crespo.
Oficina de tranças no Sesc Pompéia.
Oficina de tranças no Sesc Pompéia.
Nina Vieira
“O cabelo é uma das partes mais intrincadas do corpo negro. Especificamente na mulher, ele aparece com muita força: a mulher negra não é referência nem padrão de beleza na sociedade”, afirma Denna, que sustenta um volumoso cabelo encrespado. “Por conta disso, sofremos muita violência estética e isso gera várias consequências, principalmente no processo de formação ao longo da vida.”
Patrimônio imaterial
A trança possui a tradição de ser um aprendizado geracional, quando mães e avós ensinam as filhas a usá-las e praticá-las. Para Nina, trata-se de “um patrimônio imaterial”. “Minha mãe me ensinou a fazer trança quando tinha sete anos, eu aplicava muito nas bonecas. Morávamos com minhas primas e passei a trançar o cabelo delas. Como eram três meninas em casa, uma trançava o cabelo da outra”, rememora Denna, que, quando adolescente, passou a trançar em salões de beleza. Mesmo assim, alisou o próprio cabelo até os 21 anos.
Manifesto Crespo“Quando comecei a ter contato com pessoas que circulavam nas frentes de diálogos raciais e movimentos negros, comecei a repensar essa questão do alisamento”, relembra. “Um dia, cheguei em casa e pedi para minha mãe tirar todo o alisamento da minha cabeça. Ela chorou. Na época, ela alisava muito e não conseguia se libertar disso. Hoje, tem um blackpower e nem se imagina sem ele.”
A mulher negra não é referência nem padrão de beleza na sociedade
Já Nina utiliza dreadlocks há mais de sete anos. “Quando criança, minha mãe fazia em mim trancinhas bem fininhas. Era lindo, um ritual do final de semana, ela sempre cuidou com muito carinho e amor do meu cabelo. Mas aí chegava na escola e vinha aquele monte de apelido, zoação e segregação”, lamenta. “Convivi muito com esse contraponto. Em casa era lindo, e na escola era um bombardeio de racismo. Passei a usar o cabelo solto, mas minha mãe não deu conta e rapidinho já passou um alisante.”
No Ensino Médio, Nina fez tranças com lãs coloridas e descobriu que não mais precisaria alisar o cabelo. “Daí por diante foi só reflexão sobre a questão do corpo, do cabelo, a minha aparência, o quanto isso reflete e referencia as pessoas.”

Manifesto Crespo
Eu vou pentear os meus cabelos 
Depois vou falar pra mina ali trançar os meus cabelos
Eu vou lavar os meus cabelos
Secá, pintá, alisá, cerá meus cabelos
Eu vou raspar os meus cabelos
Vou ficar penteando com escovinha de dedo os meus cabelos
Eita é cabeleira pra daná, aonde é que isso vai dar 

As oficinas do Manifesto Crespo ensinam quatro técnicas de trançagem, além de outras maneiras de pentear o cabelo crespo – o turbante faz grande sucesso entre as participantes. Realizadas inicialmente em espaços comunitários como o Quilombaque de Perus, os CEUs de Guaianazes e Inácio Monteiro, o Cedeca e os ensaios do bloco Ilú Obá de Min, com a chegada do patrocínio do VAI, o grupo passou a frequentar espaços maiores, como SESCs e ONGs.
A atividade começa com uma dinâmica de grupo, na qual cada participante conta um pouco de sua história capilar. Então, há espaço para reflexão sobre o assunto, seguida da parte prática.
Técnicas de turbante também são ensinadas durante as oficinas.
Técnicas de turbante também são ensinadas durante as oficinas.
Nina Vieira
As oficinas do Manifesto Crespo geraram empreendimentos focados na beleza negra. Uma ex-participante fundou a Makeda Cosméticos, uma empresa que desenvolve shampoo e cremes hidratantes para cabelos crespos e leva o nome de uma rainha africana.  Outro negócio inovador, fruto do contato com as oficinas, é a Boutique de Krioula, que vende turbantes pela internet e já virou referência no Brasil.
“Normalmente o cabelo está sempre associado à uma questão negativa para as mulheres negras. ‘Quando eu era criança todo mundo na escola me chamava de medusa’ é um relato muito frequente. É a partir dessas percepções que começamos esse trabalho de gênero e raça, tentando minimamente desconstruir essa ideia pronta de que o corpo negro é um corpo feio.”
Para Nina, é muito duro aceitar que o corpo negro seja depreciado historicamente.“Sempre tem algo para ser desconstruído: é o cabelo chamado de duro e ruim, o corpo visto como feio e desajeitado. Existe um padrão de beleza inatingível muito reforçado pelos veículos de comunicação de massa que não atinge a todas as mulheres, mas com as meninas negras isso é muito potencializado.”
As oficinas costumam reunir 20 pessoas de idades variadas – inclusive homens. “Queremos que os homens entendam que esse tema não é só para mulher, há uma discussão de gênero também. É sempre gratificante e muito rico quando homens aparecem, e é legal que muitas vezes eles são mais participativos que as mulheres, chegam para falar, perguntar e aprender”, aponta Denna. “Afinal, muitos dos relatos femininos de experiência com o corpo, de depreciação e degradação, estão ligados ao homem.”
Dentro daquele turbante
Do filho de Gandhi
Manifesto CrespoÉ o que há
Tudo é chique demais
Tudo é muito elegante
Manda botar!
Fina palha da costa
E que tudo se trance
Todos os búzios
Todos os ócios…
Em parceria com a União Popular de Mulheres do Campo Limpo, o coletivo recentemente foi laureado com o Prêmio Lélia Gonzalez – Protagonismo de organizações de mulheres negras, que possibilitará a realização das oficinas em cinco territórios do estado de São Paulo. “Em 2014 ultrapassamos as barreiras da cidade, e o trabalho está começando a se expandir para outros lugares”, comemora Nina.
Sempre tem algo para ser desconstruído: é o cabelo chamado de duro e ruim, o corpo visto como feio e desajeitado
O primeiro desses trabalhos aconteceu no Quilombo da Caçandoca, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Em dezembro de 2014, o coletivo realizou oficinas de tranças e turbantes com a comunidade quilombola, que as recebeu “com muito carinho, acolhimento e atenção”, segundo Nina.
Participantes da oficina "Tecendo e trançando arte" no quilombo de Caçandoca (Ubatuba/SP).
Participantes da oficina “Tecendo e trançando arte” no quilombo de Caçandoca (Ubatuba/SP).
Nina Vieira
Ainda haverá visitas à aldeia indígena Tenondé Porã, em Parelheiros (extremo sul de São Paulo); ao Jongo Dito Ribeiro, em Campinas; à Festa de São Benedito, em Tietê; e ao Teatro Popular Solano Trindade, em Embu das Artes.

