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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Jovem negro corre 3,7 vezes mais risco de assassinato do que branco, diz Ipea - Natal é a capital com maior crescimento em homicídios de jovens no país



Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil, divulgado hoje (17), revela que a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior do que um branco. Segundo o estudo, existe racismo institucional no país, expresso principalmente nas ações da polícia, mas que reflete “o desvio comportamental presente em diversos outros grupos, inclusive aqueles de origem dos seus membros”.

Intitulado Segurança Pública e Racismo Institucional, o estudo faz parte do Boletim de Análise Político-Institucional do Ipea e foi elaborado por pesquisadores da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado das Instituições e da Democracia (Diest). “Ser negro corresponde a [fazer parte de] uma população de risco: a cada três assassinatos, dois são de negros”, afirmam os pesquisadores Almir Oliveira Júnior e Verônica Couto de Araújo Lima, autores do estudo.

Na apresentação do trabalho, em entrevista coletiva na sede do Ipea em Brasília, o diretor da Diest, Daniel Cerqueira, que, do Rio, participou do evento por meio de videoconferência, apresentou outros dados que ratificam as conclusões da pesquisa sobre o racismo institucional. Segundo ele, mais de 60 mil pessoas são assassinadas a cada ano no Brasil, e “há um forte viés de cor/raça nessas mortes”, pois “o negro é discriminado duas vezes: pela condição social e pela cor da pele”. Por isso, questionou Cerqueira, “como falar em preservação dos direitos fundamentais e democracia” diante desta situação?

Para comprovar as afirmações, Cerqueira apresentou estatística demonstrando que as maiores vítimas de homicídios no Brasil são homens jovens e negros, “numa proporção 135% maior do que os não negros: enquanto a taxa de homicídios de negros é de 36,5 por 100 mil habitantes. No caso de brancos, a relação é de 15,5 por 100 mil habitantes”.

A cor negra ou parda faz aumentar em cerca de 8 pontos percentuais a probabilidade de um indivíduo ser vítima de homicídio, indicam os dados apresentados pelo diretor do Diest. Isso tem como consequência, segundo Daniel Cerqueira, uma perda de expectativa de vida devido à violência letal 114% maior para negros, em relação aos homicídios: “Enquanto o homem negro perde 1,73 ano de expectativa de vida (20 meses e meio) ao nascer, a perda do branco é de 0,71 ano, o que equivale a oito meses e meio.”

Para o pesquisador Almir de Oliveira Júnior, como dever constitucional, o Estado deveria fornecer aos cidadãos, independentemente de sexo, idade, classe social ou raça, uma ampla estrutura de proteção contra a possibilidade de virem a se tornar vítimas de violência. “Contudo, a segurança pública é uma das esferas da ação estatal em que a seletividade racial se torna mais patente”, disse Oliveira Júnior.

De acordo com as estatísticas sobre a violência em que o estudo se baseou, esse é um dos fatores que explicam por que, a cada ano, “uma maior proporção de jovens, cada vez mais jovens, é assassinada”, acrescentou o pesquisador. Segundo ele, enquanto nos anos 80 do século passado, a média de idade das vítimas era 26 anos, hoje não passa de 20.

Agência Brasil

Brasília – A tendência de se culpar as vítimas de homicídio no Brasil é um dos grandes entraves ao combate à violência e à redução de casos que envolvem jovens braseileiros, informou o autor do Mapa da Violência 2013: Homicídios e Juventude no Brasil, divulgado hoje (18), pelo Centro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), Julio Jacobo Waiselfisz. Para ele, essa inversão de mentalidade entre quem é vítima e quem é culpado gera a escassez de recursos e de medidas com o objetivo de efetivamente solucionar casos relacionados a essas pessoas, na maior parte negras.

“Há um mecanismo perverso que incentiva a tolerância à violência contra os grupos mais vulneráveis, que deveriam ter proteção do Estado: tornar a vítima culpada. Isso ocorre com mulheres, crianças e jovens marginalizados qualificados como traficantes, drogados e arruaceiros. Mas isso vale de uma forma geral”, explicou o autor.

No Mapa da Violência 2013, observa-se a tendência de redução, em números absolutos, dos casos de homicídios de pessoas brancas, e o aumento de vítimas negras. Essa dinâmica se observa em relação à população em geral e entre os jovens.

Dos 467,7 mil homicídios contabilizados entre 2002 e 2010, 307, 6 mil (65,8%) foram de negros. Nesse período, houve decréscimo de 26,4% nos casos de homicídios de brancos e acréscimo de 30,6% dos de negros. Nesses mesmos oito anos, foram mais de 231 mil homicídios de jovens, dos quais 122,5 mil eram negros (53,1%). O decréscimo dos casos de pessoas brancas alcançou 39,8% no período, enquanto, entre negros, houve acréscimo de 18,4%.

As informações do estudo confirmam dados do Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE), de que a população branca tem, em média, rendimentos entre 60% e 70% superiores aos da população negra e sugerem que essa realidade tem relação direta com o atual perfil da violência no Brasil.

De acordo com Julio Jacobo Waiselfisz, um processo de privatização da segurança teve inicio no Brasil nos últimos 20 anos, com a terceirização de serviços e o surgimento de empresas especializadas, assim como já ocorria com outros tipos de serviços públicos, dos quais se destacam a saúde, a educação e a cobertura previdênciária.

“O Estado fornece um nível de serviço para toda a população. Às vezes, esse patamar é tão mínimo que não se oferece praticamente nada. Aí a lógica que prevalece é a de que quem pode, paga a diferença”, disse, ao explicar o porquê de o nível de segurança ser mais elevado em áreas com população de renda mais alta e majoritariamente branca.

A partir daí ainda ocorre um outro paradoxo. Em áreas em que há mais circulação de renda e, consequentemente, interesses econômicos, há a tendência de se chamar mais atenção quando ocorrem atos de violência – tanto em relação à mídia, quanto em relação à pressão exercida sobre o Poder Público. Daí, a segurança pública atua de forma mais incisiva nesses locais, pois, devido à própria renda das pessoas, elas podem arcar com os custos de uma segurança privada.

“Segurança pública também é política, o que reforça que haja mais atuação em bairros abastados e turísticos, por exemplo, do que em favelas. Assim, os abastados têm as duas – segurança pública e privada -, e as favelas, nenhuma”, explicou Waiselfisz.

A conclusão do estudo é a de que a violência na sociedade brasileira, especialmente entre os jovens, é o resultado de um modelo político, econômico e social. “Essas pessoas [jovens entre 15 e 24 anos] são os algozes, mas também as vítimas da violência estrutural da nossa sociedade”, finalizou o autor.

Agência Brasil

Natal é o novo polo da violência no país. De acordo com o Mapa da Violência 2013: Homicídio e Juventude no Brasilpublicado nesta quinta-feira (18) pelo Centro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), a capital do Rio Grande do Norte registrou o maior crescimento de homicídios de pessoas entre 15 e 24 anos. O aumento foi de 267,3%, no período dos dez anos em que os dados foram levantados. Em 2001 a cidade registrou 52% dos casos de homicídios entre jovens. Em 2011, o número subiu191%.

De acordo com o estudo, no Rio Grande do Norte, mais da metade das mortes de jovens foram provocadas por homicídio. Especificando para este tipo de morte de pessoas negras, o estado cresceu acima de 200% na década. 

No Brasil, o homicídio é a principal causa de mortes não naturais e violentas entre os jovens. A cada 100 mil jovens, 53,4 foram assassinados em 2011. Os crimes foram praticados contra pessoas entre 14 e 25 anos. Os acidentes com algum tipo de meio de transporte, como carros ou motos, foram responsáveis por 27,7 mortes no mesmo ano.

Entre 1980 e 2011, as mortes não naturais e violentas de jovens – como acidentes, homicídio ou suicídio – cresceram 207,9%. Se forem considerados só os homicídios, o aumento chega a 326,1%. Dos cerca de 34,5 milhões de pessoas entre 14 e 25 anos, em 2011, 73,2% morreram de forma violenta. Na década de 1980, o percentual era 52,9%.

A região Nordeste foi onde os números mais cresceram: 73,6%. O estudo diz que o fato é principalmente pelo elevado aumento dos assassinatos em Natal e Salvador, onde o crescimento do número ultrapassa a casa de 200%. Como também, João Pessoa, Fortaleza, Maceió e São Luís, com taxas menores, porém consideradas "muito elevadas", são responsáveis pelo forte crescimento da violência na região.

Segundo o mapa, o aumento da violência entre pessoas dessa faixa etária demonstra "a omissão da sociedade e do Poder Público em relação aos jovens, especialmente os que moram nos chamados polos de concentração de mortes, no interior de estados mais desenvolvidos; em zonas periféricas, de fronteira e de turismo predatório; em áreas com domínio territorial de quadrilhas, milícias ou de tráfico de drogas; e no arco do desmatamento na Amazônia que envolve os estados do Acre, Amazonas, de Rondônia, Mato Grosso, do Pará, Tocantins e Maranhão".

Além do Rio Grande do Norte, os números do Subsistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, mostra que os estados do Amazonas, Bahia e Goiás também têm a violência em níveis "insustentáveis", perante a incapacidade e/ou ineficiência dos aparelhos de segurança locais de enfrentar o novo quadro da violência.

Nos estados e capitais em que eram registrados os índices mais altos de homicídios, como em São Paulo e no Rio de Janeiro, houve redução significativa de casos, devido aos investimentos na área. São Paulo, atualmente, é o estado com a maior queda nos índices de homicídios de jovens nos últimos 15 anos (-86,3%). A Região Sudeste é a que tem o menor percentual de morte de jovens por causas não naturais e violentas (57%). A com os piores índices é a Região Centro-Oeste, com 69,8% das pessoas nessa faixa etária mortas por homicídio.