FILMOTECA orgulho de ser negro...

Em 1970, o ator e diretor Ossie Davis lançava o filme “Rififi no Harlem”, considerado o primeiro filme do que viria a ser conhecido como “Blaxpoitation”, um gênero protagonizado, dirigido, roteirizado e produzido por negros nos Estados Unidos, que teve seu auge nos anos setenta. Filmes policiais, de gângsters, faroeste e até de terror eram “sampleados”, nas palavras do crítico de cinema, pesquisador e especialista no gênero Heitor Augusto.
heitorHeitor Augusto é crítico de cinema e pesquisador, educador e está preparando um livro sobre blaxpoitation que deverá ser publicado até o final de 2015. Escreve para a revista Interlúdio e mantém o site http://ursodelata.com/.
“Blaxpoitation significou uma explosão do negro no cinema, tanto na frente das câmeras, protagonizando suas histórias, nos seus lugares, como também atrás das câmeras”, afirma o crítico. Para ele, esse conjunto de filmes, reflete uma radicalização no pensamento negro. “Eles abriram mão de um discurso conciliador, melhorista, para dizer: essa é nossa hora, queremos ser protagonistas de nossas histórias. Isso é black power. Isso é gritar que Black is beautiful (“O negro é lindo”) e Say it loud, i’m black and i’m proud(Grite, sou negro e orgulhoso)”.
Talvez você já tenha ouvido falar do gênero a partir de suas referências no cinema atual, mais notadamente nas obras de Spike Lee e Quentin Tarantino (com Jackie Brown e Django Livre). Mas quando ele apareceu, foi uma revolução nas salas de cinema dos EUA. Pela primeira vez, o país que teve um dos alicerces de seu cinema no “Nascimento de uma nação”, de D.W. Griffith, que conta a história do surgimento da organização de supremacia branca Klu Klux Klan, e na qual os negros sempre apareciam em papéis secundários ou subalternizados – quando apareciam – passou a ter parte de sua população representada e representando nas grandes telas.
Mas tampouco era o único passo: os anos setenta se forjaram, para o povo negro norte-americano, na sequência das lutas pelos direitos e civis e os consequentes assassinatos de Malcom X e Martin Luther King. Os negros tornaram-se sujeitos de direitos, mas ainda sofriam – e sofrem – com os efeitos de centenas de anos de segregação racial e escravidão. Enquanto os panteras negras organizavam as comunidades, Sun Ra criava o afrofuturismo, James Brown cantava o funk e havia a progressiva afirmação de uma estética negra que, segundo Augusto, “não pedia licença para existir”. “Existe porque tem orgulho da negritude, de seu passado e sabem que isso lhes dá força, dá distinção, lhes dá poder”.
E o que resgatar esse gênero hiperbólico, muitas vezes criticado, tem a dizer para o Brasil, nosso cinema e aos brasileiros? Para o crítico, que atualmente trabalha em um livro sobre o tema, o Blaxpoitation ainda pode comunicar muito aos jovens. “Muitas das situações retratadas nos filmes, a falta de perspectiva, as drogas, a opressão, a violência policial, a raiva do sistema. Qualquer moleque negro manja disso. No “Cleopatra Jones” tem uma cena de esculacho no qual a polícia planta heroína – de verdade! – em uma pessoa. Quantos meninos não viveram isso? Quanto isso não ajuda a ilustrar nossa realidade?”, questiona Augusto.
Na última semana, o Portal Aprendiz publicou uma reportagem sobre o projeto “Manifesto Crespo”, que trabalha com a questão da identidade negra a partir do cabelo. “O cabelo é uma das partes mais intrincadas do corpo negro. Especificamente na mulher, ele aparece com muita força: a mulher negra não é referência nem padrão de beleza na sociedade. Por conta disso, sofremos muita violência estética e isso gera várias consequências, principalmente no processo de formação ao longo da vida”, afirmou, então, a trancista Denna Hill. Para engrossar esse caldo, lembramos do período cinematográfico que gritou que o negro é lindo e imortalizou o black power – estilo de cabelo conhecido como “afro”, que no Brasil ganhou a alcunha do movimento de resistência negra – e pedimos que Heitor Augusto nos indicasse dez filmes. Confira abaixo:
Sweet Sweetback’s Baadasssss Song (1971)
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Dirigido, produzido e protagonizado por Melvin Van Peebles, o filme conta a história de um homem em fuga da opressão da polícia branca. Com trilha sonora do Earth Wind & Fire, é destacado por Augusto por ter uma das melhores trilhas do gênero e por ser um “road movie” com um herói forasteiro e foragido, que “desafia um estado e uma polícia racista”.
A obra foi considerada por Huey P. Newton, fundador do movimento Panteras Negras, como fundamental e passou a ser bibliografia obrigatória para todos os membros do grupo.
Shaft (1971)
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“A quintessência do cool”. Assim Heitor Augusto lembra do filme de 1971, reeditado em 2000 com Samuel L. Jackson como protagonista. Mas o que é o cool? Para explicá-lo, uma breve digressão com a ajuda da biografia de Walt Frazier, ex-jogador de basquete.
“O cool é uma qualidade admirada nas comunidades negras. Ser cool é questão de auto-preservação e sobrevivência. Deve vir do tempo da escravidão, quando muitas vezes tudo que um negro tinha para se defender era sua postura. Se ele demonstrasse medo ou raiva, ele sofreria as consequências. Hoje, o cara respeitado no gueto é aquele que resiste ao impulso de explodir – que consegue lidar consigo mesmo numa crise, que consegue sair de uma briga no papo.
O cool também provê uma uma defesa para a comunidade no gueto. É usada contra adversidades coletivas como, por exemplo, contra os policiais, que são mal vistos nas comunidades. (…) Algumas pessoas podem achar que o cool é um afastamento de sentimentos reais. Mas às vezes, manter o cool é a coisa mais sensível a se fazer”.
Essa atitude, marcada por um distanciamento contemplativo e elegante, que proliferou também na indústria cultural, é evidente na cena de abertura do filme, que narra a história de um policial negro, Shaft, interpretado por Richard Roundtree (veja abaixo).
Superfly (1972)
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 Superfly narra a história de Youngblood Priest, um traficante de drogas que quer largar o ramo e mudar de vida. A trilha sonora, feita por Curtis Mayfield, se tornou mais famosa que o filme, que segundo Augusto, “tem a coragem de trazer um herói politicamente incorreto, um sujeito em crise, uma formiguinha cansada de trabalhar nessa máquina”. Uma curiosidade: A canção “Freddie’s Dead”, da trilha do filme, foi sampleada por KL Jay na faixa “Mano na porta do bar”, dos Racionais Mcs.
Cleopatra Jones (1973)
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Cleopatra é uma agente anti-tráfico de drogas. Após queimar um campo de papoula, – numa cena cheia de grandiloquência e estilo – seu maior inimigo jura acabar com ela. Para Heitor, além de trabalhar com o feminino, este filme é “significativo na questão do orgulho negro, de ser negro, do pegar o que te faz negro e transformar isso em algo positivo”.
Ganja and Hess (1973)
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Um arqueólogo (Hess) é mordido por um vampiro e se apaixona por sua assistente (Ganja). O filme inspirou “Da Sweet Blood of Jesus”, dirigido por Spike Lee, e apresentado em Cannes no ano passado. O tema do vampirismo foi considerado pelo crítico Scott Foundas como uma metáfora da “assimilação negra, imperialismo cultural branco e da hipocrisia das religiões organizadas”.
“É o melhor filme, em termos de cinema, já feito em blaxpoitation. É uma subversão dos filmes de vampiro, ao mesmo em que é um filme reflexivo sobre um autor negro, que pensa as demandas que ele tem que atender, os desejos dele como autor, os desejos da comunidade negra e as pressões e condições de produção dentro do cinema americano”, arremata Heitor Augusto.
The Mack (1973)
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O filme de maior renda do gênero, protagonizado por Richard Pryor. Entendido por seu diretor, Michael Campus, como um comentário social e não um blaxpoitation, ele retrata a história de um cafetão. “O herói é um cafetão, mas é um cafetão reflexivo. Apesar de, nas aparências, fazer uma espécie de glamourização desse universo e de sua ascensão social, é também bastante crítico nas entrelinhas ao mostrar que esse processo é frágil, muito frágil”, aponta Augusto.
Black Caesar (1973)
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O filme conta a história de Tommy Gibbs, um jovem negro que é espancado por um policial branco quando criança e, ao se tornar adulto, vira o chefão da máfia local. Para Heitor Augusto, o filme merece destaque por “samplear uma mitologia branca de cinema, acessando códigos tradicionais do filme de gangstêr branco, especificamente o Scarface, de 1933, no qual os negros não participavam. Há uma apropriação disso em um ambiente altamente negro”, conclui.
Foxy Brown (1974)
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Estrelando a diva Pam Grier, que depois viria a aparecer em Jackie Brown (1997), de Quentin Tarantino, o filme conta a história de uma mulher que, após ter seu namorado assassinado, se infiltra no mundo da prostituição para libertar mulheres negras de uma vida de torpor e escravidão, e conseguir vingança pessoal. “Tal qual Cleopatra Jones, a protagonista é uma mulher forte e independente, segura e também consciente do poder que sua negritude traz”, analisa Heitor.
Space in the place (1974)
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Sun Ra, o renomado músico de jazz, aterrissa em outro planeta onde está livre das perseguições do homem branco e resolve fazer lá, junto com sua orquestra, uma nova civilização. O meio de transporte para essa mundo? A música. “O filme reverbera por ter no centro do seu enredo a questão do afrofuturismo, que é uma corrente de pensamento fundamental para se entender a experiência negra da diáspora. E que ainda reverbera na cultura negra de hoje: basta ouvir com atenção a obra de Janelle Monaè”, analisa Heitor.
A estética do afrofuturismo, da qual Sun Ra foi um dos criadores e expoentes, junto com o Parliament de George Clinton, imagina a exploração espacial protagonizada por negros, fazendo metáforas da ascensão – presente no cancioneiro negro desde a escravidão – e da experiência, de estranhamento e deslocação da diáspora, da abdução de sua terra-mãe, a África. A capacidade de imaginar artisticamente outras realidades, não como fuga, mas como possibilidade, está presente na música do jazzista e encontra sua solução visual nesse filme.
Mandingo (1975)
mandingo-interna
O tema deste filme apareceu recentemente no Django Livre, de Quentin Tarantino. Ele conta a história de negros que eram treinados por um senhor de escravos para lutarem entre si, numa espécie de luta livre sangrenta. “É um filme audacioso por trabalhar com esterótipos, arquétipos e fetiches de outra maneira”, afirma o crítico.
Observação: os filmes aqui indicados são de temática adulta.