O autor do Mapa, Julio Jacobo Waiselfisz, explicou que a violência tem causas e consequências múltiplas. Apesar disso, é possível notar, no caso brasileiro, três fatores determinantes. Em primeiro lugar, a cultura da violência. Segundo ele, no país – e também na América Latina -, existe o costume de se solucionar conflitos com morte, parte disso herança de raízes escravagistas no continente.

Em segundo lugar, Julio Jacobo apontou a circulação de armas de fogo. Estima-se que, no país, haja cerca de 15 milhões de armas das quais, a metade, portada de forma ilegal. “Uma pesquisa feita em escolas mostrou que muitos jovens sabem exatamente onde e como comprar uma arma. Juntar uma arma à cultura de violência é uma mistura explosiva, são incompatíveis entre si”, disse Waiselfisz.

Outro ponto frisado pelo autor do Mapa é a impunidade. Para ele, isso funciona como um estímulo à resolução de conflitos por meio de vias violentas. De acordo com o Relatório Nacional da Execução da Meta 2 da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança  Pública (Enasp), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Ministério da Justiça, foram identificados quase 150 mil inquéritos por homicídios dolosos - com a intenção de matar - anteriores a 2007.

Depois de um mutirão de um ano, foram encaminhados à Justiça apenas 6,1% dos casos. A estimativa é que 4% dos homicidas cumpram pena em regime fechado. “É esse elevado nível de impunidade que reforça a cultura da violência e os enormes números de homicídios”, explicou o autor do estudo.

Mundo

O estudo mostra que o Brasil é o sétimo lugar no mundo em casos de homicídios. A cada 100 mil habitantes, 27,4 são vítimas de crimes. No caso de jovens entre 14 e 25 anos, o número aumenta para 54,8. O mapa mostra que  dos dez países com os mais altos índices de homicídios entre jovens estão na região da América Latina e do Caribe.

El Salvador lidera o ranking seguido de Ilhas Virgens, de Trinidad e Tobago, da Venezuela, da Colômbia, da Guatemala, do Brasil, do Panamá, de Porto Rico e das Bahamas.

Na década de 1990, o Brasil chegou a ocupar a segunda colocação nesse ranking da Organização Mundial de Saúde (OMS), liderado então pela Venezuela. A queda brasileira na lista dos países com as maiores incidências desse tipo de crime não significa que a violência foi reduzida, mas que houve aumento em outros lugares no mundo.

“Hoje, com grande pesar, vemos que os motivos ainda existem e subsistem, apesar de reconhecer os avanços realizados em diversas áreas. Contudo, são avanços ainda insuficientes diante da magnitude do problema”, conclui o estudo.

Com informações da Agência Brasil - Atualizada às 08h31 para acréscimo de informaçõeshttp://www.cebela.org.br/site/common/pdf/Mapa_2013_Jovens.pdf

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

filme angolano “Njinga – Rainha de Angola” já tem data de estreia em Luanda





Foi divulgado nesta terça-feira, (8), a data de estreia da próxima produçao angolana intitulada  ”Njinga – Rainha de Angola”. A produção que traz como protagonista principal a ex-miss Angola e actual apresentadora da rede globo a angolana Lesliana Pereira, tem estreia marcada para o dia 8 de Novembro do ano em curso em Luanda.
Lesliana-Pereira-Njinga
Depois do grande sucesso da novela angolana produzida pela Semba Comunicação, “Windeck”, a produtora agora ira estrear-se no mundo do cinema com o filme “Njinga – Rainha de Angola”,que tem estreia marcada para o próximo dia 8 de Novembro de 2013 em Luanda, anunciou na sua conta oficial da rede social facebook a Semba Produção, divulgando ainda um teaser resumido da nova produção,  É já no dia 8 de Novembro que teremos em Luanda a ante estreia do filme “Njinga – Rainha de Angola”. Veja aqui algumas imagens emocionantes desta grande aposta da Semba Comunicação”.






Com um elenco de luxo a série Rainha Nginga, vem para retratar uma parte da história de Angola vivida pelos nossos antepassados.
A luta pelo honra, poder, traições, e muitos mais te fará não sair de casa. Com a produção da Semba Comunicação, o próximo filme angolano tem estreia marcada para o mês de novembro do ano em curso. Veja o teaser:
A seríe tem como objectivo retratar a vida da Rainha Nginga Mbandi. A produção insere-se no projecto multimediatico que está a ser desenvolvido pela UNESCO este ano, e que inclui “Nginga Mbandi” como uma das 25 figuras femininas mais importantes da história de África.
De recordar que a primeira grande produção da  Semba Comunicação, a novela angolana “Windeck”, foi indicada ao EMMY Internacional na categoria “Melhor novela”, a disputar com novelas de produção brasileira. O vencedor será conhecido em Novembro numa gala em Nova Iorque.


Fonte: Ango Russia

2ª Caminhada Parque dos coqueiros "Tem Peito", promovida pela ESF. Parque dos Coqueiros em parceria com a Drogaria Dose Certa, no próximo dia 25/10/2013 (Sexta-feira) a partir das 8h.

Educar, acolher e cuidar serão os pilares norteadores que farão parte da 2ª Caminhada Parque dos coqueiros "Tem Peito", promovida pela ESF. Parque dos Coqueiros em parceria com a Drogaria Dose Certa, no próximo dia 25/10/2013 (Sexta-feira) a partir das 8h.

A caminhada Parque dos Coqueiros Tem peito trás em sua 2ª edição o respeito e a humanização entre os usuários e servidores que juntos fazem um magnífico cortejo que busca alertar, prevenir e impactar as mulheres e homens a cerca do Câncer de mama.

" Nesta edição colocaremos a Tenda da Saúde que estará funcionado durante todo o percurso na prevenção e entrega de panfletos alusivos a prevenção do câncer de mama e Dsts, de maneira que estaremos promovendo saúde com a participação da comunidade e do alunado que trás um brilho a parte em nossa já encantadora caminhada". Salienta Djairo Alves.
A concentração da Caminhada Parque dos Coqueiros Tem Peito será na unidade de Saúde onde nos deslocaremos pela rua das Pedrinhas, Jardim Esperança, avenida pedro alvares Cabral e Expedicionários.

Faremos o "Estouraço da prevenção", onde no encerramento da caminhada, estouraremos as 300 bexigas cor de rosa num ato simbólico.

A USF. Parque dos Coqueiros está localizada na rua das Pedrinhas, s/n, Parque dos Coqueiros. Bairro: Nossa Senhora da Apresentação.


FONTE EDUCADOR DJAIRO...

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

“IMPLEMENTAÇÃO DO SISTEMA DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL NO RN”

Rio Grande do Norte
Assembléia Legislativa
Centro de Estudos e Debates


C O N V I T E


                    A Assembleia Legislativa, através do Centro de Estudos e Debates, tem a honra de convidar Vossa Senhoria para participar de uma audiência pública sobre o tema “IMPLEMENTAÇÃO DO SISTEMA DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL NO RN”, a ser realizada na (próxima segunda-feira) dia 14 de outubro de 2013, às 14h30, no auditório Robinson Faria, nesta Casa Legislativa, atendendo propositura do deputado Hermano Morais (PMDB).

                    Contamos com sua presença.                                                      


Atenciosamente,



José de Oliveira Wanderley

Diretor do Centro de Estudos



quinta-feira, 3 de outubro de 2013

CESTA DE IEMANJAR 2013 COM MEUS LINDOS AMIGOS A YAO E AGORA DRA CIRUGIÃ LERCIA DE BECEM E O AGORA ADMINISTRADOR BRUNO DE OXOSSI,,,

trabalhadores foram resgatados da escravidão confeccionando peças da grife “Basic+Chic”, pertencente às Lojas Americanas - GENTE DIVULGA E NAO COMPRA NADA DESSE POVO... DIVULGA DIVULGA...

Após flagrante em fornecedor, Lojas Americanas se comprometem a fiscalizar cadeia produtiva