Escola é o espaço onde crianças de religiões afro mais se sentem discriminadas, afirma pesquisadora

A escola não é um dado. Ela nem sempre existiu, e tampouco sempre foi do jeito que conhecemos hoje. Em sua construção e consolidação como instituição social, ela passou por diversas transformações e foi moldada por determinados setores. É o que o professor Jurjo Torres, em entrevista ao Portal Aprendiz, chama de currículo oculto da educação.
Lembrando da imagem do Cavalo de Troia, Torres afirma que existem muitas aprendizagens não intencionais, ou seja, que não estão no programa do professor de maneira expressa. “São as consequências das cosmovisões e ideologias nas quais fomos educados e assumimos como ‘naturais’, ‘óbvias’ e ‘lógicas’.
Uma ideologia, quando se torna hegemônica, se plasma em determinadas práticas, rotinas, tradições, motivações e interesses que, de uma maneira consciente e reflexiva, nós não tratamos de trazer à luz, investigar, analisar e questionar. Esses tipos de tarefas que programamos e que cremos que são educativas pois são parte do ‘senso comum’, ‘sempre foram assim’, ‘aprendi assim’”.
E como isso se dá numa sociedade com passado escravocrata e um presente que ainda padece de diversas formas de racismo?
Essas e outras perguntas estão presentes na pesquisa de Stela Guedes, doutora em educação e professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ (PROPED-UERJ) e autora do livro  “Educação nos terreiros – e como a escola se relaciona com crianças de candomblé”, lançado em 2012.
Ao longo de 20 anos de pesquisa, a professora buscou analisar o preconceito contra religiões de matriz africana no ambiente escolar e as dificuldades da implementação da lei 10.639, de 2003, que prevê o ensino de cultura e história afro-brasileira e africana nas escolas e descobriu que, para os estudantes de religiões afro que frequentam as instituições de ensino brasileiras, esse é o espaço onde mais se sentem discriminados.
: Primeiro, temos de reconhecer que o Brasil é um país racista. Esse é o primeiro passo para olharmos para os espaços sociais
“Primeiro, temos de reconhecer que o Brasil é um país racista. Esse é o primeiro passo para olharmos para os espaços sociais.”
Arquivo Pessoal
“Uma vez entrevistei uma professora de Ensino Religioso que afirmava que a disciplina não era proselitista e não discriminava e que, na mesma resposta, comemorava o fato de ter tido no ano anterior 8 alunos ogans que se converteram ao cristianismo (ogan é um cargo masculino cuja responsabilidade são muitas, entre elas, tocar os atabaques nos rituais). A escola, que é o lugar dos diferentes entre si por natureza, deveria ser o lugar mais preparado para não só lidar, mas também para aprender profundamente com essas diferenças. Infelizmente não é”, afirma Stela.
Para ela, a “escolarização pública em nosso país foi e continua sendo marcada pelo espírito de catequese” e precisa ser transformada. A pesquisadora, que ministrará neste mês o curso “A escola e o terreiro: diversidade e educação antirracista em pauta”, em São Paulo, conversou por e-mail com o Portal Aprendiz, sobre os resultados de sua pesquisa, o caráter racista da educação brasileira e os possíveis caminhos para uma educação antirracista e transformadora. Confira:
Portal Aprendiz: Bom, começaria com o título de seu livro: como a escola se relaciona com as crianças do Candomblé? Quais foram as principais descobertas dos seus mais de 20 anos de pesquisa?
Stela Guedes: A escolarização pública em nosso país foi e continua sendo marcada pelo espírito de catequese. Não é difícil entender o porquê. Em 1549, trazidos pelo governador geral Tomé de Souza, três jesuítas chegam ao país e, em Salvador, fundaram o colégio da Companhia de Jesus. Duzentos e dez anos depois, quando os jesuítas foram expulsos do Brasil, o ensino público passou para as mãos de outros setores da igreja católica. Quase 500 anos depois e, apesar de, em 1891, a primeira Constituição republicana ter separado Estado de Igreja e afirmar que “será leigo o ensino ministrado nos estabelecimentos públicos”, o papel da escola pública ainda é catequisar e converter. A conversão é um conceito amplo e não se refere apenas a conversão religiosa. A conversão é uma submissão à lógica dominante que aí sim diz respeito a uma padronização em função da religião dominante, aos valores dominantes conservadores sobre família, sexualidade, aparência, raça, ou seja, aos modos de ser, estar, crer, não crer e agir no mundo. Dentro dessa lógica a escola não acolhe as diferenças entre elas, as diferenças religiosas. Em mais de 20 anos de pesquisa todas as crianças e jovens de candomblé são unânimes quando afirmam que todos os espaços da sociedade são cruéis, mas nenhum lugar é tão cruel quanto a escola quando se trata de humilhar e excluir alunos e alunas de candomblé ou umbanda.
Aprendiz: Que tipos de impactos sociais uma educação intolerante e racista pode trazer?
Stela: Primeiro, temos de reconhecer que o Brasil é um país racista. Esse é o primeiro passo para olharmos para os espaços sociais e entendermos que todos eles são espaços racistas. Isso porque o racismo é um sistema em que um grupo se considera superior e submete de diversas formas um outro grupo considerado inferior. O mais fundamental é, ainda, entender que fomos educados em uma escola branca, cristã e racista. Então a pergunta deve ser “Que tipo de impactos e consequências a nossa sociedade e, portanto, a nossa educação racista nos trouxe? Que tipo de relações criamos?” A dominação colonial na África, como bem se refere o pesquisador Kabengele Munanga, com sua missão “civilizadora”, teve como objetivo reduzir negros e negras ontológica, epistemológica e teologicamente. Isso fez com que os países colonizadores se servissem de seus saques econômicos e históricos. Roubaram por séculos a riqueza material e a história dos povos de África. No nosso caso, negros e negras escravizados não “contribuíram” com a formação do que se chama “povo brasileiro”. Foram os negros e negras roubados, aprisionados, desterrados e escravizados que ergueram esse país.  