Grupo firma TAC se comprometendo a tomar providências e a doar R$ 250 mil para fortalecer combate à escravidão. Costureiros resgatados produziam peças de marca da rede.
A reportagem é de Daniel Santini e publicada por Repórter Brasil, 01-10-2013.
Em 22 de janeiro de 2013, cinco trabalhadores foram resgatados da escravidão confeccionando peças da grife “Basic+Chic”, pertencente às Lojas Americanas. Na época, conforme noticiado pela Repórter Brasil, o Ministério Público do Trabalho (MPT) passou a apurar a responsabilidade do grupo. Os trabalhadores resgatados, todos bolivianos, viviam e trabalhavam em condições degradantes em uma oficina de costura clandestina que atendia à empresa Hippychick, que, por sua vez, repassava a produção às Lojas Americanas.  
No local em que trabalhavam os cinco bolivianos resgatados viviam também quatro crianças, sendo uma delas recém-nascida.
Praticamente oito meses depois, em 25 de setembro, representantes das Americanas concordaram em assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e tomar providências para evitar novos flagrantes de escravidão na produção das peças que comercializam. Apesar de negarem a responsabilidade direta pelo caso, eles se comprometeram, entre vários pontos, a fiscalizar as cadeias produtivas e fazer o recadastramento de todos os fornecedores de peças de vestuário. A multa prevista para cada descumprimento é de R$ 20 mil. O caso foi conduzido pelo procuradorGuilherme Duarte da Conceição.
Além de assumir os compromissos, a empresa concordou em doar R$ 250 mil para fortalecer o combate ao trabalho escravo no país. O valor corresponde a 0,06% do lucro líquido em 2012, que foi de R$ 410,2 milhões. Em 2011, o lucro líquido foi de R$ 340,4 milhões. Ou seja, de 2011 para 2012 houve um aumento de 20,5% de ganhos. O grupo tem crescimento acelerado desde 2006, quando a fusão do Americanas.com com o site de vendas Submarino resultou na criação da B2w, uma nova frente especializada em vendas virtuais. As informações são baseadas em balanços financeiros divulgados pela empresa.
Procurada na manhã desta terça-feira (1), a assessoria de imprensa da empresa informou que não comentaria a assinatura do TAC. No começo do ano, quando o flagrante de escravidão aconteceu, a rede negou por meio de nota a responsabilidade sobre a situação e disse que qualquer tipo de trabalho realizado em condições degradantes é repudiado pelo grupo.
Nas discussões com o MPT, a estratégia dos advogados das Americanas foi ressaltar que no caso em questão não havia uma relação direta entre a empresa e a oficina clandestina. Também contou o fato de a produção não ser exclusiva e de a Hippychick possuir o selo ABVTEX quando o flagrante aconteceu – a intermediária acabou descredenciada. As Americanas defenderam que o selo poderia ser entendido como uma garantia de responsabilidade social por parte da Hippychick, que não foi cumprida.
Além disso, duas decisões judiciais anteriores enfraqueceram a possibilidade de responsabilização direta pela situação. Em dois processos trabalhistas diferentes referentes ao caso em questão, o juiz do Trabalho Pablo Souza Rocha defendeu que as Americanas não poderiam ser responsabilizadas por violações cometidas.
“Nesses casos, dada a natureza de relação comercial, não há terceirização e, por isso, não incide a responsabilidade subsidiária da Súmula 331 do C. TST. Convence-me (…) a declaração da reclamante de que não via prepostos das Lojas Americanas frequentarem a 1ª reclamada, tampouco recebia ordens diretas de preposto das Lojas Americanas. Desse modo, julgo improcedente os pedidos formulados contra as Lojas Americanas”, escreveu o juiz.
O flagrante
A oficina clandestina em que os trabalhadores foram resgatados funcionava nos fundos de uma casa em Americana, no interior de São Paulo. Por cada peça produzida, os trabalhadores recebiam R$ 2,80 da Hippychick, cuja sede fica na cidade vizinha Santa Bárbara d´Oeste. Nenhum funcionário tinha registro em carteira e a jornada de trabalho era de 12 horas diárias. No momento em que a fiscalização foi realizada, foram encontradas quatro crianças – sendo uma delas recém-nascida – dividindo o espaço com os pais. As duas casas em que os trabalhadores moravam estavam com a estrutura comprometida e apresentavam precárias condições de higiene.
O proprietário mantinha parentes trabalhando sob condições notadamente insalubres. O calor era intenso, por causa das telhas de amianto, o pé direito baixo e as laterais fechadas – o que impedia a circulação de ar. As pilhas de tecido espalhadas pelo espaço, além de dificultarem a circulação dos trabalhadores, aumentavam o risco de incêndio, por estarem próximas a “gambiarras” elétricas – o local não possuía extintores e saídas de emergência.
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), também presente, efetuou o resgate de cinco trabalhadores, enquadrando a situação como de trabalho análogo à escravidão, nos moldes do artigo 149 do Código Penal, situação na qual os resgatados têm direito ao seguro-desemprego.
Segundo o MPT, a HippyChick assumiu na ocasião a contratação de bolivianos para costurar as peças que seriam fornecidas à Lojas Americanas e seus representantes assinaram um TAC se comprometendo a indenizar os bolivianos pelos danos causados, em um valor individual de R$ 5 mil por trabalhador. Também assumiram o compromisso de não intermediar a mão de obra para outras empresas e não realizar atividades empresariais que não possuam condições de meio ambiente e segurança do trabalho dignas.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O curso Prevenção do Uso de Drogas em Instituições Religiosas e Movimentos Afins – “Fé na Prevenção"...



A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas – Senad, do Ministério da Justiça, convida-o (a) à participar do curso Fé na Prevenção - Terceira Edição.

Para inscrever-se e obter mais informações, por favor, acesse: www.fenaprevencao.senad.gov.br

Atenciosamente,

Equipe Fé na Prevenção





O curso Prevenção do Uso de Drogas em Instituições Religiosas e Movimentos Afins  “Fé na Prevenção” é promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD), órgão integrante do Ministério da Justiça e executado pela Unidade de Dependência de Drogas (UDED) do Departamento de Psicobiologia e pelo Departamento de Informática em Saúde (DIS) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
O curso objetiva capacitar 15.000 (quinze mil) pessoas de todo o Brasil, que desempenham papel de lideranças religiosas ou que atuam em movimentos afins, para ações de prevenção do uso de drogas e outros comportamentos de risco, bem como na abordagem de situações que requeiram encaminhamento às redes de serviço.
O curso é gratuito e oferecido na modalidade de Educação a Distância. A capacitação tem duração de 4 (quatro) meses e certificação de extensão universitária pela UNIFESP aos alunos aprovados no curso, com carga horária de  120 (cento e vinte) horas .
O conteúdo programático do curso aborda diversas temáticas relacionadas ao conceito e à classificação de drogas, além de técnicas de abordagem, intervenção breve, formas de encaminhamento e entrevista motivacional na prevenção do uso de álcool e/ou outras drogas.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

MAIS UMA VEZ UMA MÃE DE BOMBEIRO MIRIM PEDE SOCORRO E FAZ DENUNCIA AGORA USO INDEVIDO DE VEICULO DO PROGRAMA ....

"Bom dia. Estou me utilizando deste instrumento para denunciar o descaso com o Programa bombeiro mirim RN, sou mãe e vejo quase todos os dias o veículo doado ao Programa pelo governo federal, que a governadora entregou numa solenidade no quartel do comando"... (NOTA ESTA ABAIXO SOCIALIZADA PELA ASECOM EM 2012 A GRANDE CERIMONIA DE ENTREGA DE EQUIPAMENTOS INCLUSIVE DA VAN), juntamente com dois ônibus, FARDAMENTOS E MATERIAIS DIVERSOS. A van dos bombeiros mirins está servindo apenas para conduzir detentos para o quartel do comando para fazer faxina de manhã e retornam na mesma van à tarde ENTRE OUTROS AFAZERES QUE NAO O QUE ORA FORA COMPACTUADO QUE ERA SERVIR AOS BMIRINRN. Acredito que o  Sr. comandante não esta comunicado deste fato. BEM COMO  o governo federal E o governo estadual entre outras autoridades do uso indevido da van que segundo a própria nota abaixo na integra serviria ao programa bombeiros mirins  do RN vale salientar que este programa apesar das dificuldades e carência e um dos exemplos mais positivos de integração estado/comunidade e juventude sendo este um suporte vital a comunidade potiguar ao longo dos anos de sua sofrida existência apesar de números reais e positivos o superavit de atenção e suporte  enraizados nos jovens e adolescentes principalmente de comunidade carentes e com perfil social com baixo IDH, emfim e salutar que a viatura bem como a estrutura minima para sobrevivência deste icolume programa ESTADUAL, "após a sanção da Lei nº 9.561 de 25 de outubro de 2011, que reconheceu e oficializou o Programa no RN. esta lei seja cumprida na integra a sociedade agradece e ainda mais os jovens e sim cuidando  e prevenindo que teremos honrados cidadãos e dignos brasileiros e potiguares" NAO A COERÇÃO E SIM A PREVENÇÃO VIGILANTES SEMPRE SERA SEMPRE MARCADO A GLORIOSA INSITITUIÇÃO POLICIA MILIRA E BOMBEIRO MILITARES DO RN AO QUE DEVEMOS SEMPRE HONRAR E AGRADECER SEUS ESFORÇOS COTIDIANOS E SEM OLHAR A QUEM SERVIR SEMPRE...

NO MAIS ESPERAMOS QUE ESTAS MALAFADAS LINHAS SIRVAM PARA QUE A VIATURA E OUTRAS REVERSES POSSAM SER SUPERADAS PELO BEM DO GRANDIOSO SERVIÇO PRESTADO PELOS PROFISSIONAIS E PELAS INSITITUIÇÕES QUE COMPOEM ESTE GLORIOSO SERVIÇO EM NOSSO ESTADO QUE A TEMPOS MERECE HONRA E GLORIA  AVANTE INCOLOME BOMBEIROS MIRINS DO RN....

 Contamos  com a ajuda dessa instituição tão conceituada. 


Governadora entrega viaturas, equipamentos e fardamentos ao Corpo de Bombeiros.


Fonte: Assecom - RN / 2012


A noite desta quarta-feira (29) foi de festa para o Corpo de Bombeiros Militar do RN, a corporação recebeu da governadora Rosalba Ciarlini novos fardamentos, veículos, capacetes, botas e centenas de equipamentos de proteção individual durante a solenidade de formatura da primeira turma de alunos do Programa Bombeiro Mirim após a sanção da Lei nº 9.561 de 25 de outubro de 2011, que reconheceu e oficializou o Programa no RN.

De acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do RN, o Cel. Eliseu Dantas, até o final do ano serão entregues ao CBMRN o equivalente a R$ 3,5 milhões em equipamentos. "Hoje estamos recebendo um aporte de R$ 1,7 milhão em instrumentos que vão melhorar a atuação do Corpo de Bombeiros em todo o Estado, é uma realidade nova que a corporação vislumbra, pois a governadora Rosalba Ciarlini foi a grande incentivadora para que fossem feitos convênios e parcerias que possibilitaram as melhorias que recebemos hoje. O Secretário de estado da Segurança Pública, Aldair da Rocha também apoiou bastante, através do auxílio para a criação de uma comissão de projetos voltada para captar essas parcerias", explicou o Coronel Eliseu Dantas.

Foram adquiridos através de convênios junto a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), Infraero e Idema 20 veículos do tipo Ford Fiesta, 2 ônibus para transporte de tropa, além de centenas de equipamentos de proteção individual, tais como capacetes, botas e conjuntos de proteção individual de combate a incêndios urbanos e florestais. O Corpo de Bombeiros Militar do RN também recebeu da governadora Rosalba Ciarlini 260 novos fardamentos para os alunos do Programa Bombeiro Mirim e uma Van para o transporte dos alunos do Programa.

"O Bombeiros tem como principal missão enfrentar perigos para realizar salvamentos seja enfrentando o fogo, as matas ou a força das águas e é com muita alegria que entrego esses equipamentos que irão proteger esses homens que trabalham se arriscando para salvar vidas", declarou a governadora Rosalba Ciarlini.

De acordo com o secretário de Estado da Segurança Pública, Aldair da Rocha, todo o trabalho que vem sendo feito para integrar e melhorar a segurança do Estado é acompanhado de perto pela governadora Rosalba Ciarlini. "Realizar convênios e parcerias é uma maneira de conseguir o que precisamos. Estamos juntos buscando a valorização profissional dos trabalhadores da Polícia Militar, Polícia Civil, Itep e Corpo de Bombeiros e a governadora já mostrou seu compromisso com a categoria através do cumprimento da lei do subsídio, que era um pleito da segurança do RN há 20 anos", afirmou o secretário Aldair da Rocha.

Fonte: Assecom - RN / 2012

sábado, 28 de setembro de 2013

Desigualdade aumenta no Nordeste

Desigualdade aumenta no Nordeste

Publicação: 28 de Setembro de 2013 às 00:00

e
Rio - Se a queda na desigualdade de renda do País desacelerou em 2012, no Nordeste, houve concentração. O Nordeste foi a única região onde o Índice Gini (quanto mais perto de 1, maior a concentração de renda) do rendimento do trabalho piorou, subindo para 0,529 em 2012, ante 0,520 em 2011. As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2012, a renda real do trabalho do 1% mais ricos no Nordeste foi 154 vezes superior à dos 10% mais pobres, um salto ante as 130 vezes de 2011. Maranhão e Piauí têm os piores Índices Gini do País, com 0,633 e 0,568, respectivamente.


“O Índice Gini do Nordeste tinha caído muito. Agora, apresentou esse aumento”, diz Maria Lucia Vieira, gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, creditando o movimento ao crescimento da renda no topo da pirâmide social.

Na média, o rendimento real mensal do trabalho cresceu mais no Nordeste do que no País como um todo, com alta de 8,1%, para R$ 1.044,00, mas ainda muito abaixo da média nacional. No entanto, a discrepância de ritmos entre base e topo da pirâmide social no avanço dos rendimentos foi ainda maior que no plano nacional: entre os nordestinos, o rendimento médio real dos 10% mais pobres ficou em R$ 107,00, alta de só 1,9%, enquanto para os 1% mais ricos foi de R$ 16.481,00, avanço de 20,7%. Quando se considera o Índice Gini do rendimento de todas as fontes (não só do trabalho), houve piora, além do Nordeste, na Região Sudeste. Norte e Centro-Oeste melhoraram, enquanto no Sul não houve alteração significativa. Por essa ótica do Gini, o indicador nacional caiu muito pouco, de 0,501 para 0,500.

Rio Grande do Norte

A pesquisa mostra que o Rio Grande do Norte perdeu o primeiro lugar no ranking nordestino do rendimento médio mensal real. De acordo com o IBGE, em 2011 esse rendimento médio no RN era de R$ 1.096. Em 2012, o Rio Grande do Norte evoluiu, mas foi ultrapassado por Sergipe, que ocupava o segundo lugar em 2011, e pelo Maranhão, que saiu do penúltimo para o segundo lugar.

No caso da desigualdade entre ricos e pobres, o índice Gini do RN está na faixa intermediária (0,504), o terceiro melhor da região. A pesquisa mostra ainda que a formalização do mercado de trabalho no Estado segue em trajetória ascendente. “Em 2012, aproximadamente 68% dos empregados tinham carteira assinada ou eram servidores estatutários”. O número de trabalhadores em atividades domésticas era de de 12%. No ano passado, 48% das pessoas ocupadas no RN contribuíam para a Previdência Social. “A taxa de contribuição [previdenciária]  vem crescendo ao longo da década, sobretudo desde 2005 e é maior entre as mulheres. Aliás, pela primeira vez na série histórica do Pnad, o porcentual de mulheres ocupadas que contribuem para a Previdência é maior que as que não contribuem.”

De acordo com resumo da pesquisa, elaborado pelo escritório do IBGE em Natal, o analfabetismo no RN acompanhou a disparidade regional, registrando umpercentual de 16% entre as pessoas com 15 anos ou mais. “Em números estimados, a população analfabeta pe de 537 mil pessoas, com predomínio masculino (331 mil), idade de 30 anos ou mais (378 mil) e nas áreas urbanas (344 mil). A pesquisa estimou 76 mil crianças no ensino infantil e 420 mil no ensino fundamental.

Fim da 'década inclusiva'?

A desigualdade parou de diminuir no Brasil. É o que atesta a Pnad. A constatação é preocupante, mas previsível, porque a economia brasileira está praticamente estagnada.
índice Gini em 2012 ficou no mesmo nível do de 2011. Esse indicador mede o nível de concentração de renda.
O comentário é de Raquel Landim e publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, 28-09-2013.
Isso aconteceu porque o rendimento médio dos 10% mais pobres do Brasil subiu 5,1%, enquanto o dos 1% mais ricos teve salto de 12,8%.
Esse resultado pode significar o fim da "década inclusiva", quando 23,4 milhões de pessoas saíram da pobreza graças a um crescimento de 91,2% dos salários dos 10% mais pobres entre 2001 e 2011.
Esse salto foi causado, principalmente, por fortes reajustes do salário mínimo, programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e explosão do crédito. No fim do governo Lula, essa receituário garantiu crescimento de 7,5% ao ano e eleição da sucessora. Desde então o cenário mudou.
Se confirmada a previsão de aumento de 2% a 2,5% do PIB neste ano, o Brasil amargará crescimento médio de 2% nos três anos de Dilma --patamar medíocre para uma economia como a brasileira.
A economia estagnou porque o boom de consumo chegou ao fim. Não existe mais no país um contingente tão grande de pessoas para serem inseridas no mercado de trabalho e no acesso ao crédito.
E vale ressaltar que parcela significativa da nova classe média está fortemente endividada, tentando pagar o carro financiado. A bolha de inadimplência do setor automotivo, inflada pelos incentivos fiscais do próprio governo, ainda pesa na economia.
A única saída para o Brasil voltar a crescer com vigor é investir mais e melhorar a produtividade. Isso já é consenso até entre governo e oposição.
A dificuldade é pôr isso em prática. A atual gestão finalmente reconheceu a dificuldade crônica do setor público de tirar projetos do papel e partiu para um programa de concessões. Os técnicos de Dilma, porém, adotaram uma postura de confronto com o setor privado nas regras dos contratos, o que reduziu o interesse.
Tudo indica que o programa de concessões será menor do que o previsto e que os leilões atrasarão ainda mais. Os efeitos das concessões para os investimentos brasileiros, portanto, só devem começar a serem sentidos no fim de 2014.
Assim, não há sinais de que vamos sair desse "rame rame" de baixo crescimento em breve. É verdade que o país vive uma inédita situação de pleno emprego, mas não deveria se acomodar. Avançamos muito, mas ainda somos um dos países mais desiguais do mundo