Uma das consequências quando um grupo de seres humanos passa a se achar superior a outro grupo de seres humanos é a total subtração da história do grupo considerado inferior. Essa foi uma consequência drástica na educação brasileira. A história de um continente inteiro foi subtraída de nossas escolas. Não se trata de ser tolerante. Nenhum indivíduo ou grupo quer ser tolerado. A tolerância, apesar de ser um conceito aparentemente interessante, é sempre uma ação que prevê alguma benevolência ou aceitação daquele ou do grupo considerado como referência nas tensas e complexas relações de poder.  Ou seja, não podendo te eliminar eu te tolero. Não podendo eliminar este ou aquele grupo eu os tolero e aceito. A tolerância sempre exige algum grau de assimilação e estabelece limites. Uma vez ultrapassados os limites do jogo da assimilação, o tolerante deixa de tolerar.
candomblé
“A escola é o lugar dos diferentes e, por ser esse lugar, a escola é um lugar tenso.”
Stela Guedes
Aprendiz: Como a educação poderia se relacionar com os diferentes tipos de saberes? Você saberia mencionar alguma experiência em que um terreiro e uma escola se articularam para discutir história e cultura-afro?
Stela: A escola não tem de tolerar pessoas as quais considera diferente de sua lógica hegemônica. A escola precisa reconhecer que a vida no planeta é constituída por seres humanos diferentes. A escola é o lugar dos diferentes e, por ser esse lugar, a escola é um lugar tenso, porque não há harmonia na diferença e nem pode haver. O ideal é que busquemos a convivência respeitosa entre pessoas e grupos. E essa convivência respeitosa, essa experiência intercultural pautada nos direitos humanos não acontece se um dado conhecimento for erguido ao reino da importância e, portanto, legitimado, enquanto outros tantos conhecimentos são submetidos ao reino da desimportância e, portanto, deslegitimados e excluídos das escolas. A escola deve reconhecer o conflito e apostar nele, para que, a partir das diferenças, todos e todas possam ser vistos e compreendidos uns pelos outros. Não conheço experiências como as que você menciona, conheço projetos individuais de alguns professores e professoras que tentam fazer com que alunos e alunas conheçam terreiros e falem na escola a partir dessa experiência.
Aprendiz: O que mudou desde a aprovação da lei Lei 10.639?
Stela: A Lei 10.639 foi sancionada em 2003 e diz que nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. Todos os pesquisadores e pesquisadoras que estudam a aplicação da lei descrevem inúmeras dificuldades. Falta formação para professores e professoras e o obscurantismo crescente na educação também é um dado que dificulta. Professores, professoras, pais, alunos e alunas, funcionários obscurantistas acreditam que qualquer referência à África é um passaporte para o inferno, pois associam África ao Diabo. Como isso aconteceu? Com a mesma inferiorização dos povos africanos sobre a qual falávamos há pouco. A lei foi uma conquista importante, mas temos muito a caminhar e é preciso uma luta cotidiana contra o racismo, incluindo as faculdades de formação de professores e professoras.
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“Os terreiros de candomblé são espaços de circulação de imensos conhecimentos.”
Stela Guedes
Aprendiz: Porque as crianças afirmam que a escola é o lugar que mais discrimina? Como se dá essa discriminação? Como isso afeta a auto-percepção dessas crianças?
Stela: Por toda essa realidade racista e obscurantista que estamos tratando aqui em todas as perguntas. Uma vez entrevistei uma professora de Ensino Religioso que afirmava que a disciplina não era proselitista e não discriminava e que, na mesma resposta, comemorava o fato de ter tido no ano anterior 8 alunos ogans que se converteram ao cristianismo (ogan é um cargo masculino cuja responsabilidade são muitas, entre elas, tocar os atabaques nos rituais). A escola, que é o lugar dos diferentes entre si por natureza, deveria ser o lugar mais preparado para não só lidar, mas também para aprender profundamente com essas diferenças. Infelizmente não é. Por isso, muitas crianças e jovens sofrem porque são inferiorizados e inferiorizadas.
Aprendiz:  Que tipo de aprendizados podem sair dos terreiros? Como eles podem contribuir para uma educação antirracista e focada nos direitos humanos?
Stela: Os terreiros de candomblé são espaços de circulação de imensos conhecimentos. Crianças, jovens e adultos cultuam seus ancestrais e, se não podemos dizer que o Candomblé é uma religião africana porque é brasileira, podemos dizer que o culto aos ancestrais é comum em toda África. Os negros e negras escravizados para o Brasil chegaram aqui com seus ancestrais e nos ensinaram a amá-los a cultuá-los. Para poder fazer isso, criamos o candomblé que, nos terreiros, foi mantido e ressignificado. As línguas dos povos africanos que aqui chegaram é mantida nos terreiros pela oralidade, e isso se aprende todos os dias, há séculos, em cada casa de axé. História, geografia, biologia, ecologia, filosofia, literatura. Um conjunto de conhecimentos poderosos passados de geração em geração e do qual crianças e jovens se orgulham, mas que, nas escolas, são obrigados a sentirem vergonha daquilo que os anima e os faz viver. A educação nos terreiros não é racista, não discrimina as diversas orientações sexuais, as famílias que se organizam e se formam a partir dessas diferentes orientações sexuais. O candomblecista não discrimina qualquer outra religião. Acredito que, por ser assim, a educação nos terreiros pode ensinar o antirracismo e o humanismo do qual precisamos todos os dias

Escola é o espaço onde crianças de religiões afro mais se sentem discriminadas, afirma pesquisadora

A escola não é um dado. Ela nem sempre existiu, e tampouco sempre foi do jeito que conhecemos hoje. Em sua construção e consolidação como instituição social, ela passou por diversas transformações e foi moldada por determinados setores. É o que o professor Jurjo Torres, em entrevista ao Portal Aprendiz, chama de currículo oculto da educação.
Lembrando da imagem do Cavalo de Troia, Torres afirma que existem muitas aprendizagens não intencionais, ou seja, que não estão no programa do professor de maneira expressa. “São as consequências das cosmovisões e ideologias nas quais fomos educados e assumimos como ‘naturais’, ‘óbvias’ e ‘lógicas’.
Uma ideologia, quando se torna hegemônica, se plasma em determinadas práticas, rotinas, tradições, motivações e interesses que, de uma maneira consciente e reflexiva, nós não tratamos de trazer à luz, investigar, analisar e questionar. Esses tipos de tarefas que programamos e que cremos que são educativas pois são parte do ‘senso comum’, ‘sempre foram assim’, ‘aprendi assim’”.
E como isso se dá numa sociedade com passado escravocrata e um presente que ainda padece de diversas formas de racismo?
Essas e outras perguntas estão presentes na pesquisa de Stela Guedes, doutora em educação e professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ (PROPED-UERJ) e autora do livro  “Educação nos terreiros – e como a escola se relaciona com crianças de candomblé”, lançado em 2012.
Ao longo de 20 anos de pesquisa, a professora buscou analisar o preconceito contra religiões de matriz africana no ambiente escolar e as dificuldades da implementação da lei 10.639, de 2003, que prevê o ensino de cultura e história afro-brasileira e africana nas escolas e descobriu que, para os estudantes de religiões afro que frequentam as instituições de ensino brasileiras, esse é o espaço onde mais se sentem discriminados.
: Primeiro, temos de reconhecer que o Brasil é um país racista. Esse é o primeiro passo para olharmos para os espaços sociais
“Uma vez entrevistei uma professora de Ensino Religioso que afirmava que a disciplina não era proselitista e não discriminava e que, na mesma resposta, comemorava o fato de ter tido no ano anterior 8 alunos ogans que se converteram ao cristianismo (ogan é um cargo masculino cuja responsabilidade são muitas, entre elas, tocar os atabaques nos rituais). A escola, que é o lugar dos diferentes entre si por natureza, deveria ser o lugar mais preparado para não só lidar, mas também para aprender profundamente com essas diferenças. Infelizmente não é”, afirma Stela.
Para ela, a “escolarização pública em nosso país foi e continua sendo marcada pelo espírito de catequese” e precisa ser transformada. A pesquisadora, que ministrará neste mês o curso “A escola e o terreiro: diversidade e educação antirracista em pauta”, em São Paulo, conversou por e-mail com o Portal Aprendiz, sobre os resultados de sua pesquisa, o caráter racista da educação brasileira e os possíveis caminhos para uma educação antirracista e transformadora. Confira:
Portal Aprendiz: Bom, começaria com o título de seu livro: como a escola se relaciona com as crianças do Candomblé? Quais foram as principais descobertas dos seus mais de 20 anos de pesquisa?
Stela Guedes: A escolarização pública em nosso país foi e continua sendo marcada pelo espírito de catequese. Não é difícil entender o porquê. Em 1549, trazidos pelo governador geral Tomé de Souza, três jesuítas chegam ao país e, em Salvador, fundaram o colégio da Companhia de Jesus. Duzentos e dez anos depois, quando os jesuítas foram expulsos do Brasil, o ensino público passou para as mãos de outros setores da igreja católica. Quase 500 anos depois e, apesar de, em 1891, a primeira Constituição republicana ter separado Estado de Igreja e afirmar que “será leigo o ensino ministrado nos estabelecimentos públicos”, o papel da escola pública ainda é catequisar e converter. A conversão é um conceito amplo e não se refere apenas a conversão religiosa. A conversão é uma submissão à lógica dominante que aí sim diz respeito a uma padronização em função da religião dominante, aos valores dominantes conservadores sobre família, sexualidade, aparência, raça, ou seja, aos modos de ser, estar, crer, não crer e agir no mundo. Dentro dessa lógica a escola não acolhe as diferenças entre elas, as diferenças religiosas. Em mais de 20 anos de pesquisa todas as crianças e jovens de candomblé são unânimes quando afirmam que todos os espaços da sociedade são cruéis, mas nenhum lugar é tão cruel quanto a escola quando se trata de humilhar e excluir alunos e alunas de candomblé ou umbanda.
Aprendiz: Que tipos de impactos sociais uma educação intolerante e racista pode trazer?
Stela: Primeiro, temos de reconhecer que o Brasil é um país racista. Esse é o primeiro passo para olharmos para os espaços sociais e entendermos que todos eles são espaços racistas. Isso porque o racismo é um sistema em que um grupo se considera superior e submete de diversas formas um outro grupo considerado inferior. O mais fundamental é, ainda, entender que fomos educados em uma escola branca, cristã e racista. Então a pergunta deve ser “Que tipo de impactos e consequências a nossa sociedade e, portanto, a nossa educação racista nos trouxe? Que tipo de relações criamos?” A dominação colonial na África, como bem se refere o pesquisador Kabengele Munanga, com sua missão “civilizadora”, teve como objetivo reduzir negros e negras ontológica, epistemológica e teologicamente. Isso fez com que os países colonizadores se servissem de seus saques econômicos e históricos. Roubaram por séculos a riqueza material e a história dos povos de África. No nosso caso, negros e negras escravizados não “contribuíram” com a formação do que se chama “povo brasileiro”. Foram os negros e negras roubados, aprisionados, desterrados e escravizados que ergueram esse país.  