Os muitos 'Brasis' da Pnad

Os muitos 'Brasis' da Pnad

O brasileiro está mais conectado, mais escolarizado, com rendimento mensal melhor e com o emprego estável. Esta é a parte boa da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada na sexta-feira 27 pelo IBGE. A parte ruim é que o Brasil possui hoje mais analfabetos do que em 2011. E é ainda um lugar injusto para mulheres e crianças.
A análise é da redação da Carta Capital, 27-09-2013.
No país onde metade da população (83 milhões de pessoas) está ligada à na internet, a grande ferramenta do século XXI (número 6,8% superior ao verificado em 2012), um índice de 8,3% de crianças e adolescentes segue no século XIX. Apesar das campanhas pela erradicação do trabalho infantil no século XX, 3,5 milhões de pessoas entre 5 e 17 anos precisam trabalhar para ajudar a renda familiar. A queda é de apenas 0,3% percentual em relação ao ano passado. Segundo a pesquisa, um em cada quatro brasileiros entre 15 e 17 anos trabalha no país. Enquanto isso, a proporção de jovens conectados à internet chega a 76,7%.
O analfabetismo subiu em comparação a 2011. Passou de 8,6%, (12,9 milhões de pessoas) para 8,7% (13,2 milhões de pessoas). No Nordeste, chega a 16,9% da população. A taxa de escolarização das crianças e adolescentes de 6 a 14 anos de idade, em compensação, ficou estável: 98,2%. Os anos de estudos aumentaram, passando de 7,3 anos para 7,5 anos, entre pessoas de 10 anos ou mais de idade.
Ainda de acordo com a Pnad, o Brasil registrou taxa de desemprego de 6,1% em 2012, inferior aos 6,7% de 2011. O rendimento médio mensal chegou a 1.507 reais. O ganho real é de 5,8% em relação a 2011 – já descontada a inflação. De acordo com o instituto, as pessoas com rendimento mais baixo tiveram ganhos relativamente superiores aos de renda mais alta. Foram observados ganhos importantes no trabalho doméstico com carteira assinada (10,8%) e sem carteira (8,4%). Apesar disso, ambos continuam recebendo os piores rendimentos: 811 reais (para os com carteira) e 491 reais (para os sem carteira).
Os ganhos, no entanto, beneficiam mais os homens do que as mulheres. Enquanto o rendimento do trabalho feminino aumentou 5,1% no período, o dos homens subiu 6,3%. O rendimento médio do trabalho das mulheres chegou a 1.238 reais em 2012, o que representa 72,9% do obtido pelos homens (1.698 reais). Em 2011, o rendimento das trabalhadoras representava 73,7% do valor recebido pelas pessoas do sexo masculino.
Detalhe: as mulheres são a maioria (51,3%) da população brasileira, que em 2012 chegou a 196,9 milhões de pessoas, um aumento de 0,8% em relação ao ano passado. O maior e o menor crescimento foram registrados no Norte (1,4%) e no Sul (0,6%). Quase a metade da população brasileira está concentrada no Sudeste (82,7 milhões).
A pirâmide etária mostra que a população está envelhecendo. A proporção de idosos, com 60 anos ou mais, passou de 12,1% para 12,6%, chegando a 14,2% na Região Sul e a 8,1% na Região Nordeste. Em 2004, 

MAIS UMA CONFERENCIA NO RN E MAIS UM DESCASO POLITICO PARA O ESTADO INCOMPETÊNCIA CONFIRMADA E REGISTRADA A TODOS OS PRESENTES ....

Conferência do barulho

Publicação: 28 de Setembro de 2013 às 00:00
Yuno Silva - repórter

E Natal ficou na suplência. Nenhum delegado da capital potiguar irá à Conferência Nacional de Cultura que acontece em Brasília no final do mês de novembro, resultado explicado pela ausência generalizada de artistas, produtores e agentes culturais natalenses e a atuação em bloco das caravanas que vieram de municípios da região metropolitana e do interior. Ânimos exaltados, muita reclamação e um auditório superlotado marcaram os trabalhos da Conferência Estadual de Cultura, realizada esta sexta-feira no Teatro de Cultura Popular (TCP). A situação estava tão caótica no início da manhã de ontem que, antes mesmo da leitura do regimento interno do evento, houve votação para decidir se a Conferência seria ou não esvaziada – a ampla maioria decidiu pela continuidade.
Alex RégisÀ tarde, o Teatro de Cultura Popular teve um público irregular devido às atividades dos grupos de trabalho. No turno da manhã, foram mais de 250 pessoas espremidas no pequeno auditórioÀ tarde, o Teatro de Cultura Popular teve um público irregular devido às atividades dos grupos de trabalho. No turno da manhã, foram mais de 250 pessoas espremidas no pequeno auditório

Para se ter uma ideia do aperto literal e do desconforto a que os presentes foram submetidos, a plateia do TCP, que possui 162 poltronas e recebeu 30 cadeiras extras, teve de ‘acomodar’ 250 participantes vindos dos mais de 80 municípios do Rio Grande do Norte que realizaram suas etapas locais.

Segundo a equipe da FJA/SecultRN responsável pela coordenação da Conferência, o Teatro Alberto Maranhão, local onde aconteceu a abertura oficial na noite de quinta (26), “não tem estrutura adequada” para acolher os grupos de trabalho que debateram propostas nos quatro eixos temáticos: Implementação do Sistema Nacional de Cultura; Produção Simbólica e Diversidade Cultura; Cidadania e Direitos Culturais; e Cultura e Desenvolvimento. De cada eixo sairá quatro propostas para a etapa nacional.

Problemas como a falta de credenciais e fichas de inscrição, de acordo com Cléa Bacurau, integrante da comissão organizadora, foi ocasionado pelo “não envio de informações por parte dos municípios”: “Algumas cidades mandaram as proposições e a lista de participantes por e-mail direto para a organização das conferências regional e nacional, por isso ficamos sem o controle de todos os delegados presentes. Contei 82 cidades, mas temos mais algumas participando”, informou. A Conferência estava marcada para os dias 17 e 18 de setembro e acabou sendo adiada para esta semana – o MinC deu como prazo limite para as conferências de todo o país serem realizadas até o dia 29 de setembro.

Detalhe e ausência

O descontentamento dos participantes só não foi maior que o interesse em ser eleito como representante do Estado na etapa nacional marcada para o final de novembro: a possibilidade de viajar para Brasília pareceu ser mais importante que debater propostas de políticas públicas para o segmento. As 25 vagas garantidas pelo RN para a Conferência Nacional, ou 10% dos inscritos na Estadual, terá dois terços de representantes da sociedade civil e um terço do poder público – as passagens aéreas serão custeadas pelo Governo do RN, enquanto hospedagem e alimentação ficam por conta do MinC.

Um detalhe curioso ainda pontuou o início da Conferência, propagada pela Fundação José Augusto/SecultRN como a quarta edição. Ivani Machado, delegada selecionada na etapa municipal em São Gonçalo do Amarante, pediu questão de ordem e explicou que a terceira, realizada em 2011, “não deveria ser contabilizada por ter sido restrita, não deliberativa nem propositiva. Fere as regras determinadas pelo MinC”, sentenciou. Depois do brevíssimo silêncio, suficiente para processar a informação, a mesa diretora que coordenava os trabalhos rebatizou o evento como sendo a “terceira” Conferência.

A ausência da secretária Extraordinária de Cultura do Estado, Isaura Rosado, na Conferência também foi bastante criticada – Isaura está em Natal desde a noite de quinta, após retornar de uma viagem a Brasília onde participou de articulações no Ministério da Cultura.

Vale ressaltar que esta não foi a maior Conferência já realizada pelo Governo do RN em números absolutos, em 2009 o encontro reuniu mais de 350 participantes de 42 cidades no auditório do IFRN-Natal, mas sem dúvidas foi a mais representativa por juntar artistas, produtores e agentes culturais de 82 municípios. A realização da Conferência faz parte do conjunto de critérios básicos exigido pelo Ministério da Cultura para que o RN faça parte do Sistema Nacional de Cultura, mecanismo que irá nortear a implementação de políticas públicas voltada para o segmento cultural com validade de 10 anos.

Descaso

O consultor da Unesco, Renato Remigio, contratado pelo Ministério da Cultura para acompanhar a implementação do Sistema Nacional de Cultura nos estados do Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba, acompanhou a Conferência e não se mostrou surpresa com a desorganização: “Há um descaso do Governo, e não é só aqui que isso ocorre. Quem faz o Estado é o conjunto de municípios e falta de formação na área cultural para entender como funcionam esses mecanismos, está tudo muito concentrado nas capitais”, verificou o consultor. “Participei de muitas Conferências que também não contaram com a presença do secretário de Cultura, do prefeito ou do governador”.

Odinélha Targino, membro do Conselho Municipal de Cultura de Natal e representante da capital durante a Conferência reforça: “Muitos que estão aqui hoje (ontem) nem sabem quais são os eixos temáticos”. Comentários que atestam a necessidade de se investir em formação para que o público esteja capacitado para construir Planos Estadual e municipais de Cultura.

Delegados

Submetida à consulta e votação no plenário, ficou redefinida a forma de distribuição das vagas destinadas à sociedade civil para a Conferência Nacional: em vez das quatro mesorregiões elencadas pelo IBGE (Litoral, Agreste, Central e Oeste), as vagas foram preenchidas a partir de nove regiões representadas pelos municípios de Assu, Caicó, Ceará-Mirim, Currais Novos, Goianinha, Macau, Mossoró, Pau dos Ferros e Natal. Até o fechamento desta edição a lista dos delegados eleitos ainda não tinha sido definida.