Uma das consequências quando um grupo de seres humanos passa a se achar superior a outro grupo de seres humanos é a total subtração da história do grupo considerado inferior. Essa foi uma consequência drástica na educação brasileira. A história de um continente inteiro foi subtraída de nossas escolas. Não se trata de ser tolerante. Nenhum indivíduo ou grupo quer ser tolerado. A tolerância, apesar de ser um conceito aparentemente interessante, é sempre uma ação que prevê alguma benevolência ou aceitação daquele ou do grupo considerado como referência nas tensas e complexas relações de poder.  Ou seja, não podendo te eliminar eu te tolero. Não podendo eliminar este ou aquele grupo eu os tolero e aceito. A tolerância sempre exige algum grau de assimilação e estabelece limites. Uma vez ultrapassados os limites do jogo da assimilação, o tolerante deixa de tolerar.
candomblé
Aprendiz: Como a educação poderia se relacionar com os diferentes tipos de saberes? Você saberia mencionar alguma experiência em que um terreiro e uma escola se articularam para discutir história e cultura-afro?
Stela: A escola não tem de tolerar pessoas as quais considera diferente de sua lógica hegemônica. A escola precisa reconhecer que a vida no planeta é constituída por seres humanos diferentes. A escola é o lugar dos diferentes e, por ser esse lugar, a escola é um lugar tenso, porque não há harmonia na diferença e nem pode haver. O ideal é que busquemos a convivência respeitosa entre pessoas e grupos. E essa convivência respeitosa, essa experiência intercultural pautada nos direitos humanos não acontece se um dado conhecimento for erguido ao reino da importância e, portanto, legitimado, enquanto outros tantos conhecimentos são submetidos ao reino da desimportância e, portanto, deslegitimados e excluídos das escolas. A escola deve reconhecer o conflito e apostar nele, para que, a partir das diferenças, todos e todas possam ser vistos e compreendidos uns pelos outros. Não conheço experiências como as que você menciona, conheço projetos individuais de alguns professores e professoras que tentam fazer com que alunos e alunas conheçam terreiros e falem na escola a partir dessa experiência.
Aprendiz: O que mudou desde a aprovação da lei Lei 10.639?
Stela: A Lei 10.639 foi sancionada em 2003 e diz que nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. Todos os pesquisadores e pesquisadoras que estudam a aplicação da lei descrevem inúmeras dificuldades. Falta formação para professores e professoras e o obscurantismo crescente na educação também é um dado que dificulta. Professores, professoras, pais, alunos e alunas, funcionários obscurantistas acreditam que qualquer referência à África é um passaporte para o inferno, pois associam África ao Diabo. Como isso aconteceu? Com a mesma inferiorização dos povos africanos sobre a qual falávamos há pouco. A lei foi uma conquista importante, mas temos muito a caminhar e é preciso uma luta cotidiana contra o racismo, incluindo as faculdades de formação de professores e professoras.
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Aprendiz: Porque as crianças afirmam que a escola é o lugar que mais discrimina? Como se dá essa discriminação? Como isso afeta a auto-percepção dessas crianças?
Stela: Por toda essa realidade racista e obscurantista que estamos tratando aqui em todas as perguntas. Uma vez entrevistei uma professora de Ensino Religioso que afirmava que a disciplina não era proselitista e não discriminava e que, na mesma resposta, comemorava o fato de ter tido no ano anterior 8 alunos ogans que se converteram ao cristianismo (ogan é um cargo masculino cuja responsabilidade são muitas, entre elas, tocar os atabaques nos rituais). A escola, que é o lugar dos diferentes entre si por natureza, deveria ser o lugar mais preparado para não só lidar, mas também para aprender profundamente com essas diferenças. Infelizmente não é. Por isso, muitas crianças e jovens sofrem porque são inferiorizados e inferiorizadas.
Aprendiz:  Que tipo de aprendizados podem sair dos terreiros? Como eles podem contribuir para uma educação antirracista e focada nos direitos humanos?
Stela: Os terreiros de candomblé são espaços de circulação de imensos conhecimentos. Crianças, jovens e adultos cultuam seus ancestrais e, se não podemos dizer que o Candomblé é uma religião africana porque é brasileira, podemos dizer que o culto aos ancestrais é comum em toda África. Os negros e negras escravizados para o Brasil chegaram aqui com seus ancestrais e nos ensinaram a amá-los a cultuá-los. Para poder fazer isso, criamos o candomblé que, nos terreiros, foi mantido e ressignificado. As línguas dos povos africanos que aqui chegaram é mantida nos terreiros pela oralidade, e isso se aprende todos os dias, há séculos, em cada casa de axé. História, geografia, biologia, ecologia, filosofia, literatura. Um conjunto de conhecimentos poderosos passados de geração em geração e do qual crianças e jovens se orgulham, mas que, nas escolas, são obrigados a sentirem vergonha daquilo que os anima e os faz viver. A educação nos terreiros não é racista, não discrimina as diversas orientações sexuais, as famílias que se organizam e se formam a partir dessas diferentes orientações sexuais. O candomblecista não discrimina qualquer outra religião. Acredito que, por ser assim, a educação nos terreiros pode ensinar o antirracismo e o humanismo do qual precisamos todos os dias.
(Do Uol)

LEVE AS CRIANÇAS NO TERREIRO! uma visao NA UMBANDA....

LEVE AS CRIANÇAS NO TERREIRO!

Tem Crianças no Terreiro? Empoderem-nas!

6 de agosto de 2015

Tem Crianças no Terreiro? Empoderem-nas!



Existe coisa mais Linda que crianças em Terreiro de 


Candomblé? 
  Tem Sim!  
  Mais lindo que crianças em terreiro, é criança em terreiro 


com a consciência de seu lugar no mundo, educada para a 


continuidade de sua história e certa de sua importância 



para o futuro de nossa religiosidade. 
 
Infelizmente, nossas crianças são atacadas, 

constantemente, pelo simples fato de pertencerem a uma 

religão diferente da imposta pela a sociedade. Dentre os 

ambientes sociais que propriciam esses  cruéis ataques, 

está a escola que "faz vistas grossas", e se omite na 

defesa 

das crianças de terreiros. (Pesquisas Explicam)  
 Nesse aspecto (e em muito outros) nosso sistema de e

nsino é Nota Zero porque nçao respeita a laicidade do e

stado e muitas vezes, e quase sempre é conivente com a v

iolação de direitos básicos que por eles deveriam ser a

ssegurados para que as crianças se desenvolvam com 

melhor consciência do quão importante ela é no mundo. 






 

É nosso dever, ensinar as crianças de Axé que o candomblé 
é uma das religiões mais antigas e mais completas da 
 humanidade.   Além disso, é nosso papel ensinar que, por serem de Axé, 

nossas meninas e meninos são filhas de filhos de Reis, 

Rainhas, Caçadores, Curandeiros, Tecnólogos, 

Alquimistas... são filhos e filhas das forças 

mais sublimes que a natureza pode gerar.

 


As crianças de Axé descendem de importantes reinos 

africanos, isso faz com que sejam Príncipes e Princesas - e 

têm o direito de serem tratados e educados como tal.


Nosso papel é fazer com que, cada vez mais, meninos e 


meninas tenham orgulho de falar sobre a religião dos 

Orixás.
 


 Nossos dever é elevar a auto-estima desses guerreiros e 

guerreias, para que não sejam vítimas dos crimes de 

intolerância religiosa, racismo e bullying. Pois ninguém 

merece ser maltratado por nascer em uma religião tão 

linda quanto é o candomblé. Ninguém. Muito menos nossas 

crianças que já nasceram com o poder de perpetuar o 

reinado da cultura de orixá.







 


Então, esse é meu recado a você: Pai, Mãe, Vô, Vó, Tio, 


Tia, Baba/Iyalorisá e família de santo: Não deixe de 

mostrar para nossas crianças o quão lindo é o candomblé e 

o quanto nossas crianças são especiais por serem 

Princesas 



e Príncipes Detentores do Axé.