FONTE TRIBUNA DO NORTE


GRIFO NOSSO -  NOTA DE PESAR - NOSSO ÚNICO DELEGADO ELEITO PELA REGIONAL SÃO GONÇALO DO AMARANTE - RN O BABALORIXÁ ADELINO DE XANGÓ ADOECEU PELA INGESTÃO DE ALIMENTOS NO PRIMEIRO DIA DA CONFERENCIA E FICOU DE FORA DA VOTAÇÃO.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Projeto A Cor da Cultura

Educar versus doutrinar: Renato Noguera at TEDxUFF

Matriz africana educação e ética Valores afro brasileiros na educação

O meio ambiente e a criminalização das religiões de matrizes africanas

O racismo velado, por Kabengele Munanga

O racismo velado, por Kabengele Munanga

Da Revista Fórum
O antropólogo fala sobre o mito da democracia racial brasileira, a polêmica com Demétrio Magnoli e o papel da mídia e da educação no combate ao preconceito no país.
Por Camila Souza Ramos e Glauco Faria
(A entrevista foi publicada na edição 77, de agosto de 2009)
Fórum - O senhor veio do antigo Zaire que, apesar de ter alguns pontos de contato com a cultura brasileira e a cultura do Congo, é um país bem diferente. O senhor sentiu, quando veio pra cá, a questão racial? Como foi essa mudança para o senhor?
Kabengele - Essas coisas não são tão abertas como a gente pensa. Cheguei aqui em 1975, diretamente para a USP, para fazer doutorado. Não se depara com o preconceito à primeira vista, logo que sai do aeroporto. Essas coisas vêm pouco a pouco, quando se começa a descobrir que você entra em alguns lugares e percebe que é único, que te olham e já sabem que não é daqui, que não é como “nossos negros”, é diferente. Poderia dizer que esse estranhamento é por ser estrangeiro, mas essa comparação na verdade é feita em relação aos negros da terra, que não entram em alguns lugares ou não entram de cabeça erguida.
Depois, com o tempo, na academia, fiz disciplinas em antropologia e alguns de meus professores eram especialistas na questão racial. Foi através da academia, da literatura, que comecei a descobrir que havia problemas no país. Uma das primeiras aulas que fiz foi em 1975, 1976, já era uma disciplina sobre a questão racial com meu orientador João Batista Borges Pereira. Depois, com o tempo, você vai entrar em algum lugar em que está sozinho e se pergunta: onde estão os outros? As pessoas olhavam mesmo, inclusive olhavam mais quando eu entrava com minha mulher e meus filhos. Porque é uma família inter-racial: a mulher branca, o homem negro, um filho negro e um filho mestiço. Em todos os lugares em que a gente entrava, era motivo de curiosidade. O pessoal tentava ser discreto, mas nem sempre escondia. Entrávamos em lugares onde geralmente os negros não entram.
A partir daí você começa a buscar uma explicação para saber o porquê e se aproxima da literatura e das aulas da universidade que falam da discriminação racial no Brasil, os trabalhos de Florestan Fernandes, do Otavio Ianni, do meu próprio orientador e de tantos outros que trabalharam com a questão. Mas o problema é que quando a pessoa é adulta sabe se defender, mas as crianças não. Tenho dois filhos que nasceram na Bélgica, dois no Congo e meu caçula é brasileiro. Quantas vezes, quando estavam sozinhos na rua, sem defesa, se depararam com a polícia?
Meus filhos estudaram em escola particular, Colégio Equipe, onde estudavam filhos de alguns colegas professores. Eu não ia buscá-los na escola, e quando saíam para tomar ônibus e voltar para casa com alguns colegas que eram brancos, eles eram os únicos a ser revistados. No entanto, a condição social era a mesma e estudavam no mesmo colégio. Por que só eles podiam ser suspeitos e revistados pela polícia? Essa situação eu não posso contar quantas vezes vi acontecer. Lembro que meu filho mais velho, que hoje é ator, quando comprou o primeiro carro dele, não sei quantas vezes ele foi parado pela polícia. Sempre apontando a arma para ele para mostrar o documento. Ele foi instruído para não discutir e dizer que os documentos estão no porta-luvas, senão podem pensar que ele vai sacar uma arma. Na realidade, era suspeito de ser ladrão do próprio carro que ele comprou com o trabalho dele. Meus filhos até hoje não saem de casa para atravessar a rua sem documento. São adultos e criaram esse hábito, porque até você provar que não é ladrão... A geografia do seu corpo não indica isso.
Então, essa coisa de pensar que a diferença é simplesmente social, é claro que o social acompanha, mas e a geografia do corpo? Isso aqui também vai junto com o social, não tem como separar as duas coisas. Fui com o tempo respondendo à questão, por meio da vivência, com o cotidiano e as coisas que aprendi na universidade, depoimentos de pessoas da população negra, e entendi que a democracia racial é um mito. Existe realmente um racismo no Brasil, diferenciado daquele praticado na África do Sul durante o regime do apartheid, diferente também do racismo praticado nos EUA, principalmente no Sul. Porque nosso racismo é, utilizando uma palavra bem conhecida, sutil. Ele é velado. Pelo fato de ser sutil e velado isso não quer dizer que faça menos vítimas do que aquele que é aberto. Faz vítimas de qualquer maneira.
Revista Fórum - Quando você tem um sistema como o sul-africano ou um sistema de restrição de direitos como houve nos EUA, o inimigo está claro. No caso brasileiro é mais difícil combatê-lo...
Kabengele - Claro, é mais difícil. Porque você não identifica seu opressor. Nos EUA era mais fácil porque começava pelas leis. A primeira reivindicação: o fim das leis racistas. Depois, se luta para implementar políticas públicas que busquem a promoção da igualdade racial. Aqui é mais difícil, porque não tinha lei nem pra discriminar, nem pra proteger. As leis pra proteger estão na nova Constituição que diz que o racismo é um crime inafiançável. Antes disso tinha a lei Afonso Arinos, de 1951. De acordo com essa lei, a prática do racismo não era um crime, era uma contravenção. A população negra e indígena viveu muito tempo sem leis nem para discriminar nem para proteger.
Revista Fórum - Aqui no Brasil há mais dificuldade com relação ao sistema de cotas justamente por conta do mito da democracia racial?
Kabengele - Tem segmentos da população a favor e contra. Começaria pelos que estão contra as cotas, que apelam para a própria Constituição, afirmando que perante a lei somos todos iguais. Então não devemos tratar os cidadãos brasileiros diferentemente, as cotas seriam uma inconstitucionalidade. Outro argumento contrário, que já foi demolido, é a ideia de que seria difícil distinguir os negros no Brasil para se beneficiar pelas cotas por causa da mestiçagem. O Brasil é um país de mestiçagem, muitos brasileiros têm sangue europeu, além de sangue indígena e africano, então seria difícil saber quem é afro-descendente que poderia ser beneficiado pela cota. Esse argumento não resistiu. Por quê? Num país onde existe discriminação antinegro, a própria discriminação é a prova de que é possível identificar os negros. Senão não teria discriminação.
Em comparação com outros países do mundo, o Brasil é um país que tem um índice de mestiçamento muito mais alto. Mas isso não pode impedir uma política, porque basta a autodeclaração. Basta um candidato declarar sua afro-descendência. Se tiver alguma dúvida, tem que averiguar. Nos casos-limite, o indivíduo se autodeclara afrodescendente. Às vezes, tem erros humanos, como o que aconteceu na UnB, de dois jovens mestiços, de mesmos pais, um entrou pelas cotas porque acharam que era mestiço, e o outro foi barrado porque acharam que era branco. Isso são erros humanos. Se tivessem certeza absoluta que era afro-descendente, não seria assim. Mas houve um recurso e ele entrou. Esses casos-limite existem, mas não é isso que vai impedir uma política pública que possa beneficiar uma grande parte da população brasileira.
Além do mais, o critério de cota no Brasil é diferente dos EUA. Nos EUA, começaram com um critério fixo e nato. Basta você nascer negro. No Brasil não. Se a gente analisar a história, com exceção da UnB, que tem suas razões, em todas as universidades brasileiras que entraram pelo critério das cotas, usaram o critério étnico-racial combinado com o critério econômico. O ponto de partida é a escola pública. Nos EUA não foi isso. Só que a imprensa não quer enxergar, todo mundo quer dizer que cota é simplesmente racial. Não é. Isso é mentira, tem que ver como funciona em todas as universidades. É necessário fazer um certo controle, senão não adianta aplicar as cotas. No entanto, se mantém a ideia de que, pelas pesquisas quantitativas, do IBGE, do Ipea, dos índices do Pnud, mostram que o abismo em matéria de educação entre negros e brancos é muito grande. Se a gente considerar isso então tem que ter uma política de mudança. É nesse sentido que se defende uma política de cotas.
O racismo é cotidiano na sociedade brasileira. As pessoas que estão contra cotas pensam como se o racismo não tivesse existido na sociedade, não estivesse criando vítimas. Se alguém comprovar que não tem mais racismo no Brasil, não devemos mais falar em cotas para negros. Deveríamos falar só de classes sociais. Mas como o racismo ainda existe, então não há como você tratar igualmente as pessoas que são vítimas de racismo e da questão econômica em relação àquelas que não sofrem esse tipo de preconceito. A própria pesquisa do IPEA mostra que se não mudar esse quadro, os negros vão levar muitos e muitos anos para chegar aonde estão os brancos em matéria de educação. Os que são contra cotas ainda dão o argumento de que qualquer política de diferença por parte do governo no Brasil seria uma política de reconhecimento das raças e isso seria um retrocesso, que teríamos conflitos, como os que aconteciam nos EUA.
Fórum - Que é o argumento do Demétrio Magnoli.
Kabengele - Isso é muito falso, porque já temos a experiência, alguns falam de mais de 70 universidades públicas, outros falam em 80. Já ouviu falar de conflitos raciais em algum lugar, linchamentos raciais? Não existe. É claro que houve manifestações numa universidade ou outra, umas pichações, "negro, volta pra senzala". Mas isso não se caracteriza como conflito racial. Isso é uma maneira de horrorizar a população, projetar conflitos que na realidade não vão existir.