 


 Roger Cipó © Olhar de um Cipó - Todos os Direitos 

Reservados / All Copyrights Reserved





http://olhardeumcipo.blogspot.com.br/2015/08

/tem-criancas-no-terreiro-empoderem-as.html

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Sesc RN abre 570 vagas para cursos gratuitos

Sesc RN abre 570 vagas para cursos gratuitos

Publicação: 2015-10-06 19:37:00 | Comentários: 0
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A partir do mês de novembro o Sesc RN abrirá vagas para cursos gratuitos com turmas em Natal, Mossoró, Caicó e Currais Novos. O Programa de Comprometimento e Gratuidade (PCG), oferecidos mensalmente pelo Sistema Fecomércio, através do Sesc disponibilizará 570 vagas em 16 opções de áreas variadas como oratória, cerimonial e protocolo, decoração natalina, moda verão, Excel, gestão financeira, entre outros.
Aldair DantasAs inscrições ocorrem a partir do dia 07 até o dia 21/10/15As inscrições ocorrem a partir do dia 07 até o dia 21/10/15

As inscrições podem ser feitas através do site do Sesc RN (www.sescrn.com.br), a partir do dia 07 até o dia 21/10/15. Após este período ocorrerá um processo seletivo, nele serão consideradas as informações prestadas no ato da inscrição. A lista com os aprovados estará disponível no dia 29/10 (quinta-feira) no site do Sesc RN, e as aulas terão início a partir do dia 03/11.

Comerciários e seus dependentes, além de estudantes de escolas públicas cuja renda familiar mensal não ultrapasse três salários mínimos nacionais, podem se inscrever nos cursos gratuitos. No ato da inscrição, é preciso levar os documentos originais (com cópias): RG ou certidão de nascimento, CPF, comprovante de residência (com emissão inferior a 60 dias) e de escolaridade, e ainda, caso necessário, documento que comprove deficiência física ou mental. Também deverá ser entregue a autodeclaração de renda familiar e o questionário socioeconômico. Caso o interessado em fazer o curso seja menor de idade, deverá estar acompanhado do responsável.

Até agosto passado, o PCG ofereceu 85 cursos distribuídos em Natal, Mossoró e Caicó. A previsão é fechar o ano com 2.800 vagas oferecidas nas áreas de trabalhos manuais, culinária, beleza e educação (cursos preparatórios para o Exame Nacional do Ensino Médio – Enem).

A previsão para 2016 é oferecer 3.035 vagas nas áreas de trabalhos manuais, culinária, beleza e educação (cursos preparatórios para o Exame Nacional do Ensino Médio – Enem)

domingo, 4 de outubro de 2015

= PAZ PARA O BRASIL QUE TEM DADOS DE UMA GUERRA TODOS OS DIAS EM MORTES VIOLENTAS MAIORES QUE NO ORIENTE MEDIO...

Betinho Casas Novas.
14 min ·
Betinho Casas Novas
1 h · Editado ·
Conversando agora com um grande amigo fotografo ele me recordou de um fato.
Esse da foto, é o soldado Caio Cesar, de 27 anos, que era lotado em uma das upps aqui do Alemão. Morto em uma troca de tiros recentemente aqui no Alemão. Essa foto fui eu quem fiz enquanto trabalhava cobrindo jornalisticante um protesto dos moradores do Alemão revoltados com a atual situação da comunidade.
Caio, assim como muitos outros, foi vitima do sistema. Sim, do sistema. Vitima do Governo Falido que abandonou não só os policiais militares, como mais ainda os moradores de todas as comunidades cariocas. O abandono do governo nas favelas e no Rio deixa brecha para a violência. Assim como Caio, outro jovem em um dia anterior morreu também pela a violência, e ainda pior. Forjado em um crime registrado pela a população revoltada com essa situação.
O que difere Caio Cesar (Dublador do Harry Potter) do Jovem Eduardo Felipe(do morro da providência), de 17 anos?
A violência. A brutalidade, a falta de amor.
Pare e pense que não só eles que morrem. Somos todos nós. A violência que atingiu Caio e Eduardo atingiu a todos nós também. Mas somos hipócritas demais para encarar essa realidade.
Somos todos Seres humanos. Somos todos iguais. Temos sentimentos, vivemos, respiramos, bebemos água, comemos e amamos.
Não existe diferença em Fardas, roupas, carros, poder, preto e branco. Nada difere nesse momento o Caio do Eduardo.
O policial do bandido. Ambos agora enterrados em covas rasas, do mesmo jeito, com as mesmas dores, da mesma forma.
Vitimados pela a violência.

INDIGNE-SE!!!
‪#‎PAZNOALEMÃO‬ ‪#‎PAZNORIO‬ ‪#‎VIDAÉVIDA‬ ‪#‎INDIGNESE‬
Foto: Betinho Casas Novas / Fotojornalista

AGENTE COMUNITÁRIO DE SAUDE AQUELE QUE CUIDA DE TODA UMA COMUNIDADE HUMANIZA SUS...







BONS DIAS ; ESPERANDO ÓTIMOS DIAS COM BONS SERVIÇOS PRESTADOS AS NOSSAS COMUNIDADES. Nunca será demais ter ; RECONHECIMENTO...HUMANIZA SUS...



EM 2016 O RN TERA MAIS UM EGBOME EM NOME DE BECEM/OXUMARE / ANGORO/ DE DAN... Sidney Aidan O AYE E ORUN MAIS UMA EXTRELA QUE BRILHARA MAIS FORTE...


 Sidney Aidan





  EM 2016 O RN TERA MAIS UM EGBOME EM NOME DE BECEM/OXUMARE / ANGORO/ DE DAN... Sidney Aidan O AYE E ORUN MAIS UMA EXTRELA QUE BRILHARA MAIS FORTE... MEU ETERNO KOLOFE OLORUM MEU QUERIDO... DE QUEM SEMPRE TEM MUITO ORGULHO DE VOCÊ... E SABE TODO O SEU POTENCIAL E SIMPLICIDADE A FAMILIA MATRIARCAL DE OYATOGUN OBETOGUNDA "Francisca Silva" VAI FESTEJAR COM VOCÊ...


Fernandes José Josimar Rocha:

 

ancestralidade visita roça Matriarcal Obetogunda

 





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