Fórum - Agora o DEM entrou com uma ação no STF pedindo anulação das cotas. O que motiva um partido como o DEM, qual a conexão entre a ideologia de um partido ou um intelectual como o Magnoli e essa oposição ao sistema de cotas? Qual é a raiz dessa resistência?
Kabengele – Tenho a impressão que as posições ideológicas não são explícitas, são implícitas. A questão das cotas é uma questão política. Tem pessoas no Brasil que ainda acreditam que não há racismo no país. E o argumento desse deputado do DEM é esse, de que não há racismo no Brasil, que a questão é simplesmente socioeconômica. É um ponto de vista refutável, porque nós temos provas de que há racismo no Brasil no cotidiano. O que essas pessoas querem? Status quo. A ideia de que o Brasil vive muito bem, não há problema com ele, que o problema é só com os pobres, que não podemos introduzir as cotas porque seria introduzir uma discriminação contra os brancos e pobres. Mas eles ignoram que os brancos e pobres também são beneficiados pelas cotas, e eles negam esse argumento automaticamente, deixam isso de lado.
Fórum – Mas isso não é um cinismo de parte desses atores políticos, já que eles são contra o sistema de cotas, mas também são contra o Bolsa-Família ou qualquer tipo de política compensatória no campo socioeconômico?
Kabengele - É interessante, porque um país que tem problemas sociais do tamanho do Brasil deveria buscar caminhos de mudança, de transformação da sociedade. Cada vez que se toca nas políticas concretas de mudança, vem um discurso. Mas você não resolve os problemas sociais somente com a retórica. Quanto tempo se fala da qualidade da escola pública? Estou aqui no Brasil há 34 anos. Desde que cheguei aqui, a escola pública mudou em algum lugar? Não, mas o discurso continua. "Ah, é só mudar a escola pública." Os mesmos que dizem isso colocam os seus filhos na escola particular e sabem que a escola pública é ruim. Poderiam eles, como autoridades, dar melhor exemplo e colocar os filhos deles em escola pública e lutar pelas leis, bom salário para os educadores, laboratórios, segurança. Mas a coisa só fica no nível da retórica.
E tem esse argumento legalista, "porque a cota é uma inconstitucionalidade, porque não há racismo no Brasil". Há juristas que dizem que a igualdade da qual fala a Constituição é uma igualdade formal, mas tem a igualdade material. É essa igualdade material que é visada pelas políticas de ação afirmativa. Não basta dizer que somos todos iguais. Isso é importante, mas você tem que dar os meios e isso se faz com as políticas públicas. Muitos disseram que as cotas nas universidades iriam atingir a excelência universitária. Está comprovado que os alunos cotistas tiveram um rendimento igual ou superior aos outros. Então a excelência não foi prejudicada. Aliás, é curioso falar de mérito como se nosso vestibular fosse exemplo de democracia e de mérito. Mérito significa simplesmente que você coloca como ponto de partida as pessoas no mesmo nível.
Quando as pessoas não são iguais, não se pode colocar no ponto de partida para concorrer igualmente. É como você pegar uma pessoa com um fusquinha e outro com um Mercedes, colocar na mesma linha de partida e ver qual o carro mais veloz. O aluno que vem da escola pública, da periferia, de péssima qualidade, e o aluno que vem de escola particular de boa qualidade, partindo do mesmo ponto, é claro que os que vêm de uma boa escola vão ter uma nota superior. Se um aluno que vem de um Pueri Domus, Liceu Pasteur, tira nota 8, esse que vem da periferia e tirou nota 5 teve uma caminhada muito longa. Essa nota 5 pode ser mais significativa do que a nota 7 ou 8. Dando oportunidade ao aluno, ele não vai decepcionar.
Foi isso que aconteceu, deram oportunidade. As cotas são aplicadas desde 2003. Nestes sete anos, quantos jovens beneficiados pelas cotas terminaram o curso universitário e quantos anos o Brasil levaria para formar o tanto de negros sem cotas? Talvez 20 ou mais. Isso são coisas concretas para as quais as pessoas fecham os olhos. No artigo do professor Demétrio Magnoli, ele me critica, mas não leu nada. Nem uma linha de meus livros. Simplesmente pegou o livro da Eneida de Almeida dos Santos, Mulato, negro não-negro e branco não-branco que pediu para eu fazer uma introdução, e desta introdução de três páginas ele tirou algumas frases e, a partir dessas frases, me acusa de ser um charlatão acadêmico, de professar o racismo científico abandonado há mais de um século e fazer parte de um projeto de racialização oficial do Brasil. Nunca leu nada do que eu escrevi.
A autora do livro é mestiça, psiquiatra e estuda a dificuldade que os mestiços entre branco e negro têm pra construir a sua identidade. Fiz a introdução mostrando que eles têm essa dificuldade justamente por causa de serem negros não-negros e brancos não-brancos. Isso prejudica o processo, mas no plano político, jurídico, eles não podem ficar ambivalentes. Eles têm que optar por uma identidade, têm que aceitar sua negritude, e não rejeitá-la. Com isso ele acha que eu estou professando a supressão dos mestiços no Brasil e que isso faz parte do projeto de racialização do brasileiro. Não tinha nada para me acusar, soube que estou defendendo as cotas, tirou três frases e fez a acusação dele no jornal.
Fórum - O senhor toca na questão do imaginário da democracia racial, mas as pessoas são formadas para aceitarem esse mito...
Kabengele - O racismo é uma ideologia. A ideologia só pode ser reproduzida se as próprias vítimas aceitam, a introjetam, naturalizam essa ideologia. Além das próprias vítimas, outros cidadãos também, que discriminam e acham que são superiores aos outros, que têm direito de ocupar os melhores lugares na sociedade. Se não reunir essas duas condições, o racismo não pode ser reproduzido como ideologia, mas toda educação que nós recebemos é para poder reproduzi-la.
Há negros que introduziram isso, que alienaram sua humanidade, que acham que são mesmo inferiores e o branco tem todo o direito de ocupar os postos de comando. Como também tem os brancos que introjetaram isso e acham mesmo que são superiores por natureza. Mas para você lutar contra essa ideia não bastam as leis, que são repressivas, só vão punir. Tem que educar também. A educação é um instrumento muito importante de mudança de mentalidade e o brasileiro foi educado para não assumir seus preconceitos. O Florestan Fernandes dizia que um dos problemas dos brasileiros é o “preconceito de ter preconceito de ter preconceito”. O brasileiro nunca vai aceitar que é preconceituoso. Foi educado para não aceitar isso. Como se diz, na casa de enforcado não se fala de corda.
Quando você está diante do negro, dizem que tem que dizer que é moreno, porque se disser que é negro, ele vai se sentir ofendido. O que não quer dizer que ele não deve ser chamado de negro. Ele tem nome, tem identidade, mas quando se fala dele, pode dizer que é negro, não precisa branqueá-lo, torná-lo moreno. O brasileiro foi educado para se comportar assim, para não falar de corda na casa de enforcado. Quando você pega um brasileiro em flagrante de prática racista, ele não aceita, porque não foi educado para isso. Se fosse um americano, ele vai dizer: "Não vou alugar minha casa para um negro". No Brasil, vai dizer: "Olha, amigo, você chegou tarde, acabei de alugar". Porque a educação que o americano recebeu é pra assumir suas práticas racistas, pra ser uma coisa explícita.
Quando a Folha de S. Paulo fez aquela pesquisa de opinião em 1995, perguntaram para muitos brasileiros se existe racismo no Brasil. Mais de 80% disseram que sim. Perguntaram para as mesmas pessoas: "você já discriminou alguém?". A maioria disse que não. Significa que há racismo, mas sem racistas. Ele está no ar... Como você vai combater isso? Muitas vezes o brasileiro chega a dizer ao negro que reage: "você que é complexado, o problema está na sua cabeça". Ele rejeita a culpa e coloca na própria vítima. Já ouviu falar de crime perfeito? Nosso racismo é um crime perfeito, porque a própria vítima é que é responsável pelo seu racismo, quem comentou não tem nenhum problema.
Revista Fórum - O humorista Danilo Gentilli escreveu no Twitter uma piada a respeito do King Kong, comparando com um jogador de futebol que saía com loiras. Houve uma reação grande e a continuação dos argumentos dele para se justificar vai ao encontro disso que o senhor está falando. Ele dizia que racista era quem acusava ele, e citava a questão do orgulho negro como algo de quem é racista.
Kabengele - Faz parte desse imaginário. O que está por trás dessa ilustração de King Kong, que ele compara a um jogador de futebol que vai casar com uma loira, é a ideia de alguém que ascende na vida e vai procurar sua loira. Mas qual é o problema desse jogador de futebol? São pessoas vítimas do racismo que acham que agora ascenderam na vida e, para mostrar isso, têm que ter uma loira que era proibida quando eram pobres? Pode até ser uma explicação. Mas essa loira não é uma pessoa humana que pode dizer não ou sim e foi obrigada a ir com o King Kong por causa de dinheiro? Pode ser, quantos casamentos não são por dinheiro na nossa sociedade? A velha burguesia só se casa dentro da velha burguesia. Mas sempre tem pessoas que desobedecem as normas da sociedade.
Essas jovens brancas, loiras, também pulam a cerca de suas identidades pra casar com um negro jogador. Por que a corda só arrebenta do lado do jogador de futebol? No fundo, essas pessoas não querem que os negros casem com suas filhas. É uma forma de racismo. Estão praticando um preconceito que não respeita a vontade dessas mulheres nem essas pessoas que ascenderam na vida, numa sociedade onde o amor é algo sem fronteiras, e não teria tantos mestiços nessa sociedade. Com tudo o que aconteceu no campo de futebol com aquele jogador da Argentina que chamou o Grafite de macaco, com tudo o que acontece na Europa, esse humorista faz uma ilustração disso, ou é uma provocação ou quer reafirmar os preconceitos na nossa sociedade.
Fórum - É que no caso, o Danilo Gentili ainda justificou sua piada com um argumento muito simplório: "por que eu posso chamar um gordo de baleia e um negro de macaco", como se fosse a mesma coisa.
Kabengele - É interessante isso, porque tenho a impressão de que é um cara que não conhece a história e o orgulho negro tem uma história. São seres humanos que, pelo próprio processo de colonização, de escravidão, a essas pessoas foi negada sua humanidade. Para poder se recuperar, ele tem que assumir seu corpo como negro. Se olhar no espelho e se achar bonito ou se achar feio. É isso o orgulho negro. E faz parte do processo de se assumir como negro, assumir seu corpo que foi recusado. Se o humorista conhecesse isso, entenderia a história do orgulho negro. O branco não tem motivo para ter orgulho branco porque ele é vitorioso, está lá em cima. O outro que está lá em baixo que deve ter orgulho, que deve construir esse orgulho para poder se reerguer.
Fórum - O senhor tocou no caso do Grafite com o Desábato, e recentemente tivemos, no jogo da Libertadores entre Cruzeiro e Grêmio, o caso de um jogador que teria sido chamado de macaco por outro atleta. Em geral, as pessoas – jornalistas que comentaram, a diretoria gremista – argumentavam que no campo de futebol você pode falar qualquer coisa, e que se as pessoas fossem se importar com isso, não teria como ter jogo de futebol. Como você vê esse tipo de situação?
Kabengele - Isso é uma prova daquilo que falei, os brasileiros são educados para não assumir seus hábitos, seu racismo. Em outros países, não teria essa conversa de que no campo de futebol vale. O pessoal pune mesmo. Mas aqui, quando se trata do negro... Já ouviu caso contrário, de negro que chama branco de macaco? Quando aquele delegado prendeu o jogador argentino no caso do Grafite, todo mundo caiu em cima. Os técnicos, jornalistas, esportistas, todo mundo dizendo que é assim no futebol. Então a gente não pode educar o jogador de futebol, tudo é permitido? Quando há violência física, eles são punidos, mas isso aqui é uma violência também, uma violência simbólica. Por que a violência simbólica é aceita a violência física é punida?
Fórum - Como o senhor vê hoje a aplicação da lei que determina a obrigatoriedade do ensino de cultura africana nas escolas? Os professores, de um modo geral, estão preparados para lidar com a questão racial?
Kabengele - Essa lei já foi objeto de crítica das pessoas que acham que isso também seria uma racialização do Brasil. Pessoas que acham que, sendo a população brasileira uma população mestiça, não é preciso ensinar a cultura do negro, ensinar a história do negro ou da África. Temos uma única história, uma única cultura, que é uma cultura mestiça. Tem pessoas que vão nessa direção, pensam que isso é uma racialização da educação no Brasil.
Mas essa questão do ensino da diversidade na escola não é propriedade do Brasil. Todos os países do mundo lidam com a questão da diversidade, do ensino da diversidade na escola, até os que não foram colonizadores, os nórdicos, com a vinda dos imigrantes, estão tratando da questão da diversidade na escola.
O Brasil deveria tratar dessa questão com mais força, porque é um país que nasceu do encontro das culturas, das civilizações. Os europeus chegaram, a população indígena – dona da terra – os africanos, depois a última onda imigratória é dos asiáticos. Então tudo isso faz parte das raízes formadoras do Brasil que devem fazer parte da formação do cidadão. Ora, se a gente olhar nosso sistema educativo, percebemos que a história do negro, da África, das populações indígenas não fazia parte da educação do brasileiro.
Nosso modelo de educação é eurocêntrico. Do ponto de vista da historiografia oficial, os portugueses chegaram na África, encontraram os africanos vendendo seus filhos, compraram e levaram para o Brasil. Não foi isso que aconteceu. A história da escravidão é uma história da violência. Quando se fala de contribuições, nunca se fala da África. Se se introduzir a história do outro de uma maneira positiva, isso ajuda.
É por isso que a educação, a introdução da história dele no Brasil, faz parte desse processo de construção do orgulho negro. Ele tem que saber que foi trazido e aqui contribuiu com o seu trabalho, trabalho escravizado, para construir as bases da economia colonial brasileira. Além do mais, houve a resistência, o negro não era um João-Bobo que simplesmente aceitou, senão a gente não teria rebeliões das senzalas, o Quilombo dos Palmares, que durou quase um século. São provas de resistência e de defesa da dignidade humana. São essas coisas que devem ser ensinadas. Isso faz parte do patrimônio histórico de todos os brasileiros. O branco e o negro têm que conhecer essa história porque é aí que vão poder respeitar os outros.
Voltando a sua pergunta, as dificuldades são de duas ordens. Em primeiro lugar, os educadores não têm formação para ensinar a diversidade. Estudaram em escolas de educação eurocêntrica, onde não se ensinava a história do negro, não estudaram história da África, como vão passar isso aos alunos? Além do mais, a África é um continente, com centenas de culturas e civilizações. São 54 países oficialmente. A primeira coisa é formar os educadores, orientar por onde começou a cultura negra no Brasil, por onde começa essa história. Depois dessa formação, com certo conteúdo, material didático de boa qualidade, que nada tem a ver com a historiografia oficial, o processo pode funcionar.
Fórum - Outra questão que se discute é sobre o negro nos espaços de poder. Não se veem negros como prefeitos, governadores. Como trabalhar contra isso?
Kabengele - O que é um país democrático? Um país democrático, no meu ponto de vista, é um país que reflete a sua diversidade na estrutura de poder. Nela, você vê mulheres ocupando cargos de responsabilidade, no Executivo, no Legislativo, no Judiciário, assim como no setor privado. E ainda os índios, que são os grandes discriminados pela sociedade. Isso seria um país democrático. O fato de você olhar a estrutura de poder e ver poucos negros ou quase não ver negros, não ver mulheres, não ver índios, isso significa que há alguma coisa que não foi feita nesse país. Como construção da democracia, a representatividade da diversidade não existe na estrutura de poder. Por quê?
Se você fizer um levantamento no campo jurídico, quantos desembargadores e juízes negros têm na sociedade brasileira? Se você for pras universidades públicas, quantos professores negros tem, começando por minha própria universidade? Esta universidade tem cerca de 5 mil professores. Quantos professores negros tem na USP? Nessa grande faculdade, que é a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), uma das maiores da USP junto com a Politécnica, tenho certeza de que na minha faculdade fui o primeiro negro a entrar como professor. Desde que entrei no Departamento de Antropologia, não entrou outro. Daqui três anos vou me aposentar. O professor Milton Santos, que era um grande professor, quase Nobel da Geografia, entrou no departamento, veio do exterior e eu já estava aqui. Em toda a USP, não sou capaz de passar de dez pessoas conhecidas. Pode ter mais, mas não chega a 50, exagerando. Se você for para as grandes universidades americanas, Harvard, Princeton, Standford, você vai encontrar mais negros professores do que no Brasil. Lá eles são mais racistas, ou eram mais racistas, mas como explicar tudo isso?
120 anos de abolição. Por que não houve uma certa mobilidade social para os negros chegarem lá? Há duas explicações: ou você diz que ele é geneticamente menos inteligente, o que seria uma explicação racista, ou encontra explicação na sociedade. Quer dizer que se bloqueou a sua mobilidade. E isso passa por questão de preconceito, de discriminação racial. Não há como explicar isso. Se você entender que os imigrantes japoneses chegaram, nós comemoramos 100 anos recentemente da sua vinda, eles tiveram uma certa mobilidade. Os coreanos também ocupam um lugar na sociedade. Mas os negros já estão a 120 anos da abolição. Então tem uma explicação. Daí a necessidade de se mudar o quadro. Ou nós mantemos o quadro, porque se não mudamos estamos racializando o Brasil, ou a gente mantém a situação para mostrar que não somos racistas. Porque a explicação é essa, se mexer, somos racistas e estamos racializando. Então vamos deixar as coisas do jeito que estão. Esse é o dilema da sociedade.
Revista Fórum – como o senhor vê o tratamento dado pela mídia à questão racial?
Kabengele - A imprensa faz parte da sociedade. Acho que esse discurso do mito da democracia racial é um discurso também que é absorvido por alguns membros da imprensa. Acho que há uma certa tendência na imprensa pelo fato de ser contra as políticas de ação afirmativa, sendo que também não são muito favoráveis a essa questão da obrigatoriedade do ensino da história do negro na escola.
Houve, no mês passado, a II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Silêncio completo da imprensa brasileira. Não houve matérias sobre isso. Os grandes jornais da imprensa escrita não pautaram isso. O silêncio faz parte do dispositivo do racismo brasileiro. Como disse Elie Wiesel, o carrasco mata sempre duas vezes. A segunda mata pelo silêncio. O silêncio é uma maneira de você matar a consciência de um povo. Porque se falar sobre isso abertamente, as pessoas vão buscar saber, se conscientizar, mas se ficar no silêncio a coisa morre por aí. Então acho que o silêncio da imprensa, no meu ponto de vista, passa por essa estratégia, é o não-dito.
Acabei de passar por uma experiência interessante. Saí da Conferência Nacional e fui para Barcelona, convidado por um grupo de brasileiros que pratica capoeira. Claro, receberam recursos do Ministério das Relações Exteriores, que pagou minha passagem e a estadia. Era uma reunião pequena de capoeiristas e fiz uma conferência sobre a cultura negra no Brasil. Saiu no El Pais, que é o jornal mais importante da Espanha, noticiou isso, uma coisa pequena. Uma conferência nacional deste tamanho aqui não se fala. É um contrassenso. O silêncio da imprensa não é um silêncio neutro, é um silêncio que indica uma certa orientação da questão racial. Tem que não dizer muita coisa e ficar calado. Amanhã não se fala mais, acabou